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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tempo de mudança

Amanhã não vou ter tempo. Desde abril de 2010, esta frase virou rotina em minha vida. E assim reduzi em 99% as oportunidades de rever e estar com os amigos. Praticamente o mesmo percentual com a famiglia. E um relacionamento de longos 2 anos, acabou.

Coisas da vida e das opções que fazemos. Ninguém mandou eu escolher uma profissão ingrata, cujos salários são irrisórios - por favor, não me constranjam perguntando qual é o piso salarial dos jornalistas em Santa Catarina. Em nome de um desafio nesta carreira e de um nível salarial quase próximo do ideal, fiz a escolha que acarretou nas afirmações do parágrafo anterior.

E destas escolhas agora confirmo o que alguns já sabem. Mudança de base e, mais uma vez, deixo Florianópolis. Como amanhã não vou ter tempo, escrevo hoje sobre isso. Assim, aproveito para informar a quem interessar possa, e aos amigos dos quais não vou poder me despedir pessoalmente. A idéia era reunir a famiglia no domingo, a turma dos jornais e assessorias na segunda, o povo do rock na terça e os velhos comparsas nesta quarta. Tudo em vão. A vida tinha outros planos.

Desde sábado vivi às voltas com encaixotar coisas, separar material para descarte e doações, venda de supérfluos. Nestas horas a gente nota quanta tralha vai juntando ao longo da vida. Claro, tralhas úteis. Mas impossíveis de serem levadas para Brasília. Ah, ainda não havia dito isso. Pois é, depois de Ribeirão Preto, São Paulo e Jundiaí, agora migro para a capital federal.

Sonho antigo, sempre quis trabalhar lá como repórter. E esta é a primeira vez que confesso isso oficialmente. Não tive a competência nem a paciência necessárias para atingir esta meta profissional. Mas, como diz o colega Edson Rosa, Deus é Pai e Nossa Senhora é uma Baita. Eis que vou lá enquanto assessor de imprensa. O desafio é tão grande quanto. Não é fácil "emplacar" um chefe exigente, que integra uma oposição de pouco número e que está no primeiro mandato. Mas se quisesse um emprego onde as coisas são fáceis, não teria feito jornalismo.

Floripa.... ao contrário da maioria dos mortais, não morro de amores por esta cidade. Por favor, não se ofendam. É estonteantemente linda, sim. Fiz aqui amigos para sempre. Minha família foi muito bem recebida, alguns até se deram bem na vida. Eu é que tive problemas. Adoro este lugar, mas noto que morar em Florianópolis não é para mim. As partes negativas me irritam demais, me decepcionam. E não faço aqui nenhuma crítica à cidade. É esquisitice minha mesmo. Volto a dizer, Deus chegou, parou e deve ter ficado pelo menos umas 3 semanas só se dedicando a embelezar esta gata. Mas não é por acaso que estou indo embora pela terceira vez em 11 anos. Não consigo explicar. Acho que quero ser apenas turista em Florianópolis. Vou continuar cuidando de longe, lendo as crônicas da cidade nas letras do colega Carlos Damião, nas histórias que meus pais irão me contar - agora via MSN! Sim, coloquei ambos para se modernizar.

O cansaço após um longo dia de malas e sacolas descendo do segundo andar para o térreo e depois subindo do térreo para o quarto piso, sem elevadores, chegou. Deixo meu abraço aos amigos que só verei pela Internet nos próximos meses. Não há previsão de retorno em breve, mas tenho todos aqui no meu coração. E Floripa? olha, a vantagem de Floripa é o fato de ser a única mulher que a gente pode deixar quantas vezes quiser e ela sempre te receberá de braços abertos, essa gatona.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Parem o mundo. Quero descer!!

Ontem morreu a Elizabeth Taylor. Em Brasília, derrubaram a Ficha Limpa. Ou melhor, adiaram. No Japão, refizeram em poucos dias uma rodovia destruída pelo terremoto. No futebol, a dupla da Capital inverteu os papéis na eterna gangorra do esporte bretão.

