terça-feira, 30 de setembro de 2008

Tá na rede... é candidato

E por falar em inovações na campanha eleitoral de 2008 não se pode deixar de falar no uso da Internet. Os candidatos se viram obrigados a utilizar apenas um site dedicado à apresentar suas propostas. Nada de blogs ou Orkut.

Virou pauta:

Fatos e versões

Antes do post:

Como diz nas entrelinhas a frase ali acima, este blog NÃO é um blog jornalístico. O acúmulo de posts sobre as eleições é mera coincidência pois, afinal de contas, sou jornalista e, atualmente, cubro Política.

A idéia original, ainda na primeira versão deste local, era só expressar minhas opiniões sobre "de tudo um pouco". Inclusive, sobre jornalismo. Repito isso porque me reclamaram que ando falando pouco sobre música, televisão, futebol e outras tranqueiras tradicionais destas paragens virtuais. Mas ali abaixo já lasquei um widget sobre "Lost" (tudo bem que a contagem regressiva que deveria aparecer não tá funcionando, mas isso é mero detalhe).

Bom, dito isso, vamos ao novo post, que é sobre... política! :)

Domingo passado, antes e após o debate com os candidatos de Florianópolis vivenciei um curioso fenômeno. Nos corredores e no estacionamento da RIC Record conversei com assessores de campanha dos seis candidatos presentes ao duelo verbal. Três deles, uma taxa de 50%, me garantiram que "pesquisas internas" apontam os respectivos assessorados no segundo turno.

Ontem, entrevistando o coordenador de uma das campanhas, ouvi isso novamente. Não me aguentei e mandei bala:

- Bom, ou todos vocês estão me mentindo ou quem faz as pesquisas para vocês é quem mente. Só há duas vagas - na prática, uma - no segundo turno. Como é que três estariam classificados?

Fatos e versões. Mistérios e intrigas. Vou sentir saudade desta vida de repórter. De Política.

Candidatos ao mar

Com todas as alterações que a Justiça Eleitoral impôs para esta eleição o processo ficou "engessado". A reclamação é de partidos, candidatos e, reconheço, de nós da imprensa também. Mas não se pode negar que as rígidas determinações deram mais qualidade e transparência à corrida por vagas nas câmaras e prefeituras. E para ganhar a atenção do eleitorado, já que showmícios - Deus seja louvado! - estão proibidos, foi preciso improvisar.

E neste ponto, a única novidade veio da coligação Amo Florianópolis (PP/PTB). A foto abaixo mostra mais uma barqueata, que Esperidião Amin e seu vice, Renato Marques, criaram. Uma boa idéia, que remonta à origem da cidade e evita as insuportáveis carreatas, barulhentas e que pioram ainda mais o trânsito de Florianópolis. A idéia, por sinal, foi adotada por Nildomar "Nildão" Freire (PT).

Foto: J.L. Cibils/Divulgação

Inovação: Menos barulho, menos trânsito

Agora, esta imagem feita pelo colega J.L. Cibils é engraçada. Notem as pernas dos candidatos. Me digam se não parece algum clipe de música baiana: "Dança da Barqueata".

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fogo "amigo" II

Quem conhece um pouco da política de Florianópolis e passou hoje à tarde pelo Café Badesc e viu a cena abaixo pode ter se assustado. De um lado da mesa, a candidata do PCdoB, Angela Albino. No outro, o deputado estadual Edison Andrino, ex-prefeito de Florianópolis e emedebista histórico. Ou seja, integrante do partido do candidato Dário Berger.

Quem conhece um pouco mais da política de Florianópolis não se assustaria. É público e notório o fato de que Andrino não engole Berger. Isso desde que o atual prefeito da cidade migrou do PSDB para o PMDB, ano passado, à revelia do parlamentar, que presidia a sigla à época. Andrino tem aversão ao assunto e já me disse um bom número de vezes que nada tem contra o alcaide da Capital.

Foto: Luis Prates/Divulgação

Sessão da tarde: segundo turno no cardápio?

A conversa entre Andrino e Angela vai render muitas especulações. Ninguém confirma nada, mas a imagem é forte. Não se pode deixar de considerar que a candidata do PCdoB poderia estar articulando apoios para um eventual segundo turno. O resultado do Ibope, que a deixou tecnicamente empatada com Cesar Souza Junior (DEM), mesmo que em terceiro lugar, reavivou o ânimo da militância da comunista.

Claro, eles poderiam alegar que o assunto era meramente a campanha de Tiago Andrino, filho do deputado, que é da mesma sigla da vereadora. :)

Fogo "amigo"

A disputa interna na Esquerda da Capital chegou à Justiça. O PT entrou na semana passada com uma ação cautelar contra a coligação Inovar Florianópolis (PCdoB – PDT). A meta é impedir que Angela Albino use uma mensagem de apoio do presidente Lula em seu horário eleitoral.

Segundo o presidente local do PT, Gilberto Del´Pozzo, as imagens só poderiam ser usadas caso as siglas estivessem coligadas. "O Lula apóia o candidato do PT e em Florianópolis é o Nildão", disse Del´Pozzo. O dirigente me disse agora pouco ao telefone que "hoje até o Cesar Souza Junior, que é PFL [atual DEM], e sempre foi oposição ferrenha ao Lula, tece elogios ao presidente".

O coordenador da campanha de Angela, João Guizoni, lamentou o episódio. “O PCdoB apóia o presidente Lula desde 1989 e a fita veio do Palácio do Planalto endereçada à nossa candidatura. Ele reconhece o nosso apoio. Não fomos nós que pedimos as imagens. Isso mostra que o PT está equivocado”, avaliou. Insisto em dizer, a Esquerda florianopolitana errou, mais uma vez.

Debate acende a fogueira da eleição de Florianópolis

E o debate com os candidatos a prefeito de Florianópolis, ontem à noite, na RIC Record foi, sem dúvida, o melhor de todos até o momento. O clima esquentou várias vezes e, nos bastidores, surgiram até possibilidades de mudanças no atual quadro, que indica o prefeito licenciado Dário Berger (PMDB) com ampla vantagem e um suposto lugar tranqüilo no segundo turno.

Fotos: James Tavares/Notícias do Dia

Cesar Souza Junior: Primeiro erro

Como bem observou o colega Carlos Damião, infelizmente, estas informações "de cocheira" não podem ser publicadas. Candidatos e assessores, antes e após o debate, sempre contam ou deixam escapar novos dados, mais informações. Temas quentes, mas sempre, infelizmente, sem provas. A avaliação do Damião pode ser lida aqui.

Particularmente, achei que Cesar Souza Junior (DEM) cometeu seu primeiro erro de campanha. A questão para Esperidião Amin - se não seria melhor o ex-governador tentar vaga no Senado - lhe rendeu uma daquelas réplicas desconcertantes do candidato do PP, que replicou algo do tipo "vejo dificuldades na sua ida para o segundo turno".

E quando eu indaguei o democrata sobre sua eventual composição de secretariado, ele deslizou e saiu pela tangente. Gostaria de saber se ele vai convidar integrantes das outras duas legendas da Tríplice Aliança (PMDB e PSDB) apesar do racha iminente na base de sustentação do governo Luiz Henrique da Silveira. O deputado estadual foi com uma básica "terei um time competente", mas evitou entrar na polêmica.

Uma pena. Será mais uma pergunta que ficarei sem resposta, como a que fiz para Nildomar "Nildão" Freire (PT) no primeiro debate desta campanha, na TVBV. Até hoje ele não me disse como pretende governar, se eleito, sem ter a maioria na Câmara dos Vereadores.

Falando em Nildão, o homem foi para o debate com a corda toda. Chegou apostando com Afrânio que reclamaria no ar sobre o resultado das pesquisas. E não é que ele botou a boca no trombone mesmo? Disse com todas as letras que os questionários polêmicos seriam contratados à mesa do governador. Depois, bateu boca com o prefeito e elevou o tom de voz como ainda não havia feito nesta campanha. O que é isso companheiro, Nildão?


