domingo, 2 de maio de 2010

Serra aprimorado?

Jornalistas e goleiros têm algo em comum. Não basta cumprir com suas funções a contento de patrões (clubes de futebol e torcidas, jornais ou assessorados). É preciso ter um pouco de sorte. Não sou goleiro, apesar de sempre ter sempre "preferido" jogar em tal posição, já que no início da fase onde se decide quem sabe jogar futebol e quem não sabe - ali pelos 10 ou 11 anos de idade - tive a certeza de que sou um perna de pau incorrigível. Em minha carreira de jornalista, acabei fazendo um golzinho aqui, outro acolá. Nada que me garantisse uma vaga em alguma seleção nacional ou contrato no exterior.

Ontem, o fator sorte me ajudou. Acompanhando meu assessorado durante a passagem por Santa Catarina de José Serra, ex-governador de São Paulo, tive a oportunidade de ser um dos três ou quatro jornalistas que testemunhou a entrevista que o pré-candidato do PSDB à presidência concedeu ao colega Paulo Alceu, veterano repórter e colunista político da imprensa nacional. Em um estúdo improvisado no Aeroporto Internacional de Navegantes, Serra falou por quase uma hora, para o programa "Conexão News", que será exibido em Santa Catarina na próxima terça-feira pela Record News.

Fotos: Alessandro Bonassoli

Estilo: Jornalista Paulo Alceu mistura humor discreto e questões afiadas

Notei um aprimoramento na postura do candidato. Ao contrário das campanhas de 2002 e 2004, que acompanhei de perto pois morava na capital paulista, Serra está menos arisco, mais simpático. Seu esforço para não parecer tão carrancudo como era no passado, é quase imperceptível, é praticamente natural. Creio que algum marqueteiro fez por merecer os vencimentos. Exatamente como aconteceu com o atual presidente, Luis Inácio Lula da Silva, na última eleição.


Efeito-defeito: Na falta de qualidade do retratista, brincadeirinha com o ar mais sociável do pré-candidato tucano

Paulo Alceu conduziu a entrevista com seu estilo habitual. Um bom humor discreto junto com perguntas afiadas, na veia. Serra recuou apenas quando indagado sobre a postura de seus adversários ou de críticas que recebeu de Ciro Gomes. Preferiu não comentar, demonstrando cavalheirismo. "Não é meu estilo [entrar na política de troca de acusações]", defendeu-se.

Fez juras de amor a Santa Catarina, onde deu alguns dos primeiros passos na vida pública, quando fazia política estudantil. "Convoquei a Assembléia da UNE [União Nacional dos Estudantes] em janeiro de 1969, na Assembléia Legislativa, em Florianópolis", afirmou.


Passado: Serra atesta amor por SC ao lembrar de início da vida pública

Sobre a proposta de criar o ministério da Segurança Pública, Serra explicou que há a necessidade "de jogar o governo federal" na questão. Sobre as críticas do PT que o acusa de inchaço da máquina pública caso isso aconteça, foi enfático: "não vamos botar gordura no governo, mas músculos". Sobre as comparações que possam surgir durante a campanha entre as duas últimas adminitrações, com o seu partido comandando o País por oito anos e com o PT nos últimos oito, o ex-governador paulista deu a entender que tal tópico é desnecessário. "Fernando Henrique e Lula não são candidatos", argumentou, deixando a entender que ele e Dilma Roussef são os nomes a ser comparados pela mídia e pelos eleitores. "Ninguém terceiriza o governo" e "governo não é uma gincana" foram outras frases ditas sobre o tópico.


Campanha: Ex-governador evita trocar farpas com adversários mas afirma que FHC e Lula não são os candidatos

Para Santa Catarina, Paulo Alceu tentou extrair a opinião de Serra sobre a questão local. Quem assistir ao programa verá que o jornalista procurou identificar a opinião do pré-candidato em relação às possíveis variações no cenário eleitoral catarinense. Serra não mediu palavras e afirmou o que já havia dito aos interlocutores de PSDB, PMDB e DEM: prefere um palanque único. "Espera-se a melhor unidade possível. Gostaria que se pudesse manter a Tríplice Aliança", falou. Mas garantiu, para alívio dos seus correligionários, que não virá aqui ditar regras. "Eu sou de fora. Mas é claro para mim que, quem for sozinho, não irá bem", sentenciou.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quer dançar, quer dançar, o Tigrão vai te ensinar

Pensei em incluir este post na sessão "Realidade ou ficção" que os leitores mais antigos talvez recordem. Mas pensei melhor e isso seria um erro, pois o trecho a seguir é a mais pura realidade.

Depois de um longo e estafante dia, que iniciou às 6h50 e só acabou às 19h50, e de uma espera de mais de 20 minutos por um ônibus que me trouxesse do Centro ao bairro Pantanal, vi uma daquelas coisas raras. O ônibus não estava muito cheio e, assim que entrou em funcionamento, um dos passageiros levantou-se e foi ao setor de ligação entre as duas partes do veículo (sim, aquele já popular latão duplo que faz a linha "UFSC Semidireto").

Com fones de ouvido, o cidadão - na faixa dos 20 e tantos anos de idade - começou a cantarolar, aparentemente acompanhando alguma música que saía dos seus fones de ouvido, e a dançar. Freneticamente, para espanto e graça dos demais usuários do quase sempre monótono sistema de transporte da capital de todos os catarinenses. Sem olhar para trás, como se fosse o único ser vivo naquele carro, o rapaz dançou incansavelmente. Não como Jennifer Beals fez em "Flashdance". Parecia mais Carla Perez na fase É o Tchan. Enquanto a turma se esbaldava a rir, ou melhor, a gargalhar, o distinto foi até o chão, como se a boquinha da garrafa estivesse colada no piso do ônibus. Haja joelhos!

Foi assim até descer, na Beira-Mar Norte, logo depois do Shopping Center. Garantiu a alegria da noite de muita gente, pessoas que estavam mal-humoradas com o mau tempo e o trânsito caótico de Florianópolis. Engraçado como os transportes públicos são costumeiramente palco para cenas assim, digamos, diferentes. Ok, algumas são bizarras. Lembro de mais uma ou duas acontecidas aqui mesmo. E mais algumas no metrô de São Paulo. Acho até que já as comentei neste blog. Prometo, assim que tiver tempo, reler antigos posts e, se forem casos inéditos, prometo disponibilizá-los.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A vida muda e o repórter sonha

Quando comecei a prestar serviços para o então secretário de Estado da Educação Paulo Bauer, logo após as últimas eleições, sabia que ele era um político e candidato. A tendência era buscar a reeleição como deputado federal. Quase dois anos depois, ele agora é pré-indicado para disputar vaga no Senado. O plano B? pode disputar o governo do Estado, caso Leonel Pavan não encare a parada.

Mesmo depois de 37 anos de vida, ainda me surpreendo com as mudanças "no roteiro". Incrivel como o ser humano faz uma programação - quer seja pessoal ou profissional - e a vida altera tudo, de uma hora para outra, sem sequer telefonar, mandar um e-mail ou deixar um recado no blog para te dizer "olha, não vai ser do jeito que você imaginou, viu?".

Falando em mudanças, foi doidêra a primeira semana na Câmara dos Deputados. Não deu tempo nem para encontrar velhos parceiros que habitam a Capital federal. Só consegui falar com Jefferson Dalmoro e Lúcio Lambranho pelo telefone, mas nada de encontrá-los ou tomar uma gelada. O Diógenes Botelho, pior ainda, descobri que ele trabalha no mesmo prédio onde fica o gabinete onde vou trabalhar e sequer cheguei a conversar com o colega.

Nos dois primeiros dias fiquei meio deslumbrado com tanta gente, tanta notícia, com tanta informação ao mesmo tempo. Foi empolgante ver as comissões e o plenário funcionando, os colegas em cima do lance, cobrindo o dia-a-dia do parlamento. Deu uma saudade gigante de ser repórter. Mas quis o destino que eu fosse para lá trabalhando "no outro lado do balcão". Agora entendo o que comparsa Evandro Spinelli falava sobre Brasília. É adrenalina pura, é jornalismo de verdade, acontecendo o tempo todo, todo o tempo. É sonho de repórter se tornando realidade.

domingo, 18 de abril de 2010

Cai a ficha da violência constante

Começa a cair a ficha agora, domingo à tarde, sobre um episódio de ontem pela manhã. Ouvi as vizinhas da casa ao lado gritando "ele tá ali, mais para a direita", "subiu", "mais prá lá" e como as frases passaram a ser repetidas, abri a janela para ver o que acontecia. Eram policiais perseguindo alguém.