Na região metropolitana de Florianópolis a comoção nos jornais e nas ruas hoje, no entanto, não é nada disso. O que mais se comenta é o velhinho tarado preso por manter relações sexuais com uma vaca. Sim, o animal quadrúpede, aquela criatura que fornece leite, pode virar churrasco e procria, normalmente, com bois.

Já posso voltar prá barriga da minha mãe?

sábado, 12 de março de 2011

Um terremoto de medo, caos e lições

Será que os roteiristas de Hollywood estavam mesmo certos? A humanidade vai acabar em meio ao caos e destruição causadas por reações da natureza à interferência imbecil, egoísta e descontrolada do ser humano? O terremoto que abalou o Japão na última sexta-feira - seguido por suas mais de 150 réplicas, pelo tsunami e, se entendi bem, por mais um terremoto neste sábado - não é o primeiro sinal de que algo muito errado está em andamento.

Até o final do século XX, terremotos e erupções vulcânicas eram coisas não tão comuns, para não usar a palavra raridade. Eram coisas que a gente lia nos jornais e assistia na TV, mas sempre tudo muito distante. Conheci cidadãos que achavam ser tudo mentira, invenção da televisão, vejam só. Bom, até hoje há quem creia cegamente que o homem jamais chegou à lua.

Mas a partir do momento que Santa Catarina viveu a desagradável experiência de ter um furacão, comecei a achar que, de fato, algo sério estava guardado para nós, seres humanos. E não me venham com clichês de "ira divina", "seleção natural da espécie" ou qualquer frase vaga assim. Estamos pagando o preço. Minha saudosa avó Iracema, no alto do seu analfabetismo mais inteligente que muito fulano com pós doc, sempre dizia: "o que a gente tira da natureza, a natureza toma de volta".

As notícias que não cessam de chegar do Japão - e dos demais países que sofreram as consequências da tragédia dos dois últimos dias - são estarrecedoras. Parace que estamos, ao vivo, em um roteiro de filmes como "2012", "Terremoto" e afins. Um tremor de terra que iniciou sei lá onde devasta uma ampla região de um país costumeiramente castigado por fenômenos semelhantes. Surge um tsunami que invade a costa, arrasa cidades, ceifa a vida de centenas. A fúria do oceano se espalha mundo a fora, colocando em risco nações no outro lado, literalmente, do planeta. E que tal uma explosão em uma usina nuclear para "incrementar" ainda mais a trama?

E ontem, nas primeiras horas após o evento, a imprensa falava em 300 mortes, reproduzindo informações das autoridades japonesas. Era óbvio que este número não passava de uma estimativa inicial. Hoje leio que de 300 a 500 corpos foram encontrados apenas no porto de Rikuzenkataka.

A primeira série de imagens que circulou pela Internet veio do The Big Picture, como sempre, mantendo a tradição do The Boston Globe. Retratos impressionantes, esforço de fotojornalistas com um olhar diferenciado. E é incrível a sensação de olhar uma foto que causa espanto, apreensão e, ao mesmo tempo, empolgação jornalística. Fontes para acompanhar as notícias são inúmeras na Internet. O UOL é um bom exemplo. A Folha de S.Paulo também.

Logo surgirão explicações para isso tudo. Talvez até o homem não seja diretamente culpado pelo terremoto. Mas isso não nos impede de pensar em como este planetinha vem sendo tratado. Eu mesmo acho esta afirmação meio piegas, mas seguro morreu de velho. Evitar o desperdício, o consumo exacerbado, investir e praticar a reciclagem do lixo, combater o desmatamento, apoiar políticos - e depois cobrar deles - que tenham real comprometimento com todas estas coisas. São apenas algumas atitudes, bem simples, por sinal, que deveríamos tomar.

