quinta-feira, 17 de julho de 2008

Soluções técnicas

O problema citado anteriormente está resolvido. Contei com a colaboração sempre precisa do colega Alexandre Gonçalves. Em menos de cinco minutos, ele "deu um banho". Esta é a diferença entre saber e tentar fazer. :)

Ficam aqui meus agradecimentos.

Problemas técnicos - Ou de peopleware?

Recebi uma dica hoje à tarde de uma leitora do blog. Ela me deu a idéia de incluir aqui aquela ferramenta de "Enviar esta postagem" para terceiros. Estou há meia hora reconfigurando tudo, mas quem diz que o ícone aparece? e que o sistema me obedece?

Das duas uma: ou este blog é prá lá de temperamental ou eu sou mesmo um péssimo blogueiro (existe esta palavra, afinal de contas?).

De qualquer modo, agradeço novamente a sugestão. Realmente, é bastante prático o modo de recomendar determinados posts para outras pessoas. Uma pena que aqui, pelo visto, vamos ficar devendo o serviço. :(

terça-feira, 15 de julho de 2008

O primeiro debate a gente nunca esquece

Cinco dias depois, finalmente vou comentar o primeiro debate dos candidatos a prefeito de Florianópolis. É, já está virando hábito: em plena era do imediatismo da Internet, os posts deste blog vêm sendo sempre criados com atraso. Desta vez foi a correria do jornal e uma viagem para Jundiaí, onde fui ver a "titular da pasta". O segundo motivo, claro, muito mais importante do que este comentário aqui.. mas, vamos ao que interessa...

Ao menos, eu não era o único estreiante em debates. Pelo menos três candidatos - Angela Albino (PC do B), César Souza Júnior (DEM) e Nildomar "Nildão" Freire (PT) - fizeram, na noite da última quinta-feira, seu debut ao vivo e a cores na tela da TV Barriga Verde. Isso, de certo modo, me deu uma falsa segurança de que não passaria vergonha sozinho. Preparei horas antes - com a consultoria da editora de Política do jornal Notícias do Dia, Ludmila Souza, e do colunista Paulo Alceu - três questões para cada um dos candidatos.

Cheguei na sede da emissora já sabendo que não contaria com a ajuda dos colegas vinculados ao grupo RBS. Sei lá os motivos, mas a empresa gaúcha não participa de debates que sejam promovidos por seus concorrentes. Uma pena. Todos saem perdendo: os veículos de comunicação, os partidos e, principalmente, os eleitores. Afinal, quanto mais opiniões diferentes, ainda mais em um tema como eleições, melhor.

Pode ser inocência de principiante, mas estranhei o fato de estarem lá somente as militâncias do PT e do PC do B. Será que PMDB e PP já se consideram no segundo turno? será que estes tradicionais partidos não estão com suas respectivas militâncias tão afinadas? De qualquer modo, se fosse para eleger um vitorioso no embate entre torcidas, meu voto iria para a do PC do B. Integrado por membros da União da Juventude Socialista (UJS), o grupo fez barulho o tempo todo. Festejaram com entusiasmo a chegada do candidato à vice-prefeito da chapa, Tico Lacerda (PDT). Era só um ensaio para a entrada da vereadora Angela Albino, minutos depois. A turma desceu até a entrada do estacionamento para buscá-la. Foi trazida até a porta do prédio cercada pelos militantes como se eleita já estivesse. "Ousa lutar, ousa vencer, Juventude com Angela no poder" era o grito de guerra, entoado em uníssono.

Fotos: Edu Cavalcanti

Transparência: sorteio de perguntas e ordem dos candidatos marcou o debate

De modo bem mais discreto, Afrânio Boppré (PSOL), Souza Júnior e Amin já estavam no interior da emissora. Nildão e o prefeito Dário Berger chegariam logo em seguida. No estúdio, mais tarde, preparativos finais e o primeiro duelo oficial teve início. Ironicamente, o primeiro (dos vários sorteios) definiu a ordem em que os concorrentes ficariam dispostos no cenário. Acabaram se sentando em ordem quase perfeita os representantes da esquerda e direita. O partido mais radical do grupo, PSOL, na extrema esquerda, com o PC do B (um radical moderado) ao seu lado, com o PT (praticamente uma esquerda de centro) em seguida. A linha continuava com o PP, DEM e PMDB. Entre estes, teoricamente, a ordem correta seria PMDB, PP e DEM, caso as ideologias políticas ainda existissem neste País.