Um dos dois rapazes que assaltaram a tradicional Padaria do Tio, aqui no bairro Pantanal, no prédio ao lado de onde moro. Os proprietários, por sinal, são meus vizinhos de porta. Sorte que os ladrões levaram quase nada financeiramente e não machuram fisicamente nenhuma das pessoas que estavam no estabelecimento. Por sorte, um carro da Polícia Militar estava sendo abastecido em um posto de combustível daqui de perto na hora em que os vizinhos chamaram socorro.

Tudo acabou sendo um grande susto. Mas é muito mais assustadora a presença constante da violência ao redor da gente. Ainda mais em uma cidade tipo Florianópolis, que uma década atrás não era violenta. O número de assaltos e assassinatos eram praticamente irrisórios se comparado ao das grandes capitais brasileiras. Impressiona ainda mais o fato de que os dois assaltantes eram foragidos do centro de "recuperação" de menores infratores aqui da Grande Florianópolis. Pelo que me disseram, ao menos um deles já teria dois homicídios no currículo. E tudo, obviamente, em função das drogas. O velho chavão do adolescente que se torna usuário e depois passa a cometer pequenos - mais tarde, maiores - delitos para bancar o vício ou pagar a conta com os traficantes. E nós, que não temos nada a ver com tal situação (quero dizer, com a manutenção do comércio de entorpecente), acabamos nos tornando vítimas deste mundinho assustador.

Cada vez mais penso que morar em Florianópolis não é bom. Não tão bom quanto já foi.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Jornalistas e o seu dia

E hoje é "dia do jornalista". Tenho cá minhas dúvidas sobre a utilidade de tal efeméride. O twitter tá bombando com mensagens sobre a data. Maior parte dos comentários, claro, é feita por coleguinhas de profissão. Algumas interessantes, outras bem humoradas.

Na TV Câmara, a sessão de hoje no legislativo federal também já registrou muitas menções ao tal dia. Honestamente, 99% delas são meras mensagens de caráter eleitoreiro. Deputados tentando atrair a atenção de nós jornalistas, supostos formadores de opinião. Caros parlamentares, jornalista não vota por causa de tapinhas nas costas ou mensagens de solidariedade.

Certo, derrubaram a obrigatoriedade do diploma, mas só dizer que não são favoráveis à isso é insuficiente. É preciso muito mais para ganhar nossa admiração. Criar, votar e fiscalizar projetos de Lei decentes, que beneficiem não só nossa (desunida) categoria, mas também a toda a população é um bom começo, uma boa maneira de ter nossa atenção.

Cada vez mais misterioso

Estou acompanhando a derradeira temporada de "Lost". Está cada vez mais perto o final, mas ainda não empolgou. Sempre fui contra que todos os mistérios fossem explicados, mas os autores estão explicando pouco ou quase nada e criando ainda mais dúvidas.

Refletindo sobre isso, lembrei de um velho post, que pode ser relido aqui. Mantenho as mesmas expectativas daquela época.

Erro básico

Esta confusão das gratificações para o funcionalismo público tem tudo para custar caro para vários políticos catarinenses. Nem quero saber quem é o culpado, mas errou feio. E na quase véspera das eleições.

Nada mais primário do que irritar funcionalismo público em ano eleitoral. O brasileiro esquece até perdoa erro de político, afinal é um povo semi letrado. Mas mexer no bolso do vivente, ah, isso não tem perdão.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Saidêra

Apesar de já ser 1º de abril, este post não é uma mentira. Aviso aos colegas repórteres, editores, colunistas e pauteiros que NÃO sou mais assessor de imprensa da Secretaria de Estado da Educação. Com a desincompatibilização do deputado federal Paulo Bauer, que deixou o cargo oficialmente ontem para reassumir seu mandato em Brasília, eu também abro a vaga e passo a cuidar da assessoria de comunicação dele.

Nos próximos três meses, vou dividir o tempo entre Florianópolis e Brasília. Depois, quando o meu cliente definir sua candidatura (reeleição? senado? governo?) passarei alguns meses pelo interior do Estado, em campanha total, ritmo de 23 horas, seis dias por semana. Nada que vá assustar um ex-repórter da Folha de S.Paulo e ex-editor da rede Bom Dia.

Até o momento, não há uma definição sobre quem me substituirá na coordenação de comunicação da Secretaria. Mas a gloriosa ASCOM conta com duas experientes jornalistas de carreira (Suely Aguiar e Beatriz Menezes) e dois competentes estagiários (Carmelo Cañas e Jéssica Butzge) para atender às demandas da imprensa e divulgar as várias pautas muito boas sobre a educação catarinense. O telefone celular (48) 8843-4962 não estará mais comigo, mas continuará servindo para a assessoria da Secretaria, cujo número fixo é (48) 3221-6161. Assim que tiver definido meus novos contatos, divulgo aqui no blog.

Aproveito para agradecer o apoio e a cobertura que os vários colegas de rádios, televisões, jornais e websites garantiram durante minha passagem pela Secretaria. Peço desculpas por qualquer coisa e conto com vocês agora em minha nova empreitada profissional. Apelo para que todos lembrem que a Educação rende inúmeras pautas positivas e o setor, em Santa Catarina, é um manancial vasto de boas histórias, de muitos acertos, de projetos inéditos no País. Basta querer sair da insensata cotidiana busca por más notícias.

Reclamando na madrugada.

1) Não tô nem aí para o Big Brother Brasil. Ainda bem que acabou. Lavagem cerebral coletiva é dose para elefante. Taí algo que deveria ser crime, inconstitucional, proibido até embaixo d´água. E ainda reclamam que o País não vai prá frente. E o que me deixou de cara foi a quantidade de pessoas esclarecidas que passaram a se preocupar dioturnamente com os destinos daquele povo "confinado". Ah, se a TV Cultura tivesse a mesma audiência!!!

2) UFa! Terminou o drama do Caso Isabella. Justiça foi feita. Agora, colegas pauteiros, façam-nos o favor de esquecer o assunto. O que era aquela cobertura intensiva e abusiva da Globo?

3) Árbitro de futebol que prorroga jogo até os 49 minutos do segundo tempo merece cadeia.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Carro é o que não falta

Das duas uma: ou a auto escola é muito boa ou o trânsito de Florianópolis vai ficar ainda pior. Fui agendar minhas aulas práticas e só consegui vaga para daqui um mês!!

Não é a toa que, dizem, Florianópolis já tem, proporcionalmente, mais carros do que a cidade de São Paulo. Engraçado é que ainda se vê muito carro velho trafegando pelas ruas da capital catarinense. Sei lá, acho que deveriam criar uma lei obrigando quem troca de veículo colocar o antigo para demolição/destruição. Talvez não ficasse tão pior quanto já é o trânsito deste município.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Radioator

Eu já fui ator. Ou melhor, "radioator".

Sim, paralelamente ao primeiro emprego como jornalista, tentei carreira no ramo artístico. Brincadeirinha! Dica via tweeter do amigo Alexandre Gonçalves (@agenteinforma) me fez relembrar de um passado completamente esquecido: as aulas de rádioteatro do Curso de Jornalismo da UFSC.

Eram decorridos 1996 anos do século passado quando no famoso "tronco específico" do currículo novo, agora velho, do citado curso, voltou a existir a disciplina de "Rádioteatro". Cinco aulas por semana, sempre à noite, eram a alegria da galera. Os raros momentos onde era possível colocar a imaginação para funcionar e criar histórias e estórias hilárias na maior parte dos casos. Muitos talentos ali surgiram, outros ali despontaram para o anonimato. O que importava - e continua importando - era o bom humor, horas de descontração total para esquecermos das matérias para as aulas do Nilson Lage ou do Scotto e dos textos das teorias da Comunicação e do Jornalismo (Sérgio Weigert, Barbara Freitag, Agnes Heller e as maledetas esferas da percepção da insuportável Escola de Frankfurt!!).

Pensando melhor, graças à esta maravilha da invenção humana, a Internet, anonimato nada! No site Rádio Ponto UFSC está parte do acervo criado por várias turmas de então futuros jornalistas.