Pensando bem, lembro agora da minha infância, quando a vó Cema me dizia que não se devia jogar papel no chão, pois "era feio". Talvez, sabiamente, ela já estivesse fazendo a sua parte. Ensinando, passando adiante regras tão básicas e, infelizmente, tão deixadas de lado por nós, "adultos".

quinta-feira, 3 de março de 2011

A morte de Lavínia e a impunidade

O assassinato da menina Lavínia é mais do que chocante. Uma morte por si só já é uma tragédia. Quando causada por um motivo torpe se torna ainda mais revoltante. Inclua nesta equação uma criança e a gravidade da situação transforma-se em um pesadelo revoltante. Infelizmente, um pesadelo real.

Não só para a família da criança, mas para todos nós. Só de imaginar algo assim o sentimento que vem é terrível. O que fazer em um caso deste tipo? Quanto vai levar para algum advogado alegar que a assassina tem problemas mentais? E qual a chance da Justiça aceitar a tese? Impunidade, talvez, seja a pior praga do Brasil. Acho incrível o fato de criminosos terem direitos. Como assim? Ok, o cidadão roubar uma galinha é uma coisa. Algo que tem correção. Mas sequestro, assassinato, tráfico de entorpecentes... Me perdoem, não consigo pensar em Direitos Humanos para este tipo de ser "humano".

Há pressa para uma mudança no sistema Judiciário. Crimes como este devem ter punição exemplar. Mas não se pode perder tempo com tantos debates. É algo emergencial.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Repórteres e tragédias

Hoje é o típico dia para o qual todos nós jornalistas fomos formados. Dia de cobrir um evento de grandes proporções, que envolva muita gente, boa parte da população. Infelizmente, é por causa de uma tragédia, de uma série de situações que colocam as pessoas em perigo, desespero.

As chuvas que caem há dias em Santa Catarina - há mais tempo na região Sudeste - trazem morte, doença, tristeza, caos, pânico e tudo de ruim que pode acontecer para um ser humano. Ao jornalista, cabe mostrar a situação, como forma de alerta e de informação. Para as vítimas, para aqueles que são vítimas em potencial e para as autoridades. Aos primeiros, nos cabe mostrar rotas de fuga, riscos de desabamentos, locais de acomodação para desabrigados, formas de contato com polícia, bombeiros, etc. Para o segundo grupo, temos que alertar sobre os riscos de, por exemplo, continuar em uma área condenada ou de encarar uma rodovia onde o trânsito não flui ou existe a possibilidade de deslizamento de barreiras. Para o grupo final, é dever da imprensa colaborar na divulgação de informações oficiais e fiscalizar os atos, a maneira como a situação vai sendo controlada, além de indicar eventuais responsabilidades pelo caos.

Não estou mais repórter - pois todo jornalista é, em sua essência, um repórter, eternamente, mesmo que não pratique esta parte de sua formação. Mas hoje eu gostaria de estar repórter. Imagino a correria nas redações, a adrenalina de quem está indo às ruas apurar os fatos, ajudar as pessoas. Como não posso fazer isso, minha forma de colaborar está no Twitter. Procuro replicar as informações que outros colegas e os órgãos oficiais vêm divulgando na rede social.

Não é muito. Ou melhor, é quase nada. Mas é um modo de colaborar. Não tenho tantos seguidores assim no Twitter, mas se as mensagens que repasso chegarem até eles, a tendência é que estes enviem para frente e assim a roda vai girando.

Um minuto de silêncio para as vítimas fatais de mais esta lição que a natureza nos dá.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Retomada de curso

Quem acompanha a política catarinense sabe que, por umas 48 longas horas, a possibilidade de minha carreira profissional ser levada de volta para a Secretaria de Estado da Educação foi imensa. O susto passou e, Deus queira, o plano original está mantido para 2011: o rumo para trabalhar é Brasília. Morando ou não aqui na capital federal.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mundo pequeno

Semana rica em encontros e reencontros com antigos conhecidos, desde amigos até colegas, passando por rostos brevemente notados durante a maluquice de uma campanha política. Em Brasília desde o último sábado, já encontrei três amigos de faculdade (Lucio Lambranho, Diógenes Botelho e Jefferson Dalmoro), com quem trabalhei nas redações de O Estado e A Notícia, em Florianópolis.

