Volto a atualizar este blog em um dos dias mais tristes da minha vida. Ronnie James Dio um dos músicos mais admiráveis da história, uma lenda do rock morreu nesta manhã, vítima de um câncer de estômago.
Cantor do ELF, Rainbow e Black Sabbath, além de sua vitoriosa carreira solo, Dio era um rockstar gente finíssima. Nada de escândalos, bebedeiras, bizarrices ou envolvimento com drogas. Quem o conheceu - eu tive a honra de entrevistá-lo em um dos dias mais felizes destes meus 37 anos de existência - sabe que era um gentleman. Sempre atendeu aos fãs e aos jornalistas com muito respeito, carisma, educação e bom humor.
A última apresentação dele que pude ver ao vivo foi no dia 5 de dezembro de 2001, no Credicard Hall, em São Paulo. Passei uns 15 dias, pelo menos, lamentando para meu amigo David Torelli - quando ainda trabalhávamos na Century Media - que minha música preferida jamais seria tocada pelo mestre Dio. Na noite do show, eis que o dono de uma das vozes mais poderosas deste planeta anunciou: "Invisible". Quase caí das cadeiras superiores do Credicard Hall. E quem conhece tal casa de espetáculos sabe quão alto é isso.
Há algumas semanas, ou seriam meses?, quando a notícia de que Dio estava encrentando um câncer começou a se multiplicar na Internet eu pensei que isso não era nada. Um homem como ele não morre, imaginei. Doenças deste tipo são reservadas aos seres humanos comuns, afinal de contas. Como é que um cidadão vive 67 anos, mais de 50 deles dedicados à música, ao rock, ao heavy metal, com amplo sucesso, fãs ao redor do mundo todo, pode perecer de algo tão bobo quanto um câncer?
Mas a realidade é cruel. A vida continua, o mundo gira e rockstars, ídolos, astros, são tão humanos quanto todos nós no final das contas.
Não lembro a data exata em que ouvi a voz única de Ronnie Dio. Mas certamente foi em 1983, ano em que minha vida mudou, logo após eu descobrir o Kiss. E então chegou nas minhas mãos uma fita k-7 do Iron Maiden, um LP do Black Sabatth (ainda com Ozzy nos vocais), outro do Accept. Até que um dia me explicaram que o Ozzy enlouqueceu, brigou com Tony Iommi e montou uma banda própria. Para o seu lugar, entrou um baixinho que inventou o sinal dos "chifrinhos" que representava o heavy metal. Ele era americano, mas tinha um sobrenome italiano. Ao escutar "Holy Diver", o álbum com aquela enigmática capa, tive uma sensação mágica que só sentiria ao ouvir outras peças magníficas, como "Operation: Mindcrime" (Queensrÿche), "Master of Puppets" (Metallica), "Século XX" (Overdose), "Hall of the Mountain King" (Savatage), "Killers" (Iron Maiden), "W.A.S.P." (W.A.S.P.), "Abigail" (Kind Diamond), "Reign In Blood" (Slayer), "Creatures of the Night" (Kiss), "Balls To The Wall" (Accept) e "Schizophrenia" (Sepultura), não necessariamente nesta ordem.
A vida é estranha. Cresci sonhando em assistir ao vivo tantos ídolos da minha adolescência. Mas isso era em uma época em que shows internacionais no Brasil eram uma raridade. Ainda mais de bandas que tocam rock pesado. Não havia Internet, telefone celular, fotografia digital, computadores eram coisas de filme americano. Mas o progresso, lentamente, chegou ao Brasil. O País começou a deixar de ser arcaico e, aos poucos, mais e mais ídolos vinham até nós. E um belo dia anunciaram que Dio iria tocar em Florianópolis. Na verdade, em Santo Amaro da Imperatriz. Era dezembro de 1995, mais precisamente no dia 1º, quando eu estava no Hotel Cambirela, ao lado de alguns outros fãs, para entrevistar o mestre!
Foi um dia mágico. Dio entrou na sala e mostrou-se a gentileza em pessoa, a alegria e a felicidade de conversar conosco, a quem instistiu em chamar de amigos, eram nítidas. Usei meu ainda parco conhecimento no inglês e fiz várias perguntas. Ele brincou comigo quando questionei sobre o Black Sabbath. O diálogo foi mais ou menos assim:
"I hope this isn´t a forbidden subject", comecei. "No, go ahead, ask, my friend", ele respondeu. "About Black Sabbath...", indaguei. "No, i don´t speak about this", afirmou Dio, já rindo com a minha cara, obviamente, patética e decepcionada. "I´m kidding. Of course i´ll answer to you", ele continuou.