Dario Berger: Troca de farpas e afagos para "algumas" Esquerdas

O prefeito licenciado, como sempre tem feito, foi o último a chegar e o primeiro a sair. Pura estratégia. Apesar da invejável posição nas pesquisas, parece temer conversas de bastidores ou tenta evitar o contato com os adversários. Ontem, mais uma vez, foi a vítima geral. Na saída, inclusive, comentou com seu bom humor - sim, ele é bem humorado! - comigo, com o Damião e o Polidoro Júnior, que também era um dos jornalistas convidados:

- Vocês, por favor, me ajudem. Pois aqui estão todos contra mim!


Nildão Freire: Tom elevado

Berger comete um erro básico, apesar de ser um homem muito inteligente. Todas as críticas que lhe são feitas acabam inevitavelmente interpretadas como ataques pessoais. Que nada, prefeito... é assim mesmo, afinal o senhor está no lugar que os outros ambicionam ter. Aí, ao vivo, o peemedebista não tem aquele ar controlado da propaganda eleitoral gratuita. Seu nervosismo fica nítido e, mais de uma vez, a impressão que se tem é que ele vai tomar alguma atitude radical contra os opositores. A não ser que seja uma estratégia arriscada: se fazer de vítima para tentar angariar a simpatia da população. Nos resta esperar para ter certeza.


Afrânio Boppré: Questões amenas

Comentaram comigo hoje algo que me intrigou ontem. Berger aparentou uma tentativa se se aproximar - ou agradar - o PT e o PSOL. Suas questões para Nildão e Afrânio Boppré, respectivamente, foram sempre amenas. Mesmo uma troca de farpas com o petista não lhe abalou. Seria uma tática para buscar apoio das militâncias destas siglas contra Angela Albino (PCdoB)? Afinal, ela é a escolhida como nova inimiga número 1. O embate entre ambos, em alguns momentos, pareceu conseguir mudar algo que sempre foi sedimentado: o até então inabalável ar de tranqüilidade da candidata da coligação Inovar Florianópolis. Por outro lado, o resultado da pesquisa do Ibope claramente renovou Angela e seu vice, Tico Lacerda (PDT). O empate técnico com Souza Junior promete fazer desta que é a semana final uma nova campanha para a chapa.


Angela Albino: Inimiga número 1 do alcaide

E Amin? Ah, como sempre, foi o melhor em termos de retórica e bom humor. Não poupou Berger, fez caras e bocas impagáveis (pena que as câmeras não mostraram) e desfilou uma retórica sempre contundente. Ainda tenho minhas dúvidas sobre um eventual sucesso de sua campanha, mas, na conversa, ainda não existe candidato que o supere em Santa Catarina. É sempre garantia de momentos engraçados para quem está nos bastidores. Sobre ele também vou reclamar que fiquei sem resposta.


Esperidião Amin: Caras e bocas

Minha tentativa de lhe arrancar quais projetos dos adversários seriam utilizados caso fosse eleito ficou no ar, como era de se esperar. Perspicaz, não citou nenhum. Usou o espaço para responder que vai usar idéias "boas", sim. Então tá, Esperidião, fica para uma próxima.

sábado, 27 de setembro de 2008

4, 8, 15, 16, 23, 42

Quando o campeão não vence

Certas coisas, só o Brasil faz por você...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Durma-se com um barulho destes

Sobre o post abaixo, eis a nota oficial que a coordenação da campanha da coligação Inovar Florianópolis divulgou agora pouco. Será que a campanha vai esquentar, finalmente?

Nota de Esclarecimento Público:


Após análise da questão relativa ao uso de bens e servidores públicos pelo candidato Dário Elias Berger, a Coligação Inovar Florianópolis (PCdoB/PDT) entendeu haver elementos suficientes para ajuizar ação com pedido de cassação de registro ou diploma, pelas seguintes razões:

Em meados de Julho de 2008, o candidato Dário Elias Berger autorizou a divulgação de placas institucionais para promoção da sua imagem e pessoa; Não foi a toa que o Juiz da 101ª Zona Eleitoral condenou o candidato a pagar multa superior a R$ 25.000,00;

Depois, o candidato e sua Coligação foram condenados pelo TRE/SC a pagar multa de R$ 5.320,00, por uso de bens e servidores públicos, no caso relativo às filmagens da Central de Vigilância da Guarda Municipal de Florianópolis;

Em análise dos fatos e provas recolhidas, verificou-se que o candidato utilizou indiscriminadamente bens, materiais e servidores públicos para realização de suas propagandas eleitorais;

Assim ocorreu com as dependências da Escola Brigadeiro Eduardo Gomes. Para lá foram levados entre 20 a 30 atores no papel de alunos e funcionários, tendo a escola pública sido utilizada como estúdio privado e de propriedade exclusiva do prefeito; O episódio é extremamente preocupante porque no dia após as filmagens, os alunos ficaram sem aulas por conta da precariedade da obra, haja vista que a caixa d'agua da escola estourou;

Na seqüência, para tratar do assunto relativo às Policlínicas, houve inauguração de atendimento 24 horas em período eleitoral, cujo evento, que foi custeado pelo erário público, apresentou forte conotação eleitoral a favor do candidato à reeleição, com a presença do Secretário Municipal de Comunicação, Prefeito em exercício, Candidatos e Vereadores e o Governador do Estado;

Após a inauguração, o candidato foi flagrado por várias vezes dentro da Policlínica Sul. Lá utilizaram tomadas de energia elétrica para funcionamento dos seus equipamentos de filmagem; para desenvolvimento do seu roteiro de propaganda eleitoral, utilizaram servidores e todos os aparelhos hospitalares disponíveis: estetoscópio, aparelhos odontológicos, cirúrgicos, etc.;

A campanha eleitoral do candidato à reeleição foi quase toda produzida com a utilização de bens e servidores públicos, condutas vedadas que afetam a igualdade de oportunidades e legitimidade das eleições.

O uso indiscriminado de bens, equipamentos e servidores públicos caracteriza conduta vedada, porque não se tratou de simples filmagem de ambiente público, mas típica utilização de bens públicos para composição ilegal de propaganda eleitoral;

Houve, inclusive, distribuição de cestas básicas, e recentemente o candidato passou a anunciar que ele fará a inauguração da Policlínica do Continente, o que caracteriza privilégio exclusivo do atual prefeito. Todos os indícios e circunstâncias mostram a intenção clara do candidato à reeleição de quebrar a igualdade, para assim obter mais quatro anos de mandato. Em período de rigor da legislação eleitoral, cumpriu-nos, assim, denunciar o uso abusivo da máquina pública, em prol da legitimidade das eleições no Município de Florianópolis.

João Ghizoni
Coordenador da Campanha
Coligação Inovar Florianópolis
PCdoB - PDT

A disputa vai para a Justiça

Coordenador de campanha da coligação Inovar Florianópolis, João Ghizoni, acaba de me confirmar que a disputa com Dário Berger (PMDB) vai para a Justiça Eleitoral. Até às 17h de hoje, representantes da candidata Angela Albino (PCdoB) entram com pedido de cassação da candidatura do prefeito licenciado da Capital.

"Vamos pedir também cassação do diploma dele caso o processo não seja julgado até o final do processo eleitoral e se ele, eventualmente, vier a ser eleito", explicou Ghizoni. O motivo seria o suposto uso da máquina pelo atual prefeito durante a campanha. O advogado de Dário, Rogério Olsen, não havia sido oficialmente informado do fato. "Se formos citados, vamos nos defender. Mas não vemos nenhuma procedência nos argumentos", comentou.

Duvido muito que surja o resultado esperado pelo PCdoB. Mas se acontecesse, o quê poderia se esperar desta eleição?

Detalhes

São só detalhes. Curiosidades. Mas nesta hora de decidir em quem vai cuidar do nosso dinheiro, das nossas cidades, informação não é demais. Faltam só 9 dias para fazer as escolhas que podem transformar nossas vidas em algo mais tranqüilo ou simplesmente prejudicá-las ainda mais.

Altos e baixos

Nem sempre se pode fazer uma boa reportagem. Para o texto abaixo a fonte do Departamento de Administração Penal (Deap) me forneceu um dado estimado. Na correria para fechar a matéria daquele dia e para concluir a especial do final de semana, não fiz uma nova checagem. Erro básico de apuração. Isso não tem desculpa.

Resultado: minha amiga e colega Natália Viana, que trabalha para um jornal concorrente, conseguiu a quantidade exata de presos que vão ficar sem votar. Espero que a excelente ilustração do Mendes tenha desviado a atenção dos leitores e que estes não tenham notado que a minha matéria estava incompleta.