Também conversei pessoalmente com o João Paulo, um colega gente finíssima que eu só tinha contato via Twitter (@didadiabrasilia). Ainda vi pelos corredores do Congresso pessoas que estavam na campanha eleitoral, em um momento ou outro, sei lá em quais cidades. D´alguns não recordo o nome, outros acabaram ficando mais próximos, como a colega Jaque Bassetto. O mundo, de fato, é muito pequeno.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ao vivo, em Brasília

Nesta que é a primeira postagem em Brasília fico pensando no desespero dos colegas repórteres de Florianópolis, todos atrás de novidades - há dias - sobre o colegiado do governo Raimundo Colombo. Lembrei de como é terrível ser repórter de política no final do ano. Mas também não é muito agradável para repórteres de esporte, por exemplo. Há um vácuo de pautas, as fontes somem, entram em férias, as grandes matérias praticamente inexistem.

Disso eu não tenho a menor saudade. Nestas horas acho excelente ser assessor de comunicação. Desejo sorte aos colegas, gostaria de poder ajudar mais, porém não disponho de informações que eles querem: nomes confirmados no primeiro, segundo ou em qualquer escalão do governo. Alguns até já desistiram de me procurar.

Também penso que não defini minha situação profissional para 2011. Ainda náo sei se virei morar em Brasília ou se me tornarei freguês das companhias aéreas fazendo idas e vindas semanais para Santa Catarina. Isso, ao menos, certamente garantiria uma milhagem fabulosa.

Sobre o Rio de Janeiro.. não há o que falar. Só ficam as dúvidas sobre o real sucesso desta operação toda, sobre como o Estado fará para ocupar decentemente o lugar dos traficantes e oferecer a dignidade que os moradores das favelas cariocas necessitam. E, pensando melhor, se no Rio levaram pouco mais de duas horas, quanto tempo se levaria para tomar o Morro da Cruz, em Florianópolis? Ou lá não existem traficantes?

Digo mais, só há tráfico porque há consumo. Passou da hora de acabar com a hipocrisia da sociedade brasileira. Sim, quem consome, financia o tráfico. Provem o contrário e mudo meu discurso.

Futebol? Deu tudo certo para os times de Florianópolis, no final das contas. Ótimo para a cidade, que terá dois clubes na Série A, representando mais dinheiro arrecadado com torcidas visitantes, mais exposição na mídia nacional, etc e tal. Só espero que a rivalidade entre Avaí e Figueirense se mantenha no limite civilizado das piadinhas.

Para finalizar e voltando à minha questão profissional: trabalhar no Congresso é tudo de bom e mais um pouco para quem é jornalista. Desconfio que seja muito mais excelente para quem está repórter. Espero, muito em breve, me provar que é assim também para quem está assessor de comunicação.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Florianópolis sem segurança

Ainda não sei o que me assusta mais:

- o secretário de Estado da Segurança confirmar que há nos presídios de Santa Catarina uma facção criminosa nos moldes do PCC paulista, o PGC (Primeiro Grupo Catarinense)

ou

- ele reconhecer que o tema era conhecido mas, até pouco tempo, simplesmente foi tratado como, palavras dele, se não existisse.

A matéria de hoje do Diário Catarinense, manchete de capa, mostra isso tudo e um pouco mais. A reportagem é um reflexo da onda de assaltos que tomou conta da capital de todos os catarinenses nas últimas semanas. O texto do colega Rafael Martini pode ser lido aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A fila no Cartório Eleitoral de Florianópolis desce a rua Esteves Júnior até a esquina com a rua São Francisco e por esta sobre até a metade da íngreme subida. Preferia acreditar que é o amplo interesse da população em regularizar sua situação com a Justiça Eleitoral para participar das próximas eleições.