Além do próprio Alexandre Gonçalves e este que vos fala, a lista inclui roteiristas, locutores, atores, diretores, maquiadores, cabeleireiros e outros bichos tipo Giancarlo Proença (@gianproenca), Diógenes Fischer (@diogenesfischer), Jefferson Dalmoro (@jeffdalmoro), Anita Dutra (@anitadutra), Lauro Maeda, Mutley (@fabiobianchini), Andréa Beron, Eduardo Buckhardt, Bob Barbosa, Flávia Danova, Mariana Ortiga, Maurício Frighettto (@frigas), Karina Manarin (@kmanarin), Alessandra Mathyas (@alessandramathy), entre vários nomes do mesmo calibre. Não posso deixar de mencionar a presença dos para sempre saudosos Pedro Saraiva e a primeira e única Nathan Manfroi.

Vale a pena interromper o tempo e se dedicar à audição de pérolas como Luna Caliente (que continua aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), "Arnaldo, cala a boca!", a adaptação impagável de "Eduardo e Mônica", "Ópera do Malandro" (que continua aqui e aqui) e minha humilde adaptação para o clássico "Noite na Taverna", de Álvares de Azevedo (Paradise Lost, Dream Theather, Basil "Conan, o Bárbaro" Poledouris, Sepultura na trilha sonora!!!). Mas estes são só alguns exemplos, há muitos outros importantíssimos.

Bom divertimento!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pesquisas

O Ibope lançou hoje mais uma pesquisa sobre intenção de votos para a presidência do Brasil. José Serra (PSDB) aparece com 35%, cinco pontos percentuais na frente de Dilma Rousseff (PT). Tucanos comemoram, petistas dizem que é questão de tempo para este cenário se inverter.

Ah, tenham paciência! A eleição será em outubro, muita pesquisa será feita até lá. E, na boa, sete meses antes do pleito, pesquisa não define vencedor nem derrotado. Tudo, simplesmente tudo, pode acontecer até lá. Adianta gastarem dinheiro com isso? não tem notícia acontecendo no mundo não? Na política, a imprensa não tem coisa mais útil para publicar?

Na minha opinião, pesquisa de intenção de voto é igual impedimento no futebol: deveriam deixar de existir. Geram perda de tempo, mudam o foco do que realmente importa e podem complicar uma disputa.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Coisas do Bonassoli II

Ao vivo de Curitibanos...

- Mais do que lamentável o assassinato do cartunista Glauco. Pelo visto, morreu de um modo "bobo" (se é que existe algum modo "não bobo" para se morrer). Tragédia pouca é bobagem. Vai fazer muita falta.

- Na quinta-feira tive mais uma passagem "a jato" por Canoinhas, onde cobri três inagurações de obras da Educação. Uma na cidade, outra em Três Barras e mais uma em Bela Vista do Toldo. Ao menos desta vez pude rever meu afilhado. Nada como a alegria de uma criança para fazer a gente esquecer dos problemas. Me assustou o fato do Yuri já ter quase 4 anos. O tempo passa, infelizmente, muito rápido.

- Falando em tempo, ainda ontem cheguei aqui na minha terra natal. Tecnicamente, eu não vinha para Curitibanos há uns 13 anos. Passei aqui três anos atrás mas não vi nada e mal falei com os familiares. A passagem do ano passando então, nem se conta. É estranho o cara voltar, rever os lugares da infância onde brincou, cresceu, viveu, riu e chorou. Muita coisa está difente apesar do lugar, que já está vivendo um momento irreversível de retomada do crescimento, insistir em parecer a mesma pacata cidade de vinte e tantos anos atrás.

Hoje saí para almoçar e reencontrei um antigo comparsa da infância, Side Provesi, que eu não via desde 1985, talvez 1987. Percebi que, em função de inúmeras razões, simplesmente perdi o contato com a velha turminha da rua. É muito tempo. Perdido. Todo mundo fala isso, mas a gente sempre acaba deixando de lado as partes boas do passado. Se afasta de quem foi ou continua sendo importante. Ao invés de somar amigos, acaba-se subtraindo. Foi estranho ficar olhando para as pessoas que entravam no restaurante na vã tentativa de lembrar se era algum conhecido. Os mais novos, obviamente eu não tenho como conhecer. Entre os mais velhos revi rostos que trouxeram memórias, mas nada de lembrar nomes. Na turma que aparenta ser da minha faixa etária, a sensação foi pior. Tirando o amigo ainda bem resgatado, não achei ninguém.

- Apesar da folga autorizada pelo chefe, estou de plantão hoje. Celular ligado direto, internet e o que for necessário. Já marquei e desmarquei visita, marquei reunião, corrigi texto, orientei colega de outra assessoria sobre como lidar com um deputado da oposição e enviei notas para a imprensa. Falta agora um press release sobre o...

- evento na Câmara dos Vereadores, ontem à noite, que foi excelente. Acabei sendo citado na sessão solente (transmitida ao vivo por uma das rádios da cidade) para alegria e orgulho dos meus pais, que estavam presentes. Meu chefe, de modo gentil e leal, revelou que o Cedup que o Estado vai construir em Curitibanos (R$ 10 milhões e 800 mil de investimento) foi sugestão minha. Provei a ele que a região acabou empobrecendo nas últimas décadas graças à decisões administrativas equivocadas e que o governo estadual precisava estar mais presente em um município que crescia muito entre as décadas de 70 e 80 mas que estagnou e, pior, perdeu espaço na economia ao ter vários distritos se emancipando e levando empresas que rendiam muitos impostos. A migração de pessoas desassistidas de outros locais menores também fez crescer a pobreza e até a violência. Ainda hoje li manchete do bom jornal local - "A Semana" - sobre um casal preso com crack. Não é este tipo de modernidade que Curitibanos necessita.


Histórico: E não é que o chefe (à esq.) me elogiou ao conhecer meus progenitores?

Uma escola de nível médio profissionalizante pode, com total certeza, ser uma excelente ferramenta de desenvolvimento econômico, social e cultural para a cidade e para o Estado. Assim que a licitação for assinada, dentro de 18 meses a unidade precisa ficar pronta. Terá capacidade total para três mil alunos, com 60 professores, nove laboratórios e até oito cursos. Não vou negar, o sentimento de orgulho por poder ajudar minha cidade é imenso. Isso, obviamente, não vai pro press release.

terça-feira, 9 de março de 2010

Coisas do Bonassoli

Licencinha para falar da minha vida privada:

- 7,5 é a nota que o site do Detran de Santa Catarina mostra desde ontem à tarde para minha prova escrita de primeira habilitação. Sim, eu disse PRIMEIRA! Por que? Não gostou? Problema é meu se, aos 37 anos, eu não sei dirigir!

O desabafo é porque basta o cidadão masculino maior de idade afirmar que não sabe dirigir para ser olhado como se fosse leproso. Ou coisa pior.

- aproveitei o ítem acima para tentar corrigir outra limitação: a maldita regra dos porquês! :)

- Surpresa negativa de hoje pela manhã ao receber uma fatura de um cartão de crédito do qual não sou mais - graças à Deus - cliente/dependente: R$ 35 ainda a pagar, apesar de eu já ter pago toda a dívida.

- Surpresa positiva de hoje pela manhã: na verdade, é a empresa do tal cartão que me deve R$ 11!! Ok, não é muito, mas melhor ganhar R$ 11 do que pagar R$ 35.

- Se nada mudar - e nesta vida de assessor de imprensa do secretário de Estado da Educação a agenda muda infinitamente - na próxima quinta-feira voltarei à minha terra natal. Há quase 3 anos não vou a Curitibanos. Uma vergonha, praticamente um crime, para um curitibanense que vive de orgulho e paixão pela gloriosa cidade. Ok, passei por lá ano passado, mas foi, literalmente, uma passagem, não vi nenhum dos meus familiares ou amigos de uma saudosa infância, onde as manhãs frias de inverno eram lotadas de conhecimento na então Escola Básica Arcipreste Paiva, o popular Colégio Santa Terezinha, e as tardes - ainda bem - aparentemente infindáveis eram só alegria e brincadeira com velhos comparsas que não revejo há muito mais tempo do que deveria.

- Uma pena que a viagem também seja bate-e-volta: o secretário Paulo Bauer vai à Câmara de Vereadores falar para a comunidade sobre a escola profissionalizante de nível médio que o Estado vai construir em Curitibanos. Mas não posso negar que há toda uma expectativa por, pela primeira vez, desde que migrei de lá para Florianópolis, em dezembro de 1982, trabalhar no lugar onde nasci. É um mixto de orgulho, realização e saudade de pessoas que não podem estar presentes fisicamente para me ver e compartilhar, mais uma vez, uma só, o conhecimento e a orientação que ajudaram a formar meu caráter.