Aula de economia aplicada

Esta veio pelo glorioso Gladinston Silvestrini.. mas diz ele que não é o autor da pérola. É daquelas "verdades" que rolam pela internet:


Para entender a atual crise econômica:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça na caderneta aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zecutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO , CCD, CBF, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F,cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.

Se todos os clientes caloteiros do Seu Biu resolvessem pagar suas dívidas, a soma total seria de R$ 470,32 , mas o Banco Central vai ter que injetar no mercado algo em torno de R$ 123.525.183,21 para salvar alguns fundos de investimenos que não possuem capital para honrar os seu compromissos referentes aos clientes caloteiros do Seu Biu, evitando assim uma grave crise sistêmica no mercado financeiro .

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Os astros e os políticos

Há alguns dias o Upiara me pediu para postar aqui os PDFs da matéria sobre as previsões astrológicas dos candidatos de Florianópolis. A pauta, publicada no jornal Notícias do Dia, inicialmente me pareceu... hã? estranha. Mas, na entrevista com a astróloga já percebi que o texto tinha tudo para ficar interessante. Espero ter conseguido isso. Agora, com certeza, as caricaturas do Mendes, um dos melhores artistas da imprensa catarinense, ficaram muito boas.

Eis os arquivos, em formato JPG:


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

São José e o debate

Terminado o debate entre os candidatos a prefeitura de São José na Record News ficou claro que, apesar de todos apresentarem boas propostas, não se pode afirmar quem será o vencedor em 5 de outubro. Nas ruas e nos bastidores, há uma suposta polarização entre o atual prefeito, Fernando Elias (PSDB) e o deputado federal Djalma Berger (PSB).

Mas não são poucos os que atestam um crescimento de Círio Vandresen (PT). Apoiado pelo PP de Esperidião Amin e com a frase de "somos do partido do presidente Lula", o ex-padre pode mesmo surpreender. A presidente estadual da sigla, Luci Choinaki, me confirmou na última sexta-feira, durante o lançamento do plano de governo de Nildomar Freire, candidato na Capital, que São José é uma das esperanças mais fortes dentro do partido.

Foto: James Tavares/Notícias do Dia


Muito bem articulado, o candidato do PSTU, Carlos Müeller, apresentou um discurso coerente e não esbravejou tanto contra a burguesia e o imperialismo norte-americano, como, tradicionalmente, sua legenda costuma fazer. Tem sua cota de boas idéias mas a falta de estrutura financeira e a postura ainda, digamos, agressiva demais, dificilmente deve conquistar a simpatia do eleitorado.

E o PMDB? Bem, honestamente, a vereadora Adeliana Dalpont não me convenceu. Não sou conhecedor dos meandros da política josefense, até por não ser o setorista que cobre o município no jornal Notícias do Dia. Mas me pergunto se o partido do governador Luiz Henrique da Silveira não teria um nome mais forte do que o dela. Nada contra a candidata. Apenas achei seu discurso sem impacto. A pergunta que fez para Vandresen, questionando se ele não achava melhor ter uma mulher no comando da cidade, foi um exemplo. Deixou a bola sobrando para o adversário capitalizar em cima. Como, de fato, ele acabou fazendo. Neste caso, ao menos, para ela ficou a promessa de uma vaga no secretariado do petista, se este se eleger.

O atual prefeito perdeu muito tempo trocando acusações com Adeliana. Talvez querendo se vingar da marcação cerrada que a oposição lhe fez na Câmara dos Vereadores. Berger, ao lado dele, apenas sorria e contabilizava pontos. Fernando Elias realmente mostrou propostas e sabe discursar. É um político experiente. Mas pecou ao, de certa forma, poupar o principal concorrente.

Na minha avaliação, o deputado federal se saiu melhor. Foi pouco alvejado pelos demais e teve maior desenvoltura ao falar com os telespectadores. Não voto em São José nem atesto a honestidade ou desonestidade de qualquer um dos concorrentes neste pleito, mas creio que Berger coletou mais lucros que os demais após este debate.

domingo, 14 de setembro de 2008

São José e a campanha

Faltam 30 minutos para o início do debate com os candidatos a prefeitura de São José na Record News. O movimento em frente ao prédio da emissora, no alto do Morro da Cruz, é intenso. Por sinal, bem maior do que o registrado no debate com os candidatos ao comando de Florianópolis.

Um carro de som toca no último volume o jingle do candidato Djalma Berger (PSB). Na pista, sob controle da Polícia Militar, vários militantes dançam e cantam. O clima não é de confronto, apesar de algumas trocas de vaias. As bandeiras em maior número são, até o momento, do PSB e do PMDB da candidata Adeliana Dalpont. A empolgação realmente impressiona. Aparentemente, a campanha em São José é muito mais animada do que aqui na Capital.

sábado, 13 de setembro de 2008

A eleição de agora é a de 2010

Foi produtivo, jornalisticamente falando, o lançamento do plano de governo de Nildomar "Nildão" Freire, candidato do PT em Florianópolis. O evento, que cobri para o jornal Notícias do Dia, foi realizado ontem à tarde em um hotel no Centro da Capital e reuniu os líderes do partido no Brasil, no Estado e na cidade.

Além de Gilberto Dell´Pozzo, que dirige a sigla no município; Luci Choinaki, chefe em Santa Catarina; e de Ricardo Berzoini, comandante petista em todo o País; vieram de Brasília o deputado federal Claudio Vignatti e a senadora Ideli Salvatti. O objetivo do encontro - que reuniu vários militantes e candidatos a vereador - quase passou despercebido. Ficou nítida a preocupação em rebater os resultados das pesquisas eleitorais.

Luci e Ideli lembraram que o partido já ganhou eleição "perdida" antes. A senadora, habilmente, ainda desdenhou ao citar que no pleito que a levou ao Senado, o Ibope a mostrava em quinto lugar na véspera da eleição. "Doze horas depois, eu estava em primeiro lugar", comentou. Berzoini afirmou que existem institutos de pesquisa sérios e que outros podem ser comparados com pizzaria. "Me vê uma meia calabreza e outra meia muzzarela. Trabalham por encomenda", brincou.

Momentos antes da entrevista, Gerson Basso, candidato à vice na chapa de Nildão e presidente do PV em Florianópolis e no Estado, também questionou as pesquisas. "Na eleição passada, eu sozinho com 3 candidatos a vereador, fiz os 3% da última pesquisa", lembrou. Está intrigado como agora, uma coligação pode ter o mesmo desempenho, sendo que "o PV foi o partido que mais cresceu em Florianópolis". Fato, por sinal, comprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Eles negam e vão negar sempre. E eu faria o mesmo. Mas o fato é que o desempenho está realmente muito abaixo do esperado. Nildão e Luci incitaram os militantes presentes ao dizer que "a campanha começa agora". O candidato chegou a citar que há militantes já desanimados. "É para isso que servem as pesquisas, para desanimar", sugeriu Ideli.

Particularmente, continuo achando que tudo ainda pode acontecer nesta eleição. Não há candidato eleito nem candidato derrotado. Bom, talvez uma das chapas não tenha a menor chance. Mas as outras seis, todas estão no páreo. Faltam poucas semanas, mas muita coisa ainda pode acontecer. O prefeito licenciado Dario Berger (PMDB) tem se preocupado demais em pedir direitos de resposta. E, justiça seja feita, seus adversários também já fizeram o mesmo. Mas não é isso que nós eleitores queremos. Precisamos conhecer as propostas deles. Não adianta Dário dizer o que já fez como prefeito. Também não nos interessa o que Esperidião Amin (PP) já produziu como governador e na prefeitura. Isso é passado. Isso era meramente a obrigação de ambos. Deles e dos outros cinco candidatos precisamos saber quais são as alternativas que propõem para melhorar o estado caótico que Florianópolis se encontra. Ou alguém realmente ainda acredita que aqui é o paraíso?

Ainda na coletiva de ontem, nem Berzoini nem Luci quiseram expôr as expectativas do PT no Estado. Se saíram com respostas paliativas. Algo bem compreensível. Não iriam se arriscar a divulgar altas expectativas. Ou baixas. Luci se limitou a dizer que alguns municípios a briga é promissora, mas prefere "esperar o 5 de outubro".