Este seria o mundo ideal. Mas, na verdade, hoje é o penúltimo dia para quem ainda não fez ou transferiu o título de eleitor. Brasileiro, como diz o ditado, deixa tudo para a última hora. Desconfio que, de fato, tamanho interesse é apenas garantir a possibilidade de participar de um dos vários concursos públicos existentes, pois o título é documento obrigatóriio para quem deseja participar destas seleções.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quer dançar, quer dançar, o Tigrão vai te ensinar

Pensei em incluir este post na sessão "Realidade ou ficção" que os leitores mais antigos talvez recordem. Mas pensei melhor e isso seria um erro, pois o trecho a seguir é a mais pura realidade.

Depois de um longo e estafante dia, que iniciou às 6h50 e só acabou às 19h50, e de uma espera de mais de 20 minutos por um ônibus que me trouxesse do Centro ao bairro Pantanal, vi uma daquelas coisas raras. O ônibus não estava muito cheio e, assim que entrou em funcionamento, um dos passageiros levantou-se e foi ao setor de ligação entre as duas partes do veículo (sim, aquele já popular latão duplo que faz a linha "UFSC Semidireto").

Com fones de ouvido, o cidadão - na faixa dos 20 e tantos anos de idade - começou a cantarolar, aparentemente acompanhando alguma música que saía dos seus fones de ouvido, e a dançar. Freneticamente, para espanto e graça dos demais usuários do quase sempre monótono sistema de transporte da capital de todos os catarinenses. Sem olhar para trás, como se fosse o único ser vivo naquele carro, o rapaz dançou incansavelmente. Não como Jennifer Beals fez em "Flashdance". Parecia mais Carla Perez na fase É o Tchan. Enquanto a turma se esbaldava a rir, ou melhor, a gargalhar, o distinto foi até o chão, como se a boquinha da garrafa estivesse colada no piso do ônibus. Haja joelhos!

Foi assim até descer, na Beira-Mar Norte, logo depois do Shopping Center. Garantiu a alegria da noite de muita gente, pessoas que estavam mal-humoradas com o mau tempo e o trânsito caótico de Florianópolis. Engraçado como os transportes públicos são costumeiramente palco para cenas assim, digamos, diferentes. Ok, algumas são bizarras. Lembro de mais uma ou duas acontecidas aqui mesmo. E mais algumas no metrô de São Paulo. Acho até que já as comentei neste blog. Prometo, assim que tiver tempo, reler antigos posts e, se forem casos inéditos, prometo disponibilizá-los.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A vida muda e o repórter sonha

Quando comecei a prestar serviços para o então secretário de Estado da Educação Paulo Bauer, logo após as últimas eleições, sabia que ele era um político e candidato. A tendência era buscar a reeleição como deputado federal. Quase dois anos depois, ele agora é pré-indicado para disputar vaga no Senado. O plano B? pode disputar o governo do Estado, caso Leonel Pavan não encare a parada.

Mesmo depois de 37 anos de vida, ainda me surpreendo com as mudanças "no roteiro". Incrivel como o ser humano faz uma programação - quer seja pessoal ou profissional - e a vida altera tudo, de uma hora para outra, sem sequer telefonar, mandar um e-mail ou deixar um recado no blog para te dizer "olha, não vai ser do jeito que você imaginou, viu?".

Falando em mudanças, foi doidêra a primeira semana na Câmara dos Deputados. Não deu tempo nem para encontrar velhos parceiros que habitam a Capital federal. Só consegui falar com Jefferson Dalmoro e Lúcio Lambranho pelo telefone, mas nada de encontrá-los ou tomar uma gelada. O Diógenes Botelho, pior ainda, descobri que ele trabalha no mesmo prédio onde fica o gabinete onde vou trabalhar e sequer cheguei a conversar com o colega.