- Emoção às 10h50 não estava no programa do dia.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Futuro da comunicação

Profissionais da comunicação durante cobertura da inauguração do ginásio de esportes da Escola de Educação Fundamental João Café Filho, no município catarinense de Anchieta. Entre fotógrafos, repórteres e cinegrafistas, uma pequena "jornalista".

Fotos: Alessandro Bonassoli


Espero que, se ela resolver abraçar a profissão quando crescer, o piso salarial seja, pelo menos, equivalente à uns R$ 3 mil atuais.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aniversário com ar de lançamento de candidatura

O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) completou ontem 70 anos de idade. Iniciou o dia ganhando bolo de parabéns pela manhã, na inauguração da rede wireless e de seis quadras cobertas do Instituto Estadual da Educação (IEE), em Florianópolis. Encarou tranquilamente um mínimo protesto de um grupo de 2 ou 3 alunos, fato exageradamente destacado pelo Diário Catarinense.

O ápice da data aconteceria horas depois, à noite, em Joinville. A festa estava programada para 1500 convidados, mas avalio que estavam lá pelo menos 500 pessoas a mais. Vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, secretários de Estado, senadores catarinenses e o governador do Paraná, Roberto Requião, amigo de LHS há décadas, prestigiaram o atual gestor de Santa Catarina. Ex-prefeito de Joinville, a maior cidade do Estado, foi deputado estadual e federal, ministro, presidente do maior partido do País e entrou para a história como o primeiro governador catarinense a conseguir ser reeleito.

Em meio à crise institucional e política surgida com as acusações contra o seu vice, Leonel Pavan (PSDB), Luiz Henrique vê ameaçado o seu sonho de chegar ao Senado. Mas, ontem, a crise ficou de fora do restaurante onde a festa de aniversário aconteceu. LHS foi calorosamente recepcionado e aplaudido. E já não falou como governador de Santa Catarina. Seu discurso foi nitidamente nacional. O palco onde uma banda animava a noite minutos antes, se transformou em um palanque de campanha. Não faltou nem o apoio de outra referência política. Requião não se conteve: "E com pessoas como meu amigo LHS no Senado o Brasil vai caminhar para as verdadeiras e necessárias mudanças", bradou o governante do Estado vizinho para delírio da massa peemedebista.

E Luiz Henrique discursou pedindo um presente para o próximo aniversário. "Quero uma reforma política que revogue a presença do financiamento privado, que alimenta o Caixa 2 nas eleições". Pediu ainda que a mesma reforma "revogue a reeleição e a loucura de uma eleição a cada dois anos". Aparentemente, ninguém lembrou que o próprio LHS é governador reeleito.

Defendeu ainda mais ao citar a necessidade de programas gratuitos de televisão e rádio realmente gratuitos, "acabando com o pré-programa, fazendo com que os candidatos apareçam com a sua cra, sem maquiagem" para os eleitores. Curiosamente, LHS lançou ao público um argumento que, de certa forma, contradiz o seu apoio ao prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB). "Quero uma reforma política que reforce a fidelidade partidária. Em caso de mudança de siglas, o político fique duas eleições sem se candidatar", disse o candidatíssimo Luiz Henrique. Berger trocou de legendas sistematicamente, conquistando duas eleições consecutivas em São José e outras duas seguidas na vizinha Florianópolis.

Quem esperava um balanço sobre as duas gestões de LHS, ficou a ver navios. O tom do discurso foi claramente voltado às eleições de outubro. Para muitos, salvo revés gravíssimo, ele já seria o dono de uma das duas vagas do Senado reservadas para Santa Catarina. Resta aguardar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O tempo é implacável

Mestre Marcelo Soares detectou os efeitos do tempo em uma das musas da década de 80. Tawny Kittaen, estrela de vários vídeo clipes do Whitesnake, era uma unanimidade entre os adolescentes e jovens da época. Os motivos podem ser vistos no clipe abaixo:



Mas o tempo é cruel e não perdoa nem mesmo as deusas da beleza. Atualmente, a senhora Kittaen está... digamos.. bem diferente.



Para feios ou bonitos, não há dúvida, o destino é um só. Perdoem, não resisti à tentação de encerrar o post com uma frase de boteco.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Lost ou Bud?

Tudo na vida é uma questão de prioridades.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Só entende quem é headbanger

Para minha surpresa e alegria, fui citado pelo mestre Renê Müller no blog Tra-La-lá. O post anterior alertou o meu velho amigo sobre os 40 anos do Black Sabbath.

Mestre Renê muito me deixa feliz com o crédito. De fato, a música é dividida em ABS (antes do Black Sabbath) e DBS (depois do Black Sabbath). Ao contrário do que muitos alardeiam, não foi o Led Zeppelin quem criou o heavy Metal. Como pode uma banda que gravou um reggae - "D´yer Mak´er" - (nada contra o Led e a música) ter criado um estilo como o metal? O jornal britânico Times também lembrou da data.

Mas Iommi, Osbourne, Butler e Ward, sim. Estes são os responsáveis pelo estilo mais pesado, polêmico e longevo do rock. A mídia e os detratores atestam constantemente que o heavy metal morreu, mas ele continua vivo, forte, firme, eterno. Não há moda que o supere. São 40 anos de nascimento, crescimento, êxtase, superação, renascimentos (sim! no plural) e alegria para a sua legião de fãs. Só entende quem é headbanger, quem vive o heavy metal, um estilo maior do que uma religião, do que uma associação, do que o clube de futebol mais famoso e vitorioso do mundo.

Nada se compara ao heavy metal em termos de devoção, dedicação e respeito por parte de seus fãs. "Black Sabbath", o álbum, iniciou tudo. E aquele sino continua soando a cada dia, 40 anos depois. A voz de Ozzy Osbourne continua perguntando "What is this that stands before me?", a guitarra do mestre Tony Iommy ainda ecoa, diariamente, ao redor do planeta. Os tons graves e soturnos do contrabaixo de Terry "Geezer" Butler ainda impressionam, assustam, enlouquecem, como uma história de H.P. Lovecraft, enquanto as batidas de Bill Ward conduzem o mundo rumo ao êxtase.

Long live the black witch!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Black Sabbath

Há exatos 40 anos, Tonny Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward mudaram a história da música. Lançaram "Black Sabbath", o primeiro álbum da banda de mesmo nome. E, com ele, criaram um novo estilo musical, o heavy metal.

Ao contrário do que a mídia sempre prega, o estilo está vivo, novamente no underground, mas cada vez mais forte.

Fica aqui uma singela homenagem aos mestres.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Memória Valhalla

Há tempos que venho pensando em resgatar minha humilde colaboração com a extinta revista Valhalla, depois Rock Hard-Valhalla. Já pensei várias formas e formatos, mas sempre adiei o projeto. Há um longo tempo, conversei com o Eliton Tomasi, criador e editor da revista. Expliquei meu desejo de perpetuar o material que produzi, desta vez na Internet. Parceiro e compreensivo como sempre, Eliton me autorizou a reproduzir neste blog as entrevistas e resenhas que produzi naquele período excelente, onde pude - mais uma vez - unir minha profissão com minha paixão: a música pesada.

Hoje, do nada, veio a vontade de iniciar isso tudo. Ainda não sei se vou postar todo o material, mas um deles eu não poderia deixar ficar esquecido: a entrevista com Vladimir Korg, vocalista e compositor de bandas lendárias da cena heavy metal brasileira como Chakal e The Mist. Há aqui um orgulho pessoal pela oportunidade de conversar com um dos meus ídolos, a exemplo do que aconteceu quando da histórica passagem de Ronnie James Dio em Santa Catarina, ou a entrevista com Josh Christian, guitarrista do Toxik. Como sempre, as versões publicadas na revista foram editadas em função da limitação de espaço. Optei por baixar aqui a versão na íntegra. O texto é de março de 2005.


O lado instigante da lendária cena mineira

Por Alessandro Bonassoli

O Chakal foi uma das bandas mais importantes da frutífera e essencial cena metal de Minas Gerais nos anos 80. A banda está na ativa e lançou recentemente o agressivo "Demon King". O lendário vocalista Korg comenta mais sobre esse trabalho e toda a carreira dessa banda fundamental

Vladimir Korg é um dos principais cérebros do metal nacional. Líder do Chakal - grupo surgido em Belo Horizonte/MG, na criativa década de 1980, foi um dos responsáveis pelo fortalecimento da cena mineira enacional. Mais tarde, participou de dois álbuns clássicos do extinto The Mist, que o consagrou como um dos principais letristas do estilo no País. Depois de alguns anos afastados, Korg e o Chakal voltaram em 2003 com "Deadland". Em 2005, lançam "Demon King", CD do mais alto nível, pesado e agressivo como o thrash metal deve ser. Para falar deste trabalho e de sua carreira, Korg atendeu a Valhalla com exclusividade.