Para descontrair o ambiente e demonstrar otimismo, Nildão brincou que Marta Suplicy deve desculpá-lo, mas posse em 1o. de janeiro é muito melhor em Florianópolis do que em São Paulo. Então, Berzoini ficou convidado a vir para a capital catarinense. O presidente nacional do PT se saiu bem ao dizer que o ideal é marcar a posse de ambos em períodos diferentes do mesmo dia. Fé nunca é demais.

Em termos nacionais, minha colega Renata Moreira, do Diário Catarinense, questionou Berzoini sobre a provável indicação da ministra Dilma Russef para a vaga de substituta do presidente Lula em 2010. Muito político, o deputado federal alegou que Dilma lhe agrada muito e que ela tem potencial, mas que "outros filiados têm o direito de pleitear a vaga". Aproveitei a deixa para indagar se ela acha que ela está pronta, pois na cerimônia das obras do PAC, há alguns meses, o discurso da ministra foi entediante, cansativo e extremamente técnico, irritando até a militância petista. Berzoini não me contradisse nem deixou de concordar comigo. Deu a entender que ela pode melhorar.

Para Santa Catarina, Basso deixou claro que a coligação de 2008 em Florianópolis deve se repetir em 2010 para o pleito estadual. Praticamente, lançou a candidatura (óbvia) de Ideli Salvatti com o PV trabalhando em conjunto. "Se iniciou aqui um namoro que pode virar noivado e tem tudo para se transformar em casamento", argumentou o presidente dos verdes. Ideli sorriu, brincou, tentou despistar, mas não negou nada. E Nildão também não. Ao contrário, abriu um largo sorriso. Basso disse ainda que Florianópolis é a única cidade do País onde PV e PT estão juntos. Berzoini referendou a idéia ao dizer que vê com bons olhos a aproximação dos dois partidos e lamenta que isto não esteja ocorrendo em outros Estados.

Realmente, a eleição de 2010 começou.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Osama, 7 anos depois

O dia de ontem foi caótico. Mil coisas ao mesmo tempo, perdi a hora, perdi a penúltima aula de italiano antes da primeira prova do semestre. "Que beleza!", como diria um filósofo contemporâneo. Ok, vai parecer "desculpinha", mas que se dane! Acabou passando batida uma efeméride - ô palavrinha péssima, não? - que lembrei na quarta-feira, na redação: o 11 de setembro.

E só lembrei hoje, quando visitei pela primeira vez o Certezas Biodegradáveis, blog da querida amiga Ana Paula Lückman. Ela fez lá a pergunta básica sobre onde você estava no dia dos atentados terroristas nos Estados Unidos?

Era uma manhã meio cinzenta de São Paulo. Eu estava às voltas com minha ronda diária nos sites das bandas que integravam o cast da gravadora alemã Century Media Records, da qual eu era assessor de imprensa no escritório sul-americano. Era o sagrado momento de cavar notícias para lançar no site e depois enviar para a imprensa.

Estavam na sala comigo o David Torelli, um dos irmãos que não vieram via família, e Viviana Torrico, gerente do escritório e que cuidava da assessoria para os países latinos. Curiosamente, quem nos trouxe a notícia foi o chefe da casa, Eric de Haas, um holandês que simplesmente não vê televisão. Entrou na correria e eu até pensei que era uma das brincadeiras dele. Nos disse para ver o site do UOL.

Nos 2 primeiros segundos, pensei que era mesmo uma brincadeira do Eric. Tipo aquelas páginas fake de sites que a turma te envia, zoando com teu nome. Lembro que pensei "puxa! os caras estão melhorando, agora além de zoarem com os outros, ainda mandam com arquivos em flash". Mais 2 segundos de "peraê! tem algo estranho aqui". Só então caiu a ficha. Era a História acontecendo.

Ficamos todos uns bons 20 minutos atônitos, esperando por mais atualizações. Não lembro se havia alguma TV na casa, que ficava bem atrás da estação Vila Madalena do Metrô. Ainda antes do almoço fui para a banca de jornal, ver se já havia alguma edição extra. O jornaleiro citou que não sobrou nada. Rapidamente, tudo havia sido vendido. Consegui apenas uma edição extraordinária de uma revista semanal. Era o exemplar que ele havia guardado pensando em um cliente tradicional, mas que no dia não apareceu.

E se passaram 7 anos. Nenhum dos responsáveis foi preso ou morto. Os Estados Unidos massacraram o Iraque e o Afeganistão. Perderam milhares de soldados, gastaram uma fortuna que salvaria alguns países do Quarto Mundo. Outros atentados aconteceram em países diferentes e mais vidas se perderam. E nada além disso acontece.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O balanço da Aliança

Ainda entendo muito pouco - ou quase nada - de Política para comentar isso. Mas fica difícil acreditar nos líderes da Tríplice Aliança, a coalizão que dá sustentabilidade ao governo Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Na última segunda-feira, depois da vistoria às obras de restauro da Catedral Metropolitana de Florianópolis, ao responder minhas questões e às do colega Moacir Pereira, LHS respondeu que "não há crise".

Horas antes, na Assembléia Legislativa, o presidente da casa, deputado Julio Garcia (DEM) no seu eterno tom apaziguador me garantiu que "eleição na terra, tempo de guerra. Mas isso é passageiro e vamos resolver os problemas". Logo depois, o líder do Governo no parlamento, deputado Herneus de Nadal foi o único a reconhecer que a situação preocupa. "Não há como negar, mas é algo natural, pois são questões locais. E já passamos por isso antes", concluiu.

No início daquela noite, por telefone, o deputado Marcos Vieira, líder da bancada dos tucanos também amenizou o entrave. Perguntei se uma eventual cassação da candidatura do seu partido, Clésio Salvaro, em Criciúma - motivada por uma ação impetrada pelo PMDB de LHS - poderia gerar uma retaliação. Será que Salvaro não se rebelaria, passando a ser o voto decisivo para as CPIs que a oposição tenta, incansavelmente mas sem sucesso, abrir na Assembléia? "O deputado Salvaro tem dado mostras que está com o governo. Não acredito que ele vá fazer isso", argumentou Vieira. Segundo ele, apesar dos ânimos acirrados, "não é nada que uma boa conversa não possa resolver". O tom de boa vizinhança, porém, contrastou com a cobrança: "o que esperamos é que haja bom senso de todas as partes", citou o tucano.

Ontem, na volta dos parlamentares à Assembléia, para mais uma semana de trabalho dobrado por causa do Calendário Eleitoral, a expectativa minha - e, acredito, entre os demais colegas - era por uma pequena guerra no Plenário. Ao invés das críticas contundentes das bancadas do PP e do PT eu estava pronto para registrar bate-boca entre os aliados.

Que nada! O clima foi irritantemente morno. Nem mesmo um novo entrave surgido pela manhã impediu o clima de camaradagem e "tudo está bem" que os homens de paletó e gravata tentaram demonstrar. A reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deveria ter votado a liberação para um pedido de empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). São US$ 300 milhões para investir em construção de rodovias e revitalização de outras. Mas Joares Ponticelli (PP), o crítico mais incisivo do atual governo na Assembléia, soliticou mais informações sobre o processo. O presidente da CCJ e relator da matéria, Romildo Titon (PMDB), queria a votação. Acabou ficando numa saia justa, pois o democrata Gelson Merísio deixou de lado o apoio que dele era esperado e apoiou a solicitação de Ponticelli.

"É melhor que seja agora do que lá na frente, quando tudo estiver encaminhado. Se alguém achar alguma falha, a perda de tempo será maior", despistou Merísio, com a intenção de assegurar que não foi uma retaliação pelo apoio que LHS tem oferecido aos candidatos do PMDB nas campanhas da Capital, Criciúma, Joinville e Balneário Camboriú. Cidades onde PSDB e DEM estão na briga e com chances. O líder dos tucanos também tentou me convencer disso. "O PSDB continua na base do governo", citou Vieira. Merísio, porém, deixou no ar que a aparente calmaria pode cessar. "Até as eleições não vamos criar problemas no Plenário ou nas comissões. Depois é outra história. Será um novo momento político que precisa ser avaliado", comentou.