Nos dois primeiros dias fiquei meio deslumbrado com tanta gente, tanta notícia, com tanta informação ao mesmo tempo. Foi empolgante ver as comissões e o plenário funcionando, os colegas em cima do lance, cobrindo o dia-a-dia do parlamento. Deu uma saudade gigante de ser repórter. Mas quis o destino que eu fosse para lá trabalhando "no outro lado do balcão". Agora entendo o que comparsa Evandro Spinelli falava sobre Brasília. É adrenalina pura, é jornalismo de verdade, acontecendo o tempo todo, todo o tempo. É sonho de repórter se tornando realidade.

domingo, 18 de abril de 2010

Cai a ficha da violência constante

Começa a cair a ficha agora, domingo à tarde, sobre um episódio de ontem pela manhã. Ouvi as vizinhas da casa ao lado gritando "ele tá ali, mais para a direita", "subiu", "mais prá lá" e como as frases passaram a ser repetidas, abri a janela para ver o que acontecia. Eram policiais perseguindo alguém.

Um dos dois rapazes que assaltaram a tradicional Padaria do Tio, aqui no bairro Pantanal, no prédio ao lado de onde moro. Os proprietários, por sinal, são meus vizinhos de porta. Sorte que os ladrões levaram quase nada financeiramente e não machuram fisicamente nenhuma das pessoas que estavam no estabelecimento. Por sorte, um carro da Polícia Militar estava sendo abastecido em um posto de combustível daqui de perto na hora em que os vizinhos chamaram socorro.

Tudo acabou sendo um grande susto. Mas é muito mais assustadora a presença constante da violência ao redor da gente. Ainda mais em uma cidade tipo Florianópolis, que uma década atrás não era violenta. O número de assaltos e assassinatos eram praticamente irrisórios se comparado ao das grandes capitais brasileiras. Impressiona ainda mais o fato de que os dois assaltantes eram foragidos do centro de "recuperação" de menores infratores aqui da Grande Florianópolis. Pelo que me disseram, ao menos um deles já teria dois homicídios no currículo. E tudo, obviamente, em função das drogas. O velho chavão do adolescente que se torna usuário e depois passa a cometer pequenos - mais tarde, maiores - delitos para bancar o vício ou pagar a conta com os traficantes. E nós, que não temos nada a ver com tal situação (quero dizer, com a manutenção do comércio de entorpecente), acabamos nos tornando vítimas deste mundinho assustador.

Cada vez mais penso que morar em Florianópolis não é bom. Não tão bom quanto já foi.

terça-feira, 9 de março de 2010

Coisas do Bonassoli

Licencinha para falar da minha vida privada:

- 7,5 é a nota que o site do Detran de Santa Catarina mostra desde ontem à tarde para minha prova escrita de primeira habilitação. Sim, eu disse PRIMEIRA! Por que? Não gostou? Problema é meu se, aos 37 anos, eu não sei dirigir!

O desabafo é porque basta o cidadão masculino maior de idade afirmar que não sabe dirigir para ser olhado como se fosse leproso. Ou coisa pior.

- aproveitei o ítem acima para tentar corrigir outra limitação: a maldita regra dos porquês! :)

- Surpresa negativa de hoje pela manhã ao receber uma fatura de um cartão de crédito do qual não sou mais - graças à Deus - cliente/dependente: R$ 35 ainda a pagar, apesar de eu já ter pago toda a dívida.

- Surpresa positiva de hoje pela manhã: na verdade, é a empresa do tal cartão que me deve R$ 11!! Ok, não é muito, mas melhor ganhar R$ 11 do que pagar R$ 35.

- Se nada mudar - e nesta vida de assessor de imprensa do secretário de Estado da Educação a agenda muda infinitamente - na próxima quinta-feira voltarei à minha terra natal. Há quase 3 anos não vou a Curitibanos. Uma vergonha, praticamente um crime, para um curitibanense que vive de orgulho e paixão pela gloriosa cidade. Ok, passei por lá ano passado, mas foi, literalmente, uma passagem, não vi nenhum dos meus familiares ou amigos de uma saudosa infância, onde as manhãs frias de inverno eram lotadas de conhecimento na então Escola Básica Arcipreste Paiva, o popular Colégio Santa Terezinha, e as tardes - ainda bem - aparentemente infindáveis eram só alegria e brincadeira com velhos comparsas que não revejo há muito mais tempo do que deveria.