"Demon King" é a resposta para quem não entendeu que "Deadland" (de 2003) era um projeto conceitual? O novo trabalho é pesadíssimo e certamente vai figurar na lista dos melhores deste ano. A impressão é que somente agora o Chakal está voltando à ativa, que "Deadland" foi apenas um "ensaio". Na minha opinião, este é o melhor álbum do Chakal, mais forte até do que o clássico "Abominable Anno Domini".



VK)Não acho que o "Demon King" seja uma resposta para nada. Acho que ele é mais uma pergunta do que uma resposta. Todas nossas questões atuais estão nesse trabalho. A covardia da guerra em pleno século XXI onde agimos com ignorância e preconceito. E não é a nossa intenção apontar um ou outro país como culpado, todos nós temos nossa parcela de culpa em qualquer conflito que exista hoje no mundo. Mas não queremos fazer nada panfletário. Somos músicos e nos expressamos assim. Está é nossa maneira de dizer que estamos sofrendo e indignados. Não conte com a gente para liderar nenhum movimento pró-qualquer-coisa, somos músicos. Quanto ao "Deadland", o Chakal se sente recompensado por termos vendido a prensagem toda e termos conseguido bons resultados. Não foi um trabalho palatável e nos orgulhamos disso. Mas somos honestos o bastante para falarmos que nos orgulhamos dele e fizemos o que tínhamos que fazer. Sabíamos que muitos ficariam boiando, mas tínhamos que prosseguir. Pretendo um dia retomar esse tema e agora com Mark o trabalho terá uma outra cara, e isso só me instiga mais. Acredito que desde o "Abominable" todos os discos são apenas um ensaio. O Chakal é uma banda essencialmente palco. Temos agradecido todos os elogios e estamos muito felizes com a resposta. Até agora só tivemos uma resposta negativa e desdenhosa mas realmente não temos o perfil necessário para sermos reconhecidos pelos críticos daquela revista e realmente hoje temos orgulho de não sermos o que eles querem que nós sejamos. Somos o Chakal e não nos dobramos a ninguém.


Todo este peso e agressividade, este thrash de alta qualidade tem a ver com a nova formação, reunindo três dos integrantes da versão clássica do grupo com o Andre (ex-Vultur) na segunda guitarra? Seria aliar a experiência com a juventude?


VK)Estamos com as garras afiadas. Quem nos encontra fora dos palcos sempre fala que somos tímidos e inofensivos, mas quando adentramos aos palcos ficamos ferozes. Nossa formação agora será considerada no futuro como a clássica. Estamos nos sentindo começando a acertar onde dói. André é peça fundamental na banda. Posso dizer que o Chakal não existe mais sem ele. É como Mark, Wiz e agora o Giuliano que trouxe finalmente uma certeza na cozinha. A máxima de que “ninguém é insubstituível” não está cabendo muito no Chakal.


As letras são outro diferencial, como qualquer trabalho composto por você. Ao contrário da maioria das bandas nacionais, que se preocupam em falar sobre fantasia tipo castelos e dragões ou sobre satanismo, você sempre investiu em letras inteligentes. A crítica social de "Morlock Will Rise", que fala sobre preconceito, e a crítica política, algo latente em "War Drums" e "Mastered Dogs", são exemplos disso. Por sinal, não há como não ler estas duas últimas sem pensar em George W. Bush e na hipocrisia da sociedade norte-americana. Falar sobre estas temáticas é questão de engajamento? de tentar abrir os olhos do seu público para coisas realmente importantes na vida de todos nós ou é meramente uma questão de maior facilidade para tratar sobre isso?


VK)Poucos tem a sua paciência para escarafunchar as letras. Tento sempre deixar algumas coisas para as pessoas descobrirem e viajarem. Fiz isto muito no The Mist. Não posso falar que minhas letras são mais inteligentes do que outras e que nunca falarei de dragões. Adoro letras satânicas e muitas delas acho divertidas. Falo sobre satanismo mas de forma alegórica e isso com certeza não será desculpa para que eu não apodreça no inferno. Se o catolicismo estiver certo e tudo o que eles falam for verdade, eu estarei hierarquicamente confortável no inferno. Brinco com o imaginário coletivo. As coisas que falo estão todos os dias nos jornais. Tropeçamos nelas diariamente. Mas não tento com minhas críticas influenciar ninguém, posso estar errado e não quero esta responsabilidade. Sou um irresponsável... Se quisesse ser o bonzinho não estaria fazendo Heavy Metal, estaria buscando mais visibilidade na mídia e não tocando para um público restrito. Amo o Heavy Metal, apesar de que gosto de muitos outros estilos. Mas o Heavy Metal é algo que não consigo me desvencilhar. Encontro pessoas nas ruas que conheciam o Chakal na década de oitenta e eles sempre perguntam: “Vocês ainda estão nessa?” A maioria deles eram super radicais e hoje nem se quer ouvem Black Sabbath. Desconfio muito dos radicais de plantão, a maioria deles hoje estão em alguma igreja pedindo perdão e dando dinheiro a pastores evangélicos.


Ainda sobre a temática do CD, à primeira vista, a faixa título aparenta ser alguma exaltação ao satanismo. Mas lendo seu texto com mais calma, a impressão que tive foi novamente sobre Bush, Bin Laden e outros tiranetes que volta e meia aparecem com idéias de dominar o mundo através da guerra. Qual a mensagem de "Demon King"? É mesmo uma alegoria sobre as guerras e o terrorismo?


VK)Minhas letras estão abertas. Por favor, entendam-na como quiserem. Mas mexam nela, mudem de lugar as estrofes, brinquem à vontade. Só não me peçam para decifra-las. Aí não tem graça. É como contar o final do filme. Sua percepção é perfeita. Se você reconhece isso nas minhas letras é porque você está indignado também. Se minha letra for suporte para que esta indignação saia, me sinto muito feliz por isso.


Uma novidade neste trabalho foi a inclusão de um cover para "Evil Dead", do seminal "Scream Bloody Gore", do Death. Por quê um cover? Qual motivo levou vocês a optarem por esta faixa em especial? Além de ser uma homenagem ao saudoso Chuck Schuldiner, não há como não ver um link entre a letra da faixa com "Dead Walk" do primeiro álbum do Chakal.


VK)Eu adoro essa música. Eu tinha um show pirata do Death onde esta música era uma parte realmente evil no set list da banda. A música é grandiosa e é tudo que o Heavy Metal é. Adoramos toca-la. Ela é simples, direta e rápida. Tentei ser fiel ao original sem copiar o estilo do Chuck. Fizemos com respeito e temos nojo daqueles que acham que foi “oportuno” a inclusão da música no disco. O "Demon King" se comportaria da mesma forma com a não inclusão do cover. Não precisamos disso. Poderíamos colocar a "Metal Gods" do Judas mas preferimos a do Death. Esperamos que os fãs do Death, como nós, gostem da nossa versão. Quanto a "Dead Walk", ela sempre revive de alguma forma na nossa carreira....


O Chakal surgiu na década de 1980, em um momento único do metal no País, onde a cada mês aparecia uma banda nova e de qualidade. Vocês são de uma geração que impulsionou o estilo no Brasil, ao lado de Sepultura, Mutilator, Overdose e Dorsal Atlântica, entre outros. Mas era uma época em que não havia tanta facilidade para comprar instrumentos, para gravar e para lançar discos como hoje em dia. O que vocês mantém daquele momento para seguir sua carreira atualmente?


VK)Nossa garra para continuar. Temos visto pessoas que foram muito importante para a história do metal underground no País dizer que tem vergonha dos álbuns que compôs, dos show, das maquiagens e etc... Isto me deixa nervoso porque se eles estão falando isso agora é porque nunca foram sinceros no passado. Foi tudo vaidade estúpida! Só para terem fãs e darem autógrafos... Isto me enoja Sempre pensamos na música, no metal brasileiro, no terceiro mundo entrando pela porta da frente na música underground.


A cena atual é muito maior, com mais bandas gravando e aparecendo, mais shows nacionais e internacionais acontecendo país afora, apesar de ainda existir muita desunião e radicalismo. Parte do público reclama que não há espaço para o metal, mas, paradoxalmente, vira as costas para os grupos que conseguem espaço na mídia mainstream. Até que ponto este tipo de pensamento underground é correto?