Eles negam, mas a bancada do PMDB (com apoio dos deputados federais) lançou nota de apoio ao ex-governador Eduardo Pinho Moreira. Um afago no presidente estadual do partido, criticado publicamente pelo atual vice-governador, Leonel Pavan, que preside o PSDB em Santa Catarina. Em outro almoço, o da bancada tucana, quem ganhou solidariedade foi Pavan e Salvaro.

Será que algum mortal gostaria de estar no lugar de Luiz Henrique da Silveira? Estou fora. E eu que sempre pensei que apenas no jornalismo era preciso lidar com tantos egos e interesses. Na política a coisa é muito pior.

Boomp3.com

domingo, 31 de agosto de 2008

Mais explicações para a audiência

O Zanfra reclamou sobre o segundo post abaixo. Tem razão. Inicialmente, este post havia sido colocado aqui há várias semanas. Como eu me precipitei e a matéria citada no texto não foi publicada, precisei retirar do blog. Com isso, dois comentários ficaram em suspenso, um do próprio Zanfra, e outro da candidata Angela Albino. Este, por sinal, na minha eterna falta de habilidade, acabei deletando, ao invés de aceitar. Sei que pedir desculpas não resolve muita coisa, mas...

Só pude, finalmente, colocar o texto aqui um mês depois e vários dias após a publicação da matéria. Novamente, meu velho camarada Zanfra tem razão. Só não sabe ele que minhas três últimas semanas foram um tour de force e tanto. Minha namorada veio me visitar e, ao chegar, pegou uma gripe "daquelas". Uma semana "no estaleiro". Quando ela melhorou, obviamente, foi minha vez de encarar a gripe com direito à várias noites de febre e tosse intensa. Em paralelo, minha mãe teve que se submeter à uma delicada cirurgia para extrair seu baço. Se levar em conta que eu ainda estava às voltas com a finalização de dois freelas, acho que fica explicado o "jet lag" deste blog.

Como não se trata de um blog jornalístico, me reservo o direito de não me preocupar tanto com sua atualização. E isso tudo já me faz pensar que tenho pelo menos mais uns dois posts que deveriam ter sido feitos há sete dias. Um deles sobre o excelente final de semana que eu e a Sil, a titular da pasta, passamos no Rio do Rastro Eco Resort. Coisa fina. O material fotográfico está no meu perfil no Orkut, mas quero registrar aqui também, até porque não pagamos para ficar lá. Então, nada mais justo do que uma propagandinha básica.

Porém, como ultimamente vivo às voltas com a falta de tempo, preciso correr para a "espetacular" e "deliciosa" rotina de quem depende do "excelente" transporte coletivo de Florianópolis aos domingos. Este é mais um post que será feito por aqui. Em breve.

Obs.: Sobre a cirurgia, foi tudo surpreendentemente bem. Minha progenitora vivia com apenas duas mil plaquetas. O mínimo para um ser humano viver com segurança é de 150 mil. Foram cinco anos de angústia e medo, pois ela simplesmente não podia sangrar. Depois deste tempo todo, finalmente um médico lembrou que o baço elimina plaquetas. Então, retirado o órgão, imediatamente a taxa dela passou para 80 mil plaquetas. Semana passada, no exame mais recente, já está em 300 e tantas mil.

Aproveito para, novamente, agradecer aos amigos que, gentilmente, foram até ao Hemosc doar sangue para repor a quantidade que minha mãe usaria na cirurgia. O melhor de tudo é que ela nem precisou de sangue. Então, além do problema dela ter sido resolvido, o Hemosc recebeu pelo menos mais seis litros. Material que pode salvar outras vidas.

Ficção ou realidade III

Político cassado por infidelidade partidária vira manchete de jornal. Indignado com a cobertura que a imprensa deu ao fato, liga para a chefia da empresa jornalística reclamando do espaço aberto ao episódio: matéria abre página e com manchete na capa do periódico.

Curiosamente, o tratamento recebido pelo dileto político foi exatamente o mesmo em todos os jornais da cidade. Em momento algum, nenhuma publicação o acusou de corrupção ou qualquer outro ato ilícito. Apenas relataram a decisão do Tribunal Regional Eleitoral.

Eu, se fosse cabo eleitoral do político, trabalharia ainda mais para angariar os votos que podem - sim - reelegê-lo. Mas os gestores da sociedade não pensam assim. Afinal, é mais fácil simplesmente reclamar e usar o poder, com dois ou três telefonemas, para tentar mudar as coisas em seu favor.

Que falta faz um assessor de imprensa para passar noções de gerenciamento de crises, não? Mas quem sabe um dia as coisas mudem. E, claro, no final das contas, os incomodados que se retirem. Basta migrar para a Suécia ou para a Dinamarca.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Mapa astral

Sexta-feira, 04 de julho de 2008, 16h45.

- Alô, prefeito?
- Sim?
- Prefeito Dario, é o Alessandro Bonassoli, do Notícias do dia. Tudo bem?
- Fala, Alessandro. Tudo bem.
- Prefeito, preciso saber a data e o local do seu nascimento e.... o horário que o senhor nasceu.
- Como é? Horário de nascimento? Esta pergunta ninguém me fez antes, Alessandro.
- É que a minha editora vai fazer uma matéria sobre o Mapa Astral dos candidatos.
- ...

---

Resta saber se o prefeito gostou do que a astróloga disse sobre ele e os seus concorrentes. A matéria, mais de um mês depois da reportagem ter sido iniciada, foi publicada na edição do último final de semana. Só pelas ilustrações que o Mendes fez dos candidatos já valeu a espera.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Eu acredito!

Quase não deu tempo, mas consegui ver "Arquivo X - Eu Quero Acreditar", segundo longa-metragem originado da série de TV "Arquivo X", exibida na década de 90. Havia lido críticas desfavoráveis e algumas positivas. Não costumo me orientar muito por isso, ainda mais quando se fala de produtos que a "grande mídia" normalmente trata de modo preconceituoso. Mas confesso que tinha um certo medo de me decepcionar.

Enquanto fã do seriado, a expectativa era grande. E valeu a espera. Chris Carter, criador do programa original, diretor e roteirista do filme acertou. Novamente, assimo como fez em "Arquivo X - O Filme" (1998), ele criou uma obra que atende aos fãs da saga e ao público que jamais ouviu falar ou assistiu as aventuras de Fox Mulder e Dana Scully. A vantagem do novo longa é que ele é menos complexo se comparado ao anterior, exibido entre a quinta e a sexta temporada da série de TV.

Desta vez, Carter deixou de lado o tema alienígena, grande mote dos nove anos do seriado. Centrou o argumento em investigação de crimes e fenômenos paranormais. Uma agente do FBI está desaparecida e há um padre - acusado de pedofilia - que garante que sabe que a moça está viva, pois teria visões dela. É o gancho para que a personagem coadjuvante vivida por Amanda Peet procure Scully (Gilian Anderson) para chegar até Mulder (David Duchovny).

Imagens: Cinema em Cena

Mitologia: história para fãs e novatos

Se ele cooperar com o caso, o FBI o perdoaria pelos crimes dos quais foi acusado e perseguido ao final do seriado. A partir daí o filme se torna um bom thriller. Com poucos efeitos especiais o roteiro é bom e ainda dá uma passada rápida na mitologia da série. A relação entre Scully e Mulder foi bem explorada e dá mais respostas aos fãs depois do encerramento do programa, em 1992.



Relação: Apesar desta imagem, nem tudo é o que parece

Há várias citações ao seriado, incluindo a presença de Walter Skinner (Mitch Pillegi), as sementes de girassol e os lápis presos no teto (ok, se você não é um eXcer, só há um modo correto de entender, vendo os episódios). Saí do cinema com dois pensamentos: quando vão rodar um novo filme? e quando vão retomar o seriado? Claro, eu sei as respostas. Principalmente para a última questão.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Categoria desunida

Desde ontem circula oficialmente em caixas de e-mail privadas e nas das redações o sinal de que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina está rachado. Se bem que o colega Cesar Valente já havia citado a tal ruptura em sua coluna do último sábado.

O primeiro texto chegou ontem na redação do jornal Notícias do Dia. O segundo, hoje. De um lado, um extenso grupo de colegas, muitos deles ex-integrantes do sindicato. Fazem acusações preocupantes contra a atual chapa que dirige o SJPSC (leia a íntegra da nota mais abaixo). Em outro, está a maior parte da direção, que se inscreveu para a reeleição. Trata-se de uma chapa única, que deve ser ratificada pelos colegas na eleição do dia 6 de agosto. É a primeira vez desde o fim dos anos 70 que a categoria se vê dividida na hora de escolher seus representantes.

