Desde ontem circula oficialmente em caixas de
e-mail privadas e nas das redações o sinal de que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina está rachado. Se bem que o colega Cesar Valente já havia citado a tal ruptura
em sua coluna do último sábado.
O primeiro texto chegou ontem na redação do jornal Notícias do Dia. O segundo, hoje. De um lado, um extenso grupo de colegas, muitos deles ex-integrantes do sindicato. Fazem acusações preocupantes contra a atual chapa que dirige o SJPSC (leia a íntegra da nota mais abaixo). Em outro, está a maior parte da direção, que se inscreveu para a reeleição. Trata-se de uma chapa única, que deve ser ratificada pelos colegas na eleição do dia 6 de agosto. É a primeira vez desde o fim dos anos 70 que a categoria se vê dividida na hora de escolher seus representantes.
Tenho amigos nos dois lados. Não sei quem tem razão, mas lamento profundamente que a situação tenha chegado a tal ponto. Penso que seria melhor uma segunda chapa do que este tipo de ato. Revela apenas que a categoria é, mesmo, desunida. E faço o
mea culpa, sou o primeiro a não ir nas assembléias promovidas pela entidade. Não importam os motivos de cada um, mas é por estas e outras que os patrões pintam e bordam com nosso "piso" salarial e nossas condições de trabalho.
Posso - e prefiro - estar muito enganado. Mas não há como não ver a situação com olhos de repórter. De repórter que cobre política. Fica, prá mim, clara uma picuinha de origem político-partidária neste imbróglio todo. Boa parte dos que reclamam são e sempre foram alinhados ao PT. No outro lado, o atual vice-presidente sempre foi filiado ao PCdoB, sigla que, recentemente, recebeu a ficha de filiação do atual presidente do SJPSC. Como PT e PCdoB estão, depois de muitas eleições, oficialmente de relações rompidas em Florianópolis... bom, dois e dois são vinte e dois.
Este impasse precisa ser melhor esclarecido. Não dá é para a categoria ficar à mercê de e-mails de ataque e defesa. Era só o que nos faltava.
Um lado:MANIFESTO DE ESCLARECIMENTO AOS JORNALISTAS DE SCSindicato forte é Sindicato de e para todos
A respeito das eleições para o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que acontecem no dia 6 de agosto, os abaixo-assinados vêm a público fazer os seguintes esclarecimentos:
1. A chapa única que concorre ao SJSC não expressa a unidade que tentamos construir. Entendíamos que este processo deveria ser mais amplo e coroado com uma plenária estadual de definição da chapa. Entretanto, quem capitaneou a formação da atual chapa única para o SJSC sempre rejeitou tal proposta.
2. Mesmo assim, e como nosso objetivo, fraterno e sincero, era a construção democrática de uma chapa que expressasse a unidade do movimento dos Jornalistas em nosso estado, continuamos participando no esforço de construir uma alternativa unitária junto aos que lideraram a formação da atual chapa única. Na última plenária, realizada em Florianópolis, aceitamos indicar representantes para uma comissão que definiria a constituição da chapa entre aqueles colegas que haviam oferecido seus nomes nas plenárias.
3. Entretanto, esse processo foi bruscamente interrompido a poucos dias do prazo de inscrições de chapas, por intransigência dos que lideraram a formação da atual chapa na tal comissão. Eles não se contentaram em exigir a indicação à Presidência, Vice-Presidência e Tesouraria, o que, na prática, significaria o prosseguimento de uma única posição política a ditar os rumos cotidianos de nossa entidade. Também vetaram nomes e passaram a impor quem aceitariam ou não na chapa, desprezando as discussões anteriores e inviabilizando a construção de uma diretoria que expressasse a heterogeneidade e riqueza de visões presentes em nosso movimento.
4. Por isso, alertamos os colegas que, apesar do processo eleitoral do SJSC ter uma única chapa inscrita, ela não é expressão da construção democrática que defendíamos: verdadeiramente unitária, sem interesses político-partidários e posturas autoritárias, e representativa da diversidade da nossa categoria. Embora tenhamos razoável identidade programática com a chapa inscrita, ela foi montada com determinadas práticas e métodos com os quais não podemos conciliar.
5. Aproveitamos para esclarecer que tal chapa inclui vários valorosos companheiros, que optaram por apoiar a proposta daquele grupo, decisão que respeitamos, mas com a qual não podemos concordar.
6. Vamos prosseguir defendendo o fortalecimento de nossa entidade e de nossas lutas por dignidade e respeito profissional. Neste sentido, reafirmamos nosso compromisso de luta por melhores condições de trabalho e salários, fiscalização do exercício da profissão e respeito às relações trabalhistas, gestão sindical democrática e transparente com presença em todo o Estado, inserção no movimento sindical nacional da categoria e na política geral do país, defesa da regulamentação, formação, atualização e ética profissionais e da democratização da comunicação.
7. Finalmente, convidamos todos os nossos colegas a, mais do que nunca, participarem ativamente e fortalecerem o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Afinal, movimento sindical não se faz apenas com a ocupação de cargos na direção de uma entidade, como já mostrou o movimento que, na década de 80, resgatou nossa entidade do imobilismo, do qual muitos de nós participamos. O Sindicato somos nós!