VK)Existe uma auto afirmação estrutural no underground. Ser true ou não. Isto é uma bobagem. Música é música. A união sempre foi um target a ser atingido. Mas só que essas querelas de ser true ou não, ou ter cabelo ou não, ou ser capeta ou não fica uma coisa estúpida tipo: “Minha banda fede mais a enxofre que a sua.” “Meu cabelo é maior que o seu.” A banda que eu gosto é mais pesada que a sua”. Uma infantilidade, pois a música fica em segundo plano. Heavy Metal é música, arte underground. Espinhos, cara feia, cabelo grande são periféricos e que o Heavy metal pode muito viver sem isto. Mas se tirarmos a música, fodeu!

O público pode nos chamar de qualquer coisa contanto que ela venha acompanhada de metal no final. É claro que quem nos chamar de New Metal nós mandaremos ir tomar no cu. Somos velhos demais para sermos chamados de new. Repito que esses radicais de plantão tem o tempo contado no underground. Eles mesmos se expelem. O mainstream não tem nada de corrupto. Ele em si não. Ele dá uma estrutura melhor, maior. O glamour, as facilidades, os excessos, estes são pontos que se o artista for medíocre ele é engolido e sua mediocridade aparece nos atos e incomensuravelmente em seu trabalho. A honestidade do artista não pode ser corrompida se sua essência, sua vontade e seu respeito para com o próprio trabalho forem concretas. Você vê isso. Acredito que o vocalista do Nirvana foi totalmente exaurido de sua criatividade. Ele preferiu se matar do que ter o cheiro do tal desodorante Teen Spirit. Porque isto não aconteceu com um Neil Young, ou puxando a farinha para o meu saco, com o AC/DC. Nas configurações nacionais da MPB. Veja o pobre coitado do Caetano Veloso, rico mas imbecilizado, não pode mais viver sem vender um milhão de cópias. Enquanto isso, um Chico Buarque está mais preocupado com a pelada do fim de semana do que a possibilidade de ter um disco de ouro idiota pregado na parede. Ele não tem nada para provar para ninguém. A música dele é aquela, sempre foi e sempre será. Ele compartilha a arte dele da forma que ele conhece, sem criar polemicas, sem chamar atenção para si. Ele faz isso com a música. Não que eu goste imensamente do trabalho dele mas aprecio intensamente a sua honestidade. E é claro, aprecio a maneira como ele tem todas as mulheres do mundo nas mãos....


O que é necessário para a cena se fortalecer definitivamente?


VK)É isto. Honestidade! Respeito pelo trabalho do outro. Faça o que está a fim de fazer. Em 1994, todos estavam mais preocupados em parecerem com o Sepultura do que tudo. A música não tinha mais importância. O Heavy Metal nacional não tinha mais importância se não tivesse uma repercussão no exterior. Isso me cansou! As pessoas compunham com medo. Medo da música. Medo da própria música. Eu tinha uma banda de cover de Ramones e mandei tudo às favas e fui me divertir, fui viver e não ficar preocupado se minha composição iria render dólares. Fazer as “bases para gringos”. Acho quase todos os álbuns da década de noventa sem expressão, sem criatividade... O Sepultura nadou de braçada neste mar de bandas acéfalas. Eles provaram que estavam léguas a frente de todos porque não tinham medo da música que faziam. Enquanto isso, a maioria ficava se mijando de medo quando lançava um disco: “Será que vai dar certo?”


Falando no passado, não há como esquecer que você fez parte do, infelizmente, extinto The Mist. Sua presença nos dois primeiros trabalhos, "Phantasmagoria" (1990) e "The Hangman Tree" (1992) foi marcante. O grupo tinha nível para ter ido muito mais longe do que foi se tivesse mantido aquela linha musical. Por qual motivo você saiu? É verdade que a Music For Nations ofereceu um contrato para o The Mist, mas você recusou por achar que gravar por um selo que, naquele momento, até poderia ser apontado como mainstream, seria um afastamento do underground?


VK)De jeito nenhum! Isto nunca aconteceu. Um contrato com a Music for Nations seria muito bem vindo. E hoje também. Não tenho nada contra meu trabalho ser difundido fora do país. Isto é totalmente irreal. O motivo para que eu não continuasse foi que aquelas pessoas não tinham nada a ver comigo. Percebi que eu estava no The Mist apenas para estar em uma banda. Percebi também que eu não estava sendo honesto comigo mesmo. Gostei muito de fazer o "Phantasmagoria," mas detestei o "Hangman Tree". As letras do álbum talvez sejam as melhores que já fiz, mas o astral era uma bosta. Hoje percebo a importância do álbum na minha carreira e agradeço por ter tido paciência para fazê-lo.


A Cogumelo relançou “The Hangman Tree” em CD, mas nunca fez isso com o “Phantasmagoria”. Há algum plano para isso? Vocês certamente devem possuir material ao vivo ou sobras de estúdio que poderiam sair como bônus. Isso seria bom não só para os fãs do The Mist, mas para a nova geração, que não teve a oportunidade de conhecer o grupo.


VK)Isto depende da Cogumelo e não quero mais me meter nisso. O João paga os meus direitos e ponto final. Não tenho intenção em mexer com os trabalhos do The Mist. Agradeço a todos os fãs que respeitam o meu trabalho naquela banda. Gosto muito do "Phantasmagoria," como falei. Aquilo para mim é o The Mist.


Em “Demon King” há vários momentos, como a própria faixa-título, o riff de “Christ In Hell” e em “Human Remains Banquet”, que nos remetem à sonoridade do The Mist. Isto foi intencional, mera coincidência ou se deve ao fato dos grupos mineiros daquela época terem, em sua maioria, muita similaridade, à exemplo do que houve na Bay Area?


VK)Não tenho certeza disso. E nós não reconhecemos muito esses riffs. Se alguma coisa desse disco se parece com o Mist poderia ser o vocal, mas o riffs são do Mark e não é bem o estilo do Mark os riffs do The Mist, apesar do Mark gostar muito do trabalho do The Mist.


Houve um período em que você se afastou do metal, criando projetos completamente diferentes, mas sem nunca usar sua história do Chakal e do The Mist para se promover, numa prova de respeito aos seus fãs. Um exemplo disso foi com o (bom) grupo punk rock Junkie Jesus Freud (de 1993). Apesar da qualidade, aquele trabalho não chegou a ter a repercussão que merecia, mesmo tendo uma boa distribuição em todo o País. Ao quê você atribui isso? Faltou mais investimento por parte da gravadora?


VK)Aquele trabalho foi a coisa mais legal que aconteceu na minha carreira. Não sei o que deu errado ou sei lá se deu errado. Tivemos oportunidade de grava-lo e isso já foi uma grande experiência. A Cogumelo investiu no trabalho sem pensar em retorno. Investiu porque estava capitaneado por mim e tenho a sorte de ter a Cogumelo como parceira em tudo o que eu faço. As portas da Cogumelo sempre estiveram abertas para mim como artista, não posso reclamar. Se não fosse ela ter comprado a briga com o "Deadland", o Chakal talvez jamais teria voltado. Poderíamos até estar tocando mas com uma estrutura pior. Estamos conscientes que somos um produto de uma gravadora independente. Se existir uma gravadora interessada em nos dar uma estrutura melhor, estamos abertos. A Cogumelo tem mérito em nosso trabalho também e se formos um dia reconhecidos por uma gravadora de porte maior será um reconhecimento também para a Cogumelo.


Ainda pensando no passado, o Chakal resgatou na faixa “The Masque Of The Red Death” duas características do thrash oitentista: a alusão à obra de um escritor clássico como Edgar Allan Poe e a gravação de uma instrumental baseada no dedilhado em um violão. Por sinal, esta é uma das mais bonitas que já ouvi. Quem teve a idéia de retomar este tipo de música que andava meio esquecida?


VK)Mark. Dono da música. Eu só a nomeei. Mas não houve a intenção de recordar nenhum momento oitentista. Ele mostrou o dedilhado e pediu para incluí-lo e é claro que ninguém vai podar o Mr. Mark.


Durante a divulgação de “Deadland”, você chegou a dizer que não via problema no fato do Chakal não ter conseguido sair do país. Você ainda pensa deste modo? A banda e a gravadora não planejam nada para o exterior? Falo não só em licenciamento do álbum (como está isso?) mas, também, em tours fora das fronteiras brasileiras.