Tenho amigos nos dois lados. Não sei quem tem razão, mas lamento profundamente que a situação tenha chegado a tal ponto. Penso que seria melhor uma segunda chapa do que este tipo de ato. Revela apenas que a categoria é, mesmo, desunida. E faço o mea culpa, sou o primeiro a não ir nas assembléias promovidas pela entidade. Não importam os motivos de cada um, mas é por estas e outras que os patrões pintam e bordam com nosso "piso" salarial e nossas condições de trabalho.

Posso - e prefiro - estar muito enganado. Mas não há como não ver a situação com olhos de repórter. De repórter que cobre política. Fica, prá mim, clara uma picuinha de origem político-partidária neste imbróglio todo. Boa parte dos que reclamam são e sempre foram alinhados ao PT. No outro lado, o atual vice-presidente sempre foi filiado ao PCdoB, sigla que, recentemente, recebeu a ficha de filiação do atual presidente do SJPSC. Como PT e PCdoB estão, depois de muitas eleições, oficialmente de relações rompidas em Florianópolis... bom, dois e dois são vinte e dois.

Este impasse precisa ser melhor esclarecido. Não dá é para a categoria ficar à mercê de e-mails de ataque e defesa. Era só o que nos faltava.


Um lado:

MANIFESTO DE ESCLARECIMENTO AOS JORNALISTAS DE SC

Sindicato forte é Sindicato de e para todos

A respeito das eleições para o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que acontecem no dia 6 de agosto, os abaixo-assinados vêm a público fazer os seguintes esclarecimentos:

1. A chapa única que concorre ao SJSC não expressa a unidade que tentamos construir. Entendíamos que este processo deveria ser mais amplo e coroado com uma plenária estadual de definição da chapa. Entretanto, quem capitaneou a formação da atual chapa única para o SJSC sempre rejeitou tal proposta.

2. Mesmo assim, e como nosso objetivo, fraterno e sincero, era a construção democrática de uma chapa que expressasse a unidade do movimento dos Jornalistas em nosso estado, continuamos participando no esforço de construir uma alternativa unitária junto aos que lideraram a formação da atual chapa única. Na última plenária, realizada em Florianópolis, aceitamos indicar representantes para uma comissão que definiria a constituição da chapa entre aqueles colegas que haviam oferecido seus nomes nas plenárias.

3. Entretanto, esse processo foi bruscamente interrompido a poucos dias do prazo de inscrições de chapas, por intransigência dos que lideraram a formação da atual chapa na tal comissão. Eles não se contentaram em exigir a indicação à Presidência, Vice-Presidência e Tesouraria, o que, na prática, significaria o prosseguimento de uma única posição política a ditar os rumos cotidianos de nossa entidade. Também vetaram nomes e passaram a impor quem aceitariam ou não na chapa, desprezando as discussões anteriores e inviabilizando a construção de uma diretoria que expressasse a heterogeneidade e riqueza de visões presentes em nosso movimento.

4. Por isso, alertamos os colegas que, apesar do processo eleitoral do SJSC ter uma única chapa inscrita, ela não é expressão da construção democrática que defendíamos: verdadeiramente unitária, sem interesses político-partidários e posturas autoritárias, e representativa da diversidade da nossa categoria. Embora tenhamos razoável identidade programática com a chapa inscrita, ela foi montada com determinadas práticas e métodos com os quais não podemos conciliar.

5. Aproveitamos para esclarecer que tal chapa inclui vários valorosos companheiros, que optaram por apoiar a proposta daquele grupo, decisão que respeitamos, mas com a qual não podemos concordar.

6. Vamos prosseguir defendendo o fortalecimento de nossa entidade e de nossas lutas por dignidade e respeito profissional. Neste sentido, reafirmamos nosso compromisso de luta por melhores condições de trabalho e salários, fiscalização do exercício da profissão e respeito às relações trabalhistas, gestão sindical democrática e transparente com presença em todo o Estado, inserção no movimento sindical nacional da categoria e na política geral do país, defesa da regulamentação, formação, atualização e ética profissionais e da democratização da comunicação.

7. Finalmente, convidamos todos os nossos colegas a, mais do que nunca, participarem ativamente e fortalecerem o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Afinal, movimento sindical não se faz apenas com a ocupação de cargos na direção de uma entidade, como já mostrou o movimento que, na década de 80, resgatou nossa entidade do imobilismo, do qual muitos de nós participamos. O Sindicato somos nós!

ASSINAM:

1. Adauri Antunes – Jornalista

2. Aderbal Filho – Ex-diretor do SJSC

3. Adriane Canan – Diretora do SJSC

4. Ayrton Kanitz – 1o candidato a presidente do SJSC pelo MOS e ex-integrante da Comissão Nacional de Ética

5. Aureo Moraes – Ex-diretor do SJSC

6. Celso Vicenzi – Ex-presidente do SJSC

7. Cláudia Sanz – Diretora do SJSC

8. Daniella Haendchen - Jornalista

9. Denise Christians – Jornalista

10. Doroti Port – Jornalista

11. Eduardo Marques – Repórter Fotográfico

12. Eduardo Meditsch – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC

13. Elaine Borges – Integrante da Comissão de Ética/SC

14. Fernando Crócomo - Jornalista

15. Francisco Karam – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC e da Comissão Nacional de Ética

16. Gastão Cassel – Ex-diretor do SJSC

17. Hermínio Nunes – Ex-diretor do SJSC

18. Ivan Giacomelli – Ex-diretor do SJSC

19. Laudelino José Sarda – Jornalista

20. Lena Obst – Jornalista

22. Luis Fernando Assunção – Ex-presidente do SJSC

23. Márcia Barentin da Costa – Ex-diretora do SJSC

24. Maria José Baldessar – Ex-diretora do SJSC

25. Mário Medaglia – Jornalista

26. Mário Xavier Antunes de Oliveira – Integrante da Comissão de Ética/SC

27. Mylene Margarida – Ex-diretora do SJSC

28. Orestes Araújo – Ex-diretor do SJSC

29. Osvaldo Nocetti – Repórter Fotográfico

30. Rogério Cristofoletti – Ex-vice-presidente do SJSC

31. Sandra Werle – Ex-diretora do SJSC

32. Samuel Pantoja Lima – Jornalista

33. Suely Aguiar - Jornalista

34. Sara Caprário – Jornalista

35. Silvio Pereira dos Santos - Jornalista

36. Suzete Antunes – Ex-diretora do SJSC

37. Tânia Machado – Jornalista

38. Terezinha Silva - Jornalista

39. Tina Braga – Ex-diretora do SJSC

40. Valci Zuculoto – Diretora do SJSC

41. Valdir Cachoeira – Ex-diretor do SJSC

42. Valentina Nunes – Jornalista

43. Vanessa Campos – Jornalista


Outro lado:
As eleições no Sindicato dos Jornalistas

Caros jornalistas,

Circulou pela rede um manifesto assinado por vários colegas que faz algumas críticas e acusações a respeito de como as coisas aconteceram no processo de construção de chapas para as eleições do Sindicato dos Jornalistas. Com relação aos fatos, cabe esclarecer:

1 – O processo de discussão foi democrático, com a realização de plenárias em todas as regiões do estado, nas quais os jornalistas deliberaram sobre propostas que, inclusive, fazem parte do programa da chapa que acabou se formando.

2 – Se o processo não avançou para uma chapa de consenso foi porque havia pensamentos divergentes e sentiu-se a necessidade de construir um grupo afinado com interesses comuns. Não existe obrigatoriedade para a existência de uma única chapa. É natural e legítimo que as pessoas se aglutinem em torno de propostas semelhantes. Foi o que aconteceu.

3 - É estranho que as pessoas que assinam o manifesto – muitas delas atuais diretores - tenham esperado estes dias pré-eleitorais para lançar estas denúncias. Por que não o fizeram antes?

5 - Não consideramos justo que estes elementos de denúncia tenham sido jogados ao vento desta forma e nesse momento, quando tudo poderia ter sido discutido às claras, democraticamente, como bem orienta a grande política.