Ao final da entrevista, todos receberam seus autógrafos com a tradicional frase "A magic to..." que ele sempre assinou para seus fãs. Naquela tarde, meu velho vinil do "Holy Diver" voltou para casa com a frase "A special magic to Alessandro", como pode ser visto neste link. E esta é uma história que não me canso de contar. É bobo, eu sei. Infantil muito provavelmente. Mas é real.
O setlist tocado na noite de 2 de dezembro de 1995 naquele antológico show na New Time, uma danceteria do vizinho município de Santo Amaro da Imperatriz, foi mais ou menos assim:
* Intro (someone scanning through radio stations)
* Stand Up And Shout
* Strange Highways
* Don't Talk To Strangers *
* Evilution
* Pain
* Guitar Solo
* Pain
* Mob Rules *
* Children Of The Sea *
* Holy Diver
* Heaven And Hell *
* Man On The Silver Mountain **
* Drum Solo
* Heaven And Hell *
* Jesus Mary & The Holy Ghost
* Hollywood Black
* The Last In Line
* Rainbow In The Dark (encore)
* We Rock (encore)
* Here's To You (encore)
* Da sua passagem pelo Black Sabbath
** Da sua passagem pelo Rainbow
Hoje, lamentavelmente, Dio passou, seguiu em frente em sua trajetória. Deixou, felizmente, sua arte, sua música, sua mágica. Não teremos mais o prazer de vê-lo ao vivo, mas estará sempre vivo.
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domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 28 de novembro de 2009
Solidariedade de peso
E por falar em Ronnie James Dio, surgiu na mídia especializada durante a última semana a notícia de que o lendário cantor foi diagnosticado com câncer no estômago. Fica a torcida pela recuperação do mestre.
Dio é um cara gente finíssima, a quem tive a sorte de entrevistar horas antes da sua passagem por Santa Catarina, no dia 2 de dezembro de 1995. Ao contrário da maior parte dos rockstars, é um cara tranquilo, raramente se mete em confusões e não apela para a infame tríade "sexo, drogas & rock and roll".

Exclusivo: Capa de "Holy Diver" autografada por Dio
Uma das provas do seu caráter foi o projeto "Hear´n´Aid", lançado em 1985, para levantar dinheiro em favor dos povos da África. A idéia, nunca foi segredo, surgiu após iniciativas semelhantes de artistas da pop music, como os projetos "Band Aid" e "USA for Africa".
A idéia de Dio resultou na música do vídeo acima. E é preciso reconhecer que o homem conseguiu algo praticamente impossível, recrutar 55 músicos das mais variadas bandas em uma época na qual o heavy metal estava no auge nos Estados Unidos. Imagine o esforço para conciliar tantas agendas diferentes em meio às tours que bandas como Mötley Crüe, Judas Priest, Twisted Sister, Iron Maiden, Dokken e Quiet Riot, entre outras, faziam mundo a fora.
Dio conseguiu montar um time e tanto, com o melhor do estilo daquela época, era do glam metal e dos músicos com "penteados" prá lá de esquisitos. :) Faltaram alguns medalhões, tipo Ozzy Osbourne, e integrantes da geração seginte do rock pesado, o thrash metal, que até então não estava consagrado.
Participantes:
Vocalistas
* Dave Meniketti (Y&T)
* Paul Shortino (Rough Cutt)
* Geoff Tate (Queensrÿche)
* Eric Bloom (Blue Öyster Cult)
* Ronnie James Dio (Dio)
* Don Dokken (Dokken)
* Kevin DuBrow (Quiet Riot)
* Rob Halford (Judas Priest)
Backing vocals
* Tommy Aldridge (Ozzy Osbourne)
* Dave Alford (Rough Cutt)
* Carmine Appice (Vanilla Fudge/King Kobra)
* Vinny Appice (Dio)
* Jimmy Bain (Dio)
* Frankie Banali (Quiet Riot)
* Mick Brown (Dokken)
* Vivian Campbell (Dio)
* Carlos Cavazo (Quiet Riot)
* Amir Derakh (Rough Cutt)
* Buck Dharma (Blue Öyster Cult)
* Brad Gillis (Night Ranger)
* Craig Goldy (Giuffria)
* Chris Hager (Rough Cutt)
* Chris Holmes (W.A.S.P.)
* Blackie Lawless (W.A.S.P.)