VK)Gostaríamos muito de sair do país, mas não vamos fazer nossa música para isso. Se ela tiver porte para atravessar as fronteiras, será ótimo. Para nós ainda é difícil ter estrutura financeira para almejar isso e sonhamos que isso um dia aconteça. Somos músicos e estamos precisando e procurando pessoas interessadas em trabalhar conosco para gerenciar nossa carreira fora. A Cogumelo está tentando ampliar seus horizontes na Europa e entrando em contato com gravadoras e distribuidoras. Nós estamos também tentando fazer nossa parte.


Belo Horizonte foi, por alguns anos, o centro do metal no país. Com o sumiço de grupos como Chakal, Overdose, Mutilator, Sarcófago e a decadência do Sepultura, a cena aparentemente estagnou. Qual a situação atual? Nomes como o Drowned e Eminence vêm tentando marcar seu território no país. Além deles ainda há aquela movimentação do passado, com intenso trabalho de fanzines e muitos shows? Quais nomes poderão se destacar em breve?


VK)Absolute Disgrace, Pathologic Noise, Extreme Hate, tem muitas bandas que tem potencial. Flagelador e Apocalyptic Raids do Rio também gosto muito. Gosto muito do Metal do Rio de Janeiro. Tenho saudades do saudoso Explicit Hate... BH é uma cidade insana. Aqui não tem braços cruzados na hora de show. É sempre uma zona. Tocar em BH deveria ser uma honra para as bandas iniciantes. Lembro do Krisiun falando isto em um show. O Krisiun é um exemplo de banda que não esquece o passado e por isso é respeitada em todo o lugar que vai. Por isso merece ser hoje o nome que nos representa lá fora.


Para finalizar, quais são as metas do Chakal a partir de agora?


VK)Tocar. Sempre tocar. Isto é que nos mantêm até hoje. Por isso, produtores estejam a vontade:chakal@bhzo.com.br. Gostaríamos também de expressar toda nossa alegria de responder perguntas tão bem formuladas. Foi uma entrevista muito legal e esperamos ter correspondido. Um abraço a todos e ouçam "Demon King". Seu reinado está chegando.... STAY METAL !!!!!

As moças da Esquerda e o Carnaval

Na volta do chopp lá no Botequim, encontrei duas políticas da Esquerda catarinense. Primeiro, a ex-vereadora Angela Albino (PCdoB), que ia com o namorado rumo a um dos blocos carnavalescos que iriam esquentar a noite no Centro de Florianópolis. Logo depois, no Largo da Alfândega, vi a senadora Ideli Salvati (PT), com o marido, também indo ao "esquenta" dos festejos de Momo.

Ambas são da oposição, ambas estão amando e são apaixonadas pelo samba e o Carnaval. Ideli é figurinha carimbada no desfile das escolas de Samba da Capital. Angela, dizem, aprendeu a sambar com a assessora Marja Nunes, outro destaque carnavalesco de Florianópolis.

Uma vez repórter, sempre repórter: tentei especular com a ex-vereadora e candidatíssima à uma vaga na Assembléia Legislativa se os boatos sobre uma - nova - aproximação com o PT para a disputa do governo do Estado são verdadeiros. Ela, como sempre, usou seu tradicional jogo de cintura para despistar jornalistas e se esquivou. São as velhas táticas do "ainda é cedo", "tudo pode acontecer", "deixa estar para ver como é que fica", que todo político usa para não revelar os bastidores.

Particularmente, mesmo conheçendo muito pouco da política, arrisco e aposto que a falta de união entre PT e PCdoB na eleição de 2008 em Florianóplis dificilmente será revertida tão cedo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Molha tudo, prefeito

Depois do "sumiço" de parte da árvore de Natal com a qual o prefeito Dário Berger - ainda pré-candidato à governador - tentou alegrar as festas de final de ano na capital catarinense, agora a meta é mostrar algo a mais.

Para o Carnaval de 2010, a idéia brilhante é o Concurso da Garota Molhada. Sim, é sério. Certas coisas, só Florianópolis faz por você.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E se não existisse a Internet?

Sim, houve uma época em que a Internet não existia. Naqueles tempos, nós brasileiros difícil ou raramente tínhamos acesso a todas as informações. Um exemplo? Eram os idos do ano de Nosso Senhor de 1991 quando Roberto Medina anunciou que o mundo veria o poder de uma segunda edição do festival Rock In Rio, criado por ele na década anterior. Entre as várias atrações, uma então completamente desconhecida banda chamada Faith No More.

Aquele grupo de "loucos" norte-americanos viria, veria e venceria, transformando-se na revelação do evento e catapultando sua fama mundial. Em meio ao show, houve uma faixa que encantou a platéia. Não estava no álbum "The Real Thing", de cuja tournê a apresentação era integrante. Calma, com arranjos lindos, praticamente uma balada romântica. De curtíssima duração, servia como introdução para "Surprise! You´re Dead", uma "pedrada" praticamente death metal.



Pelo refrão, alguns imaginaram que o título da belíssima canção seria "Sweet Dreams". Como poucos eram os iluminados que tinham poder aquisitivo para ir aos Estados Unidos naquela época, e com a inexistência da Internet, praticamente nenhum dos fãs que o Faith No More conquistou naquela histórica apresentação do Rock In Rio II, em 20 de janeiro de 1991, sabia do que se tratava a canção.

Bom, atualmente, com o advento da rede mundial de computadores, pode-se matar a curiosidade. Agradecimento ao irmão Fausto Cabral pela dica.



Acompanhe a letra:

"Sweet dreams you can't resist,
N-E-S-T-L-E-S.
Nestles makes the very best,
N-E-S-T-L-E-S.

Creamy whites, dreamy whites
NESTLES makes the very best,
N-E-S-T-L-E-S.
Sweet dreams, you
ca-a-a-n't resist..."

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Da criatividade dos colunistas políticos

Admiro muito a criatividade dos colunistas políticos da chamada "grande imprensa" catarinense. Todos colegas experientes, com longa lista de serviços prestados ao jornalismo. Mas em alguns momentos eles saem com teses prá lá de mirabolantes. Em ano eleitoral então, é uma grandeza. Se bem que, o sacrossanto ano eleitoral de 2010 começou em 2009.

Assim, são 2 anos especulando as prováveis, possíveis e impossíveis configurações do cenário político em Santa Catarina. Uma hora o P.Isso vai se aliar ao P.Aquilo. Na outra o P.Aquilo flerta com o P.Aqui, enquanto o P.Acolá cerca o P.Isso bem na cara do P.Aquilo. E ainda bem que não existem mais ideologias políticas, né? É um festival de teorias da conspiração.

Não me levem a mal, não estou criticando uns nem acusando outros. Tenho real admiração pela escrita dos colunistas políticos. Os detalhes do texto, as ironias e sugestões subliminares são impecáveis em alguns casos. Este post é um mero exercício de observação. Obviamente, presumo, todos os colunistas têm lá seus critérios de apuração e redação de notas e teses. Imagino que sejam embasadas em palpites sérios - ok, uns nem tanto - de determinadas figuras, políticos de carteirinha ou não. Mas que isso é engraçado, não tenho dúvidas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vida de roubadas

Li hoje com muita satisfação que o colega Maurício Oliveira, se não o melhor, um dos 3 melhores da minha geração, está na reta final do seu novo livro. Conforme o post que pode ser lido aqui, trata-se de um apanhado sobre aventuras e desventuras de jornalistas que vivem de freelas (os freelancers, para quem desconhece o jargão).

Isso me fez lembrar uma fase de desemprego em São Paulo. Fiquei todo contente quando surgiu a chance de freelar para um jornal que cobria o setor jurídico. Bom, coisa séria, pensei. Pagavam uma mixaria por matérias e o repórter ainda precisava fotografar. Mas para quem estava na roubada, qualquer coisa era muito bom, e ainda depositavam as despesas com as viagens pelo interior paulista (ônibus ou trem) com antecedência.

Na primeira conversa, a editora após passar todas as recomendações, citou que a máquina fotográfica era uso exclusivo para o serviço. Na primeira reportagem, quando fui fotografar o juiz entrevistado em um Fórum de uma das cidades paulistas mais distantes de São Paulo, eis que a máquina estava repleta de fotos pessoais da tal editora. Algumas em poses digamos... instigantes. A parte da roubada desta trama toda? Agora não posso mais contar. Só ficará disponível quando o livro do Maurício for publicado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

São Francisco do Sul

E por falar em fotografias, achei nos arquivos uma série de imagens que fiz ano passado na histórica São Francisco do Sul. Mesmo em um dia nublado, a cidade oferece uma beleza digna de registro.