6 – O que fica parecendo é que o valoroso grupo que ficou de fora da direção – por não ter conseguido formar uma chapa – está apenas querendo obscurecer o processo eleitoral, infelizmente no melhor estilo da pequena política.

7 – Da nossa parte, reiteramos a decisão de fazer parte da chapa que hoje disputa a eleição, porque compreendemos que há o firme compromisso de atuar no sindicato no sentido de defender os interesses da categoria, para além das disputas pessoais ou divergências políticas menores. E para isso aqui estamos, dispostos a trabalhar e lutar.

8 - Todas as informações e denúncias colocadas no manifesto, esperamos que sejam debatidas de forma franca e aberta ao longo dos próximos meses e nos fóruns da categoria, senão este manifesto divulgado agora perde todo o sentido.

9 – Por fim, mantemos a posição de seguir nosso trabalho e disputar as políticas sempre de forma aberta, libertária e generosa. Para isso, conclamamos aos colegas a participar do processo eleitoral, depositar seu voto de confiança em quem está disposto à luta, de fato, para que a nossa categoria possa lograr vitórias e permanecer unida. Toda a disputa de idéias precisa ser feita nos fóruns da categoria, de maneira livre e aberta. Assim podemos construir. Fora desse campo, é só vaidade!

Chapa 1 - Sindicato Forte Sindicato Presente

quinta-feira, 24 de julho de 2008

For those about to rock...

Sem motivo, lembrei de 1985...
Ok, talvez tenha sido pela notícia que o velho AC/DC está de volta e lança novo álbum - "Black Ice" - em outubro próximo. Tava mais do que na hora.

Tomara que a nova tour passe pelo Brasil. Só os vi na tour no "Ballbreaker", em Curitiba, no já distante 1996.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Soluções técnicas

O problema citado anteriormente está resolvido. Contei com a colaboração sempre precisa do colega Alexandre Gonçalves. Em menos de cinco minutos, ele "deu um banho". Esta é a diferença entre saber e tentar fazer. :)

Ficam aqui meus agradecimentos.

Problemas técnicos - Ou de peopleware?

Recebi uma dica hoje à tarde de uma leitora do blog. Ela me deu a idéia de incluir aqui aquela ferramenta de "Enviar esta postagem" para terceiros. Estou há meia hora reconfigurando tudo, mas quem diz que o ícone aparece? e que o sistema me obedece?

Das duas uma: ou este blog é prá lá de temperamental ou eu sou mesmo um péssimo blogueiro (existe esta palavra, afinal de contas?).

De qualquer modo, agradeço novamente a sugestão. Realmente, é bastante prático o modo de recomendar determinados posts para outras pessoas. Uma pena que aqui, pelo visto, vamos ficar devendo o serviço. :(

terça-feira, 15 de julho de 2008

O primeiro debate a gente nunca esquece

Cinco dias depois, finalmente vou comentar o primeiro debate dos candidatos a prefeito de Florianópolis. É, já está virando hábito: em plena era do imediatismo da Internet, os posts deste blog vêm sendo sempre criados com atraso. Desta vez foi a correria do jornal e uma viagem para Jundiaí, onde fui ver a "titular da pasta". O segundo motivo, claro, muito mais importante do que este comentário aqui.. mas, vamos ao que interessa...

Ao menos, eu não era o único estreiante em debates. Pelo menos três candidatos - Angela Albino (PC do B), César Souza Júnior (DEM) e Nildomar "Nildão" Freire (PT) - fizeram, na noite da última quinta-feira, seu debut ao vivo e a cores na tela da TV Barriga Verde. Isso, de certo modo, me deu uma falsa segurança de que não passaria vergonha sozinho. Preparei horas antes - com a consultoria da editora de Política do jornal Notícias do Dia, Ludmila Souza, e do colunista Paulo Alceu - três questões para cada um dos candidatos.

Cheguei na sede da emissora já sabendo que não contaria com a ajuda dos colegas vinculados ao grupo RBS. Sei lá os motivos, mas a empresa gaúcha não participa de debates que sejam promovidos por seus concorrentes. Uma pena. Todos saem perdendo: os veículos de comunicação, os partidos e, principalmente, os eleitores. Afinal, quanto mais opiniões diferentes, ainda mais em um tema como eleições, melhor.

Pode ser inocência de principiante, mas estranhei o fato de estarem lá somente as militâncias do PT e do PC do B. Será que PMDB e PP já se consideram no segundo turno? será que estes tradicionais partidos não estão com suas respectivas militâncias tão afinadas? De qualquer modo, se fosse para eleger um vitorioso no embate entre torcidas, meu voto iria para a do PC do B. Integrado por membros da União da Juventude Socialista (UJS), o grupo fez barulho o tempo todo. Festejaram com entusiasmo a chegada do candidato à vice-prefeito da chapa, Tico Lacerda (PDT). Era só um ensaio para a entrada da vereadora Angela Albino, minutos depois. A turma desceu até a entrada do estacionamento para buscá-la. Foi trazida até a porta do prédio cercada pelos militantes como se eleita já estivesse. "Ousa lutar, ousa vencer, Juventude com Angela no poder" era o grito de guerra, entoado em uníssono.

Fotos: Edu Cavalcanti

Transparência: sorteio de perguntas e ordem dos candidatos marcou o debate

De modo bem mais discreto, Afrânio Boppré (PSOL), Souza Júnior e Amin já estavam no interior da emissora. Nildão e o prefeito Dário Berger chegariam logo em seguida. No estúdio, mais tarde, preparativos finais e o primeiro duelo oficial teve início. Ironicamente, o primeiro (dos vários sorteios) definiu a ordem em que os concorrentes ficariam dispostos no cenário. Acabaram se sentando em ordem quase perfeita os representantes da esquerda e direita. O partido mais radical do grupo, PSOL, na extrema esquerda, com o PC do B (um radical moderado) ao seu lado, com o PT (praticamente uma esquerda de centro) em seguida. A linha continuava com o PP, DEM e PMDB. Entre estes, teoricamente, a ordem correta seria PMDB, PP e DEM, caso as ideologias políticas ainda existissem neste País.

Depois de uma longa e cansativa série de mensagens do dono da Barriga Verde e de representantes da Justiça Eleitoral, o bloco inicial foi marcado por questões gravadas da população aos candidatos. Boppré, por coincidência, sorteou a pergunta do seu irmão, Norton, presidente do Figueirense, que esperava o apoio dos inscritos ao pleito do clube em ser uma das sedes da próxima Copa do Mundo de futebol. Outro destaque veio com Nildão, que fez o primeiro dos vários ataques dos quais o atual prefeito seria alvo. O petista questionou o excesso de obras voltadas para avenidas e túneis. Souza Júnior, apesar de representar uma sigla da Tríplice Aliança, portanto parceira do PMDB, não perdoou Berger e lembrou do atraso na conclusão da Beira-Mar do Continente. Angela estocou o prefeito ao lembrar da saúde do município e Boppré voltou ao tema trânsito, tecendo um comentário mais duro quanto aos elevados construídos pela atual gestão.

No segundo bloco os candidatos fariam perguntas uns aos outros. Angela foi a primeira a lembrar da Operação Moeda Verde e Amin, apesar de questionar Boppré, acabou atacando Berger. O clima esquentou quando Boppré indagou o prefeito sobre a necessidade de abrir uma concorrência pública para o sistema de transporte coletivo da cidade. E Berger voltou a ser esmurrado quando Souza Júnior fez sua pergunta para Angela. Nervoso, o bode expiatório da noite chegou a pedir direito de resposta, que acabou não recebendo.

A quarta série marcou a entrada dos jornalistas no ringue. Eu estava ao lado de dois colegas da emissora e do professor Laudelino José Sardá, um dos ícones do jornalismo local. Garanto que eu só não estava mais nervoso do que o prefeito. Por sinal, ele pediu um segundo direito de resposta e, outra vez, não teve sucesso. Com outros sorteios, minhas questões foram para Souza Júnior, Nildão e Amin. O primeiro, disse que, para levantar mais fundos para os cofres públicos, pretende rever a atual estrutura de secretarias e autarquias. Mas negou que vá demitir funcionários. Não pude, pelo regulamento, questionar qual será a fórmula mágica para gerar economia sem fechar postos de trabalho.