* George Lynch (Dokken)
* Yngwie Malmsteen
* Mick Mars (Mötley Crüe)
* Michael McKean (David St. Hubbins of Spinal Tap)
* Dave Murray (Iron Maiden)
* Vince Neil (Mötley Crüe)
* Ted Nugent
* Eddie Ojeda (Twisted Sister)
* Jeff Pilson (Dokken)
* Rudy Sarzo (Quiet Riot)
* Claude Schnell (Dio)
* Neal Schon (Journey)
* Harry Shearer (Derek Smalls of Spinal Tap)
* Mark Stein (Vanilla Fudge)
* Matt Thorr (Rough Cutt)
Guitarristas solo
* Vivian Campbell (Dio)
* Carlos Cavazo (Quiet Riot)
* Buck Dharma (Blue Öyster Cult)
* Brad Gillis (Night Ranger)
* Craig Goldy (Giuffria)
* George Lynch (Dokken)
* Yngwie Malmsteen
* Eddie Ojeda (Twisted Sister)
* Neal Schon (Journey)
Guitarras base e linhas melódicas
* Dave Murray (Iron Maiden)
* Adrian Smith (Iron Maiden)
Baixistas
* Jimmy Bain (Dio)
Bateristas
* Vinny Appice (Dio)
* Frankie Banali (Quiet Riot)
Tecladista
* Claude Schnell (Dio)
Dio é um cara gente finíssima, a quem tive a sorte de entrevistar horas antes da sua passagem por Santa Catarina, no dia 2 de dezembro de 1995. Ao contrário da maior parte dos rockstars, é um cara tranquilo, raramente se mete em confusões e não apela para a infame tríade "sexo, drogas & rock and roll".

Exclusivo: Capa de "Holy Diver" autografada por Dio
Uma das provas do seu caráter foi o projeto "Hear´n´Aid", lançado em 1985, para levantar dinheiro em favor dos povos da África. A idéia, nunca foi segredo, surgiu após iniciativas semelhantes de artistas da pop music, como os projetos "Band Aid" e "USA for Africa".
A idéia de Dio resultou na música do vídeo acima. E é preciso reconhecer que o homem conseguiu algo praticamente impossível, recrutar 55 músicos das mais variadas bandas em uma época na qual o heavy metal estava no auge nos Estados Unidos. Imagine o esforço para conciliar tantas agendas diferentes em meio às tours que bandas como Mötley Crüe, Judas Priest, Twisted Sister, Iron Maiden, Dokken e Quiet Riot, entre outras, faziam mundo a fora.
Dio conseguiu montar um time e tanto, com o melhor do estilo daquela época, era do glam metal e dos músicos com "penteados" prá lá de esquisitos. :) Faltaram alguns medalhões, tipo Ozzy Osbourne, e integrantes da geração seginte do rock pesado, o thrash metal, que até então não estava consagrado.
Participantes:
Vocalistas
* Dave Meniketti (Y&T)
* Paul Shortino (Rough Cutt)
* Geoff Tate (Queensrÿche)
* Eric Bloom (Blue Öyster Cult)
* Ronnie James Dio (Dio)
* Don Dokken (Dokken)
* Kevin DuBrow (Quiet Riot)
* Rob Halford (Judas Priest)
Backing vocals
* Tommy Aldridge (Ozzy Osbourne)
* Dave Alford (Rough Cutt)
* Carmine Appice (Vanilla Fudge/King Kobra)
* Vinny Appice (Dio)
* Jimmy Bain (Dio)
* Frankie Banali (Quiet Riot)
* Mick Brown (Dokken)
* Vivian Campbell (Dio)
* Carlos Cavazo (Quiet Riot)
* Amir Derakh (Rough Cutt)
* Buck Dharma (Blue Öyster Cult)
* Brad Gillis (Night Ranger)
* Craig Goldy (Giuffria)
* Chris Hager (Rough Cutt)
* Chris Holmes (W.A.S.P.)
* Blackie Lawless (W.A.S.P.)
* George Lynch (Dokken)
* Yngwie Malmsteen
* Mick Mars (Mötley Crüe)
* Michael McKean (David St. Hubbins of Spinal Tap)
* Dave Murray (Iron Maiden)
* Vince Neil (Mötley Crüe)
* Ted Nugent
* Eddie Ojeda (Twisted Sister)
* Jeff Pilson (Dokken)
* Rudy Sarzo (Quiet Riot)
* Claude Schnell (Dio)
* Neal Schon (Journey)
* Harry Shearer (Derek Smalls of Spinal Tap)
* Mark Stein (Vanilla Fudge)
* Matt Thorr (Rough Cutt)
Guitarristas solo
* Vivian Campbell (Dio)
* Carlos Cavazo (Quiet Riot)
* Buck Dharma (Blue Öyster Cult)
* Brad Gillis (Night Ranger)
* Craig Goldy (Giuffria)
* George Lynch (Dokken)
* Yngwie Malmsteen
* Eddie Ojeda (Twisted Sister)
* Neal Schon (Journey)
Guitarras base e linhas melódicas
* Dave Murray (Iron Maiden)
* Adrian Smith (Iron Maiden)
Baixistas
* Jimmy Bain (Dio)
Bateristas
* Vinny Appice (Dio)
* Frankie Banali (Quiet Riot)
Tecladista
* Claude Schnell (Dio)
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