Fotos: Alessandro Bonassoli




























sábado, 16 de janeiro de 2010

Quase fotógrafo

A vantagem de fazer um bom curso de JORNALISMO em uma universidade com qualidade é que você aprende várias facetas da profissão. Escolhi jornalismo para ser repórter, para escrever. Acabei tendo noções de outras carreiras, como repórter fotográfico, editor, revisor ou assessor de comunicação.

Até hoje não pude me aprofundar nem me aprimorar na área de fotografia. Mas a força do atual emprego me coloca quase que diariamente em contato com o mágico mundo da imagem. Falta muito para eu poder me considerar um fotógrafo. No máximo, sou um "tirador de retratos". Na última sexta-feira, em Joinville, tive a oportunidade de colocar em prática o que aprendi na convivência com colegas tipo James Tavares, Osvaldo "Coca" Nocetti, Ricardo Mega, Guilherme Ternes, Mafalda, Lúcio Piton, Gilberto Gonçalves, Marco Cezar, Simone Lins, Cris Fontinha, Dago Nogueira, Murilo Borçal, Edu Cavalcanti, entre outros que estou esquecendo agora. Estes sim, repórteres fotográficos de verdade e de muita competência.

Fotos: Jefferson Fonseca


Acompanhando o secretário de Estado da Educação, Paulo Bauer, registrei a vistoria feita por ele no depósito onde estão guardados os uniformes que serão distribuídos aos alunos da rede estadual de ensino. Para tentar conseguir uma imagem que mostrasse a amplitude do local, a quantidade imensa de caixas com os uniformes, foi necessário se aventurar.





Não tive dúvidas ao pedir uma "carona" ao operador de uma "carregadeira" para me erguer o máximo possível. Do alto consegui ter uma noção do que é a Educação em um Estado. O depósito já contava com 70% de todo o material. O vai e vem de carretas (cada uma com mil caixas com uniformes) está sendo intenso nos últimos dias. Na próxima semana inicia a etapa de distribuição para todos os cantos de Santa Catarina. E pensar que o mesmo processo se repete para a distribuição de material escolar, livros, equipamentos e móveis para as 1.323 escolas estaduais. E viva a logística!



Post Scriptum

Eis uma das imagens tiradas durante a experiência contada acima. É claro que não é uma fotografia com a qualidade do material produzido pelos colegas citados anteriormente.

Foto: Alessandro Bonassoli

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lamento

Um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto no Haiti.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O passado vem à memória

Segundo dia do ano, penúltimo do recesso. Completamente sem nada para fazer e já angustiado por estar sozinho em casa e pensando em alguma teoria da conspiração qualquer para justificar o insucesso dos dias de folga, me flagrei pensando no passado. Algo inevitável quando o vivente chega aos 37 anos de idade.

Das várias fases que poderiam vir ao sombrio reduto da memória, lembrei dos anos em que vivi no Estado de São Paulo. Motivos profissionais me levaram para o Centro do País em duas oportunidades. Na primeira, janeiro de 2000, migrei para Ribeirão Preto, onde fui repórter na sucursal da Folha de S.Paulo. Experiência intensa e impagável. Se o Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina me formou, minha curta trajetória naquela sucursal da Folha me forjou jornalista. Apesar do tratamento insano de um determinado chefe - só hoje tenho a consciência que era puro assédio moral, do qual praticamente toda a equipe foi vítima - e do calor insuportável daquela cidade, foi uma experiência incomparável. Lá vi o que é jornalismo de verdade. Lá fiz jornalismo de verdade.

Lamentavelmente, não tive estrutura psicológica para suportar tamanho abuso e pressão. Acabei surtando e saindo muito antes do planejado (minha meta era um ano). Lamento também que, por entrar na redação às 9h e sair às 21h, pelo menos, mal pude conhecer uma cidade ótima como Ribeirão. Guardo com carinho a lembrança dos chopps no Pinguim e os amigos que por lá deixei.

Um deles é o Evandro Spinelli. Com quem pouco trabalhei na Folha, mas que se tornou diretamente responsável pela minha nova incursão no mercado de trabalho lá do Brasil (ainda considero Florianópolis uma província em termos de jornalismo). Em 2005 o Spinelli me ligou fazendo um convite para ser repórter em uma rede de jornais que estava surgindo no interior paulista. "É o Bom Dia, do J. Hawilla. Ele vai montar redações em Rio Preto, Sorocaba e outras cidades", me disse um empolgado Spinelli. A idéia dele era me levar para Rio Preto, onde eu seria repórter de política. "Evandro, política? Eu nunca fui repórter de Política. Apenas fiz algumas matérias na Folha", rebati. "Que nada! Tu tem jeito para a Política", sentenciou.

Mas eu declinei do convite. Sei lá, me deu aquela preguiça - ou seria medo - de migrar novamente para o interior, num lugar em que eu só conhecia o próprio Spinelli. Ter de ir atrás de fiador, mudança, estas coisas todas, não me agradou. Preferi continuar em Florianópolis, onde era repórter do AN Capital. Como a idéia era que a tal rede de jornais se expandisse, pedi para que o colega lembrasse de mim quando a empresa se aproximasse de São Paulo.

Pedido feito, pedido aceito no final daquele mesmo ano. "Alô! Bonassoli? Então, o Bom Dia chegou em Jundiaí. Como você queria morar perto de Sampa, taí tua chance", me disse o Spinelli. A proposta era boa, finalmente uma chance de atuar como editor e pesou o fato que o destino do jornal A Notícia, infelizmente, já estava selado. Lá fui eu, outra vez. Um ano e três meses de muito trabalho, em outra experiência incomum, com um jornal, ou melhor, uma rede de jornais, em constante e permanente implantação. Ritmo abusivo de trabalho, alta rotação de colegas na redação de Jundiaí e em Sorocaba, Rio Preto e Bauru. E pensar que hoje a rede Bom Dia tem 10 (!!) edições, incluindo Marília, Catanduva, Fernandópolis, região do ABCD, Itatiba e a região oeste da Grande São Paulo.

Todo este texto para registrar a lembrança dos vários amigos e colegas que ficaram em Ribeirão e Jundiaí, outros em Campinas, Sorocaba, Bauru, Vinhedo e Franca. Obviamente, vou esquecer de muitos nomes e para estes já peço perdão, mas a lista inclui:

Fase Ribeirão Preto
(incluindo pessoas que não eram ou foram da Folha antes da minha passagem por lá):
Eblak, Angelo Sastre, Vania Carvalho, Anna Regina Tomicioli, Luciana Cavalini, Alessandro (Xará) Bragheto, Marcelo Toledo, Lucio Piton, Célio e Patricia Lauretti

Fase Jundiaí (incluindo o povo de Bauru, Sorocaba e Rio Preto):
(a turma do apartamento) Evandro Spinelli, Guilherme "Borboleta", Eduardo Maurício "Duda", Eduardo Reis, Eduardo Schiavoni, Julianna "Juju" Granjeia e Daniel "Ovo" Vardi.

(a turma do Bom Dia) Mário Evangelista, Benatti, Ana Maio, Ivan Lopes, Fábio Pescarini, Tatiana Fávaro, Simone Lins, Wagner Sandrin, Telma Iara, Lívia Bianchi, Eliane Mendonça, Thaís Cortina, Lili Sanz, Graziela Delalibera, Thalita Bittencourt, Demarice Alves, Paulo Damas, Liza Mirella, João Guilherme, Aline Gusmão, Verena, Maria Fernanda Ribeiro, Adriana Alves, Josi, Maria Helena, Thiago Roque, Robertinho Madureira, Marina Espin, Neo, Luly Zonta, Dago Nogueira, Susana Prado, Neto Alciati, Batatinha, Rafael Coelho, Thaís da Silveira, Robson Moura, Wesley, Luisa Alcântara e Silva, Silvana Guaiume, Thatiane "Renatinha" Leme, Cristiane Caldeira, Tiago Vendemiatti, Gláucia, Mona, Fernanda Pereira e Edu Cerioni.

Muitos destes ainda estão nas listas do Orkut e MSN. Com alguns mantenho contato esporádico. Talvez a maioria, eu não veja nem converse há mais de ano. E, infelizmente, é provável que eu não vá reencontrar 90% desta turma toda. Coisas da vida e coisas do jornalismo. Cada um teve muita importância na minha trajetória, pois aprendi com cada um deles um pouco disso e daquilo, quer seja na profissão ou fora dela. Sinto falta de todos e o saudosismo me trouxe até aqui para desejar um Feliz 2010 em especial para esta raça toda.

Quem me conhece, sabe que não citei os anos em que morei e trabalhei na capital paulista. Isso rende um outro post, tão grande ou maior do que este.