O segundo foi político como sempre. Indaguei se, em uma eventual eleição, Amin não teria problemas ao coexistir com seu inimigo declarado, o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). O ex-prefeito e ex-governador saiu pela tangente citando que crê em algo como trabalho conjunto pelo bem de todos. Então tá. Confesso que fiquei ligeiramente decepcionado com Nildão. Simplesmente não respondeu minha dúvida de como faria, caso eleito fosse, para comandar uma capital sem ter a maioria na Câmara dos Vereadores. Ele alegou que prefere aguardar o resultado das eleições. Mas não comprovou se terá chances de alcançar a maioria. Não terá.


Réplica: "mas candidato, o senhor não respondeu minha pergunta"

Para o quarto bloco, os candidatos responderam sobre temas de governo. E aí já se via claramente que dois deles ficariam com o título de vencedores do debate caso surgisse a necessidade de definir os melhores. Amin e Angela se saíram melhor do que os concorrentes. Ele usou e abusou da vasta experiência em campanhas. Ela usou e abusou do carisma e do raciocínio rápido para demonstrar preparo e conhecimento. Isso, creio, surpreendeu muita gente.

A série final foi marcada pelas mensagens de cada um dos políticos para os telespectadores. Neste ponto, achei Souza Júnior um tanto quanto vago, com um discurso cheio de lugares-comuns, apesar de ele ter amplo domínio ao falar para a câmara, fruto óbvio de seu trabalho como comunicador. Nildão tem potencial, mas se prendeu ao velho costume do PT em ficar exaltando o governo Lula. Ok, ele é o símbolo do partido, mas a eleição é municipal! Boppré mostrou um bom discurso, porém lhe falta carisma. E Berger? O prefeito não soube reagir às críticas. A impressão era de que ele levou tudo pelo lado pessoal. Acabou não conseguindo expor suas propostas, pois ficou na defensiva demais, mas sem poder de contra-atacar. Uma pena para ele e para a campanha.

De qualquer modo, foi só a rodada primeira. Outros debates virão, além da campanha na rádio e na televisão. Ainda não se pode indicar favoritos. É tudo muito prematuro. A única certeza é de que será uma campanha histórica.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

As eleições de 2008 e o samba do manézinho doido

Depois de muita espera o cenário das eleições em Florianópolis está praticamente fechado. O balanço que se pode fazer após as convenções é que não é possível apontar favoritos com total certeza. O pleito de 2008 é, certamente, o mais imprevisível da história da capital catarinense.

Tradicionalmente, a cidade sempre teve dois pólos, duas forças hegemônicas. O único resultado surpreendente foi a chegada da esquerda ao poder, com Sérgio Grando e Afrânio Boppré, entre 1993 e 1997. Há quem diga que a eleição deste ano será outra vez polarizada, entre o prefeito Dário Berger (PMDB) e Esperidião Amin (PP), cujos partidos são representantes das oligarquias que sempre controlaram o município.

O primeiro por ter a "máquina na mão" e o apoio do governador Luiz Henrique da Silveira, também do PMDB e rival eterno de Amin. O segundo, por sua história, pelas duas vezes que foi prefeito e outras duas que governou o Estado. É a liderança do momento contra um líder histórico. Mas concordo mais com aqueles que vêem nos chamados emergentes como um fator que pode jogar água na teoria da bipolaridade.

César Sousa Júnior, deputado estadual de primeiro mandato, pode até não ter experiência política ainda. Mas tem berço. Filho de um carismático ex-deputado e apresentador de TV, mantém um programa diário em uma rádio, age, como seu progenitor, para agradar diretamente às classes de menor poder aquisitivo. Puro assistencialismo, dizem os rivais. Não importa. Isso funciona na hora de ganhar votos.

Seu partido, o DEM, obviamente, aposta suas fichas na candidatura de César Júnior. Na convenção do último domingo o clima era de convenção nos Estados Unidos. Foi, de longe, a mais luxuosa de todas. Reflexo talvez, da viagem do senador Raimundo Colombo, líder da sigla em Santa Catarina, aos Estados Unidos, onde acompanhou eventos semelhantes dos Democratas de lá. Colombo retornou empolgado e impressionado com os discursos de Barack Obama e a estrutura das prévias.

Além disso, César Júnior tem Walter da Luz como vice. Um dos vereadores mais carismáticos da cidade, ele é do PSDB e os tucanos querem Florianópolis há tempos. Ainda mais que 2010 vem aí e quem ganhar a prefeitura da Capital tem uma vantagem a mais para as eleições ao governo estadual.

A esquerda alega que o nome dos democratas não é renovação, pois representa uma das legendas hegemônicas da direita. Este argumento, com toda a certeza, será repetido durante a campanha do petista Nildomar Freire, o Nildão, e de Angela Albino (PC do B). Estas duas candidaturas entram na briga cometendo um erro: não estarão unidos. A força que teriam se estivessem lado a lado, e trazendo PV e PDT, com quem coligaram, seria muito maior. O PT vai apostar no fato de, pela primeira vez, estar unido internamente. Todas as correntes do partido viram no ex-vereador Nildão o nome que nunca os consolidou até hoje. O PC do B, ainda uma sigla de poucas dimensões por aqui, terá no carisma, na inteligência e no bom desempenho de Angela Albino na Câmara (e nas pesquisas eleitorais) a grande chance de se firmar.

Com todo o respeito, o PSOL de Afrânio Boppré e o PTC de Elpídio Neves têm poucas chances de chegar ao segundo turno. Porém, serão de importância no segundo e decisivo turno. Agora, quem se arrisca a apontar quais candidatos vão para o embate final? Berger já fala até nas obras do PAC no Maciço do Morro da Cruz como uma conquista da sua gestão. "Mas o povo sabe quem é que liberou o PAC para Florianópolis", me disse a senadora Ideli Salvati no ato que, na última segunda-feira, selou a coligação do PT com o PV, sigla que mais cresceu em Florianópolis no ano passado e obteve uma expressiva votação na eleição anterior. A perspectiva de uma parceria ainda mais forte com o governo federal, é claro, vai ser um dos nortes no discurso de Nildão.

Enquanto isso, Angela Albino e o mesmo PT vão se pronunciar como a chance de renovação. César Júnior deve apostar no fator "juventude" e na presença dos tradicionais nomes do DEM: Colombo, Jorge e Paulinho Bornhausen, além de outros democratas que despontam no País, como Rodrigo Maia.

E depois da famigerada Operação Moeda Verde, não há um candidato que não fale em desenvolvimento sustentável. A começar pelo prefeito, que foi inicialmente acusado no escândalo e depois absolvido. Não por acaso, seu vice é João Batista Nunes (PR), idealizador do projeto do Defeso da Bacia do Itacorubi, que prevê a proibição de novas construções nos bairros da região até a conclusão do novo Plano Diretor.

É o samba do manezinho doido, não resta dúvida. Muitos elementos e possibilidades. A partir de agora, quando a campanha ganha corpo e vai às ruas, muitas outras variáveis vão se somar ao cenário. Creio que falar em favoritos com alguma chance de acertar só lá por meados de setembro.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Abaixo a ditadura!

Li hoje um post no blog do jornalista José Luiz Teixeira com o qual concordo plenamente. O colega questiona suas leitoras sobre os motivos delas e as demais mulheres se renderem à ditadura da chapinha, como pode ser lido neste link.

Como bom argumento, Teixeira apresenta fotos de beldades como Rita Hayworth, Sophia Loren, Elizabeth Taylor e Grace Kelly, entre outras musas, todas com os cabelos encaracolados. Ele pergunta se é possível imaginar tais ícones da beleza feminina com as madeixas alisadas. Certamente, as moças da atualidade terão vários contra-argumentos.

Mas quem diabos determina que cabelo assim ou assado é o que agrada a nós homens? É o mesmo caso das curvas ou, na verdade, da falta delas. Onde é que está escrito que nós homens heterosexuais gostamos de mulheres magrelas, tão retas quanto aquelas auto-estradas norte-americanas que ligam nada ao lugar nenhum? Acho até que já fiz esta pergunta neste blog, mas perguntar não ofende.

É, Teixeira, abaixo a chapinha e abaixo toda e qualquer tendência da moda que obrigue nossas musas a serem diametralmente opostas ao que nos agrada.