- Uma pena que a viagem também seja bate-e-volta: o secretário Paulo Bauer vai à Câmara de Vereadores falar para a comunidade sobre a escola profissionalizante de nível médio que o Estado vai construir em Curitibanos. Mas não posso negar que há toda uma expectativa por, pela primeira vez, desde que migrei de lá para Florianópolis, em dezembro de 1982, trabalhar no lugar onde nasci. É um mixto de orgulho, realização e saudade de pessoas que não podem estar presentes fisicamente para me ver e compartilhar, mais uma vez, uma só, o conhecimento e a orientação que ajudaram a formar meu caráter.

- Emoção às 10h50 não estava no programa do dia.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Molha tudo, prefeito

Depois do "sumiço" de parte da árvore de Natal com a qual o prefeito Dário Berger - ainda pré-candidato à governador - tentou alegrar as festas de final de ano na capital catarinense, agora a meta é mostrar algo a mais.

Para o Carnaval de 2010, a idéia brilhante é o Concurso da Garota Molhada. Sim, é sério. Certas coisas, só Florianópolis faz por você.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vida de roubadas

Li hoje com muita satisfação que o colega Maurício Oliveira, se não o melhor, um dos 3 melhores da minha geração, está na reta final do seu novo livro. Conforme o post que pode ser lido aqui, trata-se de um apanhado sobre aventuras e desventuras de jornalistas que vivem de freelas (os freelancers, para quem desconhece o jargão).

Isso me fez lembrar uma fase de desemprego em São Paulo. Fiquei todo contente quando surgiu a chance de freelar para um jornal que cobria o setor jurídico. Bom, coisa séria, pensei. Pagavam uma mixaria por matérias e o repórter ainda precisava fotografar. Mas para quem estava na roubada, qualquer coisa era muito bom, e ainda depositavam as despesas com as viagens pelo interior paulista (ônibus ou trem) com antecedência.

Na primeira conversa, a editora após passar todas as recomendações, citou que a máquina fotográfica era uso exclusivo para o serviço. Na primeira reportagem, quando fui fotografar o juiz entrevistado em um Fórum de uma das cidades paulistas mais distantes de São Paulo, eis que a máquina estava repleta de fotos pessoais da tal editora. Algumas em poses digamos... instigantes. A parte da roubada desta trama toda? Agora não posso mais contar. Só ficará disponível quando o livro do Maurício for publicado.

domingo, 29 de novembro de 2009

Tortura nunca mais

"A tortura é ainda menos tolerável num Estado desenvolvido como SC". A frase é do ministro Paulo Vannuchi (Secretaria Especial dos Direitos Humanos) para a colega Adriana Baldissareli. A entrevista está na coluna "Pelo Estado", que a jornalista publica via Associação dos Jornais do Interior (Adjori) em vários periódicos catarinenses.

O contexto da frase, claro, tem a ver com as recentes denúncias de torturas por parte de policiais contra presos. O fato ganhou repercussão nacional, conforme disse o ministro à repórter. "Presido um comitê nacional de combate à tortura, instituído pelo presidente Lula em 2006, que imediatamente fez aquilo que pode fazer, que é oficiar as autoridades do Estado. Há uma delicadeza neste processo devido ao quadro político brasileiro. Sempre agimos com cautela quando visitamos SC para que não haja nenhuma interpretação de que nossa palavra é uma palavra com conteúdo de disputa política entre situação e oposição na escala federal. Falamos em nome dos DH onde a arma nunca é a ameaça, o tridente. É o diálogo, é lembrar que todos nós, autoridades públicas, somos igualmente responsáveis perante a lei. Então, chamo a atenção do governo estadual com respeito, com cautela, mas com persistência e firmeza. Esse tipo de situação não pode mais acontecer e vamos monitorar para saber se houve punição. Imaginava que imagens terríveis de um preso tendo sua cabeça enfiada num vaso sanitário já não acontecessem mais no Brasil, e, num Estado como SC, que tem os melhores índices de desenvolvimento humano, econômico e social, são menos toleráveis ainda", relatou Vannuchi.