ASSINAM:
1. Adauri Antunes – Jornalista
2. Aderbal Filho – Ex-diretor do SJSC
3. Adriane Canan – Diretora do SJSC
4. Ayrton Kanitz – 1o candidato a presidente do SJSC pelo MOS e ex-integrante da Comissão Nacional de Ética
5. Aureo Moraes – Ex-diretor do SJSC
6. Celso Vicenzi – Ex-presidente do SJSC
7. Cláudia Sanz – Diretora do SJSC
8. Daniella Haendchen - Jornalista
9. Denise Christians – Jornalista
10. Doroti Port – Jornalista
11. Eduardo Marques – Repórter Fotográfico
12. Eduardo Meditsch – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC
13. Elaine Borges – Integrante da Comissão de Ética/SC
14. Fernando Crócomo - Jornalista
15. Francisco Karam – Ex-integrante da Comissão de Ética/SC e da Comissão Nacional de Ética
16. Gastão Cassel – Ex-diretor do SJSC
17. Hermínio Nunes – Ex-diretor do SJSC
18. Ivan Giacomelli – Ex-diretor do SJSC
19. Laudelino José Sarda – Jornalista
20. Lena Obst – Jornalista
22. Luis Fernando Assunção – Ex-presidente do SJSC
23. Márcia Barentin da Costa – Ex-diretora do SJSC
24. Maria José Baldessar – Ex-diretora do SJSC
25. Mário Medaglia – Jornalista
26. Mário Xavier Antunes de Oliveira – Integrante da Comissão de Ética/SC
27. Mylene Margarida – Ex-diretora do SJSC
28. Orestes Araújo – Ex-diretor do SJSC
29. Osvaldo Nocetti – Repórter Fotográfico
30. Rogério Cristofoletti – Ex-vice-presidente do SJSC
31. Sandra Werle – Ex-diretora do SJSC
32. Samuel Pantoja Lima – Jornalista
33. Suely Aguiar - Jornalista
34. Sara Caprário – Jornalista
35. Silvio Pereira dos Santos - Jornalista
36. Suzete Antunes – Ex-diretora do SJSC
37. Tânia Machado – Jornalista
38. Terezinha Silva - Jornalista
39. Tina Braga – Ex-diretora do SJSC
40. Valci Zuculoto – Diretora do SJSC
41. Valdir Cachoeira – Ex-diretor do SJSC
42. Valentina Nunes – Jornalista
43. Vanessa Campos – Jornalista
Outro lado:As eleições no Sindicato dos Jornalistas Caros jornalistas,
Circulou pela rede um manifesto assinado por vários colegas que faz algumas críticas e acusações a respeito de como as coisas aconteceram no processo de construção de chapas para as eleições do Sindicato dos Jornalistas. Com relação aos fatos, cabe esclarecer:
1 – O processo de discussão foi democrático, com a realização de plenárias em todas as regiões do estado, nas quais os jornalistas deliberaram sobre propostas que, inclusive, fazem parte do programa da chapa que acabou se formando.
2 – Se o processo não avançou para uma chapa de consenso foi porque havia pensamentos divergentes e sentiu-se a necessidade de construir um grupo afinado com interesses comuns. Não existe obrigatoriedade para a existência de uma única chapa. É natural e legítimo que as pessoas se aglutinem em torno de propostas semelhantes. Foi o que aconteceu.
3 - É estranho que as pessoas que assinam o manifesto – muitas delas atuais diretores - tenham esperado estes dias pré-eleitorais para lançar estas denúncias. Por que não o fizeram antes?
5 - Não consideramos justo que estes elementos de denúncia tenham sido jogados ao vento desta forma e nesse momento, quando tudo poderia ter sido discutido às claras, democraticamente, como bem orienta a grande política.
6 – O que fica parecendo é que o valoroso grupo que ficou de fora da direção – por não ter conseguido formar uma chapa – está apenas querendo obscurecer o processo eleitoral, infelizmente no melhor estilo da pequena política.
7 – Da nossa parte, reiteramos a decisão de fazer parte da chapa que hoje disputa a eleição, porque compreendemos que há o firme compromisso de atuar no sindicato no sentido de defender os interesses da categoria, para além das disputas pessoais ou divergências políticas menores. E para isso aqui estamos, dispostos a trabalhar e lutar.
8 - Todas as informações e denúncias colocadas no manifesto, esperamos que sejam debatidas de forma franca e aberta ao longo dos próximos meses e nos fóruns da categoria, senão este manifesto divulgado agora perde todo o sentido.
9 – Por fim, mantemos a posição de seguir nosso trabalho e disputar as políticas sempre de forma aberta, libertária e generosa. Para isso, conclamamos aos colegas a participar do processo eleitoral, depositar seu voto de confiança em quem está disposto à luta, de fato, para que a nossa categoria possa lograr vitórias e permanecer unida. Toda a disputa de idéias precisa ser feita nos fóruns da categoria, de maneira livre e aberta. Assim podemos construir. Fora desse campo, é só vaidade!
Chapa 1 - Sindicato Forte Sindicato Presente