Não adianta ser um Estado desenvolvido. É preciso muito mais para que este tipo de episódio mais do que lamentável volte a acontecer. Investimentos cada vez maiores e ainda mais sérios em cultura, educação básica e superior, melhores salários, saneamento, condições para ampliação do número de empregos. São só algumas alternativas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Saudade e medo

Passei ontem pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina, onde fui acompanhar meu assessorado, o secretário de Estado da Educação, Paulo Bauer, em uma entrevista para a TVAL. Para minha surpresa, encontrei a Sala de Imprensa - território da amada e idolatrada Jamile, a mãe de todos os jornalistas que cobrem a Assembléia - tomada.

Tinha coleguinhas que eu não via há meses. Todos esperando a coletiva da ministra da Casa Civil e candidatíssima à sucessão do presidente Lula, Dilma Roussef. Revi também vários políticos, povo que eu costumeiramente entrevistava durante minha vida de repórter. Confesso que, apesar de minha nova fase profissional ser muito agradável, como um novo aprendizado constante e com desafios para lá de instigantes, bateu a saudade. Não adianta, estou naquele grupo de profissionais da comunicação que fazem JORNALISMO pois querem fazer REPORTAGEM, desejam contar os fatos. Bons ou ruins.

Isto não é um lamento nem um arrependimento. A vida em uma assessoria de imprensa, ao contrário do que acreditam muitos coleguinhas, é tão boa em termos de desafio profissional quanto o dia-a-dia de uma redação. Mas, o tempo passa, e ser repórter - principalmente em Santa Catarina - é, infelizmente, uma etapa. Não dá para continuar por muito tempo sendo explorado e mal pago. Nem mesmo as benesses e o prazer que uma matéria sua publicada no dia seguinte conseguem suplantar isso.

Obviamente, não pude acompanhar a coletiva da candidata nem conversar com todos os colegas. Li os relatos nos jornais de hoje. Mas, se estivesse lá, iria perguntar à ela sobre a BR-101 Sul. Depois da passagem pela Assembléia, rumamos para Içara. Viajar por aquela rodovia, sra. candidata, é um desafio, um terror. Quanto tempo o governo federal levará para concluir aquela obra? Pouco ou quase nada se fala do PAC, pouco ou quase nada se fala sobre a BR-101 Sul, mas duvido que, se a candidata Dilma topasse ir de Florianópolis a Porto Alegre por aquele trecho, não tivesse alguma idéia de solucionar a questão. O clima é de terror e medo constante, com o excesso de veículos e os poucos trechos duplicados em contraste com as antigas vias, esburacadas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Floripa sem O Globo

Florianópolis não é mais a mesma. Definitivamente. Descobri hoje que nenhuma banca da cidade recebe o jornal "O Globo". O Rio de Janeiro sempre foi o espelho, em décadas passadas, da capital catarinense. Ao menos é o que dizem experientes colegas, cronistas, blogueiros e outros menos cotados.

Tanto é que, garantem, a maior torcida por aqui é de um determinado clube carioca. Só não sei se a inexistência de "O Globo" nas nossas bancas é culpa da mudança de identidade florianopolitana ou da crise que o jornalismo impresso vive nos últimos anos. Seria um corte de despesas do jornal do Rio de Janeiro?

sábado, 24 de outubro de 2009

Estratégia correta?

Assustador e revoltante são adjetivos mínimos para avaliar as denúncias de pedofilia que atingiram Santa Catarina e Florianópolis nos últimos dias. Acho extremamente válido o trabalho da Polícia Civil e da imprensa em denunciar tais atos abomináveis que seres repugnates vêm fazendo com o uso da Internet.

Mas me surpreendeu o fato da Polícia ter revelado como vai funcionar a operação de captura dos suspeitos. Pois é, "funcionará". Matéria do Diário Catarinense dá praticamente o cronograma de ações. Isso não vai alertar os tais pedófilos? Não era melhor noticiar a prisão destas pessoas? Fico na dúvida se a estratégia é a mais adequada.