Depois de uma longa e cansativa série de mensagens do dono da Barriga Verde e de representantes da Justiça Eleitoral, o bloco inicial foi marcado por questões gravadas da população aos candidatos. Boppré, por coincidência, sorteou a pergunta do seu irmão, Norton, presidente do Figueirense, que esperava o apoio dos inscritos ao pleito do clube em ser uma das sedes da próxima Copa do Mundo de futebol. Outro destaque veio com Nildão, que fez o primeiro dos vários ataques dos quais o atual prefeito seria alvo. O petista questionou o excesso de obras voltadas para avenidas e túneis. Souza Júnior, apesar de representar uma sigla da Tríplice Aliança, portanto parceira do PMDB, não perdoou Berger e lembrou do atraso na conclusão da Beira-Mar do Continente. Angela estocou o prefeito ao lembrar da saúde do município e Boppré voltou ao tema trânsito, tecendo um comentário mais duro quanto aos elevados construídos pela atual gestão.

No segundo bloco os candidatos fariam perguntas uns aos outros. Angela foi a primeira a lembrar da Operação Moeda Verde e Amin, apesar de questionar Boppré, acabou atacando Berger. O clima esquentou quando Boppré indagou o prefeito sobre a necessidade de abrir uma concorrência pública para o sistema de transporte coletivo da cidade. E Berger voltou a ser esmurrado quando Souza Júnior fez sua pergunta para Angela. Nervoso, o bode expiatório da noite chegou a pedir direito de resposta, que acabou não recebendo.

A quarta série marcou a entrada dos jornalistas no ringue. Eu estava ao lado de dois colegas da emissora e do professor Laudelino José Sardá, um dos ícones do jornalismo local. Garanto que eu só não estava mais nervoso do que o prefeito. Por sinal, ele pediu um segundo direito de resposta e, outra vez, não teve sucesso. Com outros sorteios, minhas questões foram para Souza Júnior, Nildão e Amin. O primeiro, disse que, para levantar mais fundos para os cofres públicos, pretende rever a atual estrutura de secretarias e autarquias. Mas negou que vá demitir funcionários. Não pude, pelo regulamento, questionar qual será a fórmula mágica para gerar economia sem fechar postos de trabalho.

O segundo foi político como sempre. Indaguei se, em uma eventual eleição, Amin não teria problemas ao coexistir com seu inimigo declarado, o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). O ex-prefeito e ex-governador saiu pela tangente citando que crê em algo como trabalho conjunto pelo bem de todos. Então tá. Confesso que fiquei ligeiramente decepcionado com Nildão. Simplesmente não respondeu minha dúvida de como faria, caso eleito fosse, para comandar uma capital sem ter a maioria na Câmara dos Vereadores. Ele alegou que prefere aguardar o resultado das eleições. Mas não comprovou se terá chances de alcançar a maioria. Não terá.


Réplica: "mas candidato, o senhor não respondeu minha pergunta"

Para o quarto bloco, os candidatos responderam sobre temas de governo. E aí já se via claramente que dois deles ficariam com o título de vencedores do debate caso surgisse a necessidade de definir os melhores. Amin e Angela se saíram melhor do que os concorrentes. Ele usou e abusou da vasta experiência em campanhas. Ela usou e abusou do carisma e do raciocínio rápido para demonstrar preparo e conhecimento. Isso, creio, surpreendeu muita gente.

A série final foi marcada pelas mensagens de cada um dos políticos para os telespectadores. Neste ponto, achei Souza Júnior um tanto quanto vago, com um discurso cheio de lugares-comuns, apesar de ele ter amplo domínio ao falar para a câmara, fruto óbvio de seu trabalho como comunicador. Nildão tem potencial, mas se prendeu ao velho costume do PT em ficar exaltando o governo Lula. Ok, ele é o símbolo do partido, mas a eleição é municipal! Boppré mostrou um bom discurso, porém lhe falta carisma. E Berger? O prefeito não soube reagir às críticas. A impressão era de que ele levou tudo pelo lado pessoal. Acabou não conseguindo expor suas propostas, pois ficou na defensiva demais, mas sem poder de contra-atacar. Uma pena para ele e para a campanha.

De qualquer modo, foi só a rodada primeira. Outros debates virão, além da campanha na rádio e na televisão. Ainda não se pode indicar favoritos. É tudo muito prematuro. A única certeza é de que será uma campanha histórica.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

As eleições de 2008 e o samba do manézinho doido

Depois de muita espera o cenário das eleições em Florianópolis está praticamente fechado. O balanço que se pode fazer após as convenções é que não é possível apontar favoritos com total certeza. O pleito de 2008 é, certamente, o mais imprevisível da história da capital catarinense.

Tradicionalmente, a cidade sempre teve dois pólos, duas forças hegemônicas. O único resultado surpreendente foi a chegada da esquerda ao poder, com Sérgio Grando e Afrânio Boppré, entre 1993 e 1997. Há quem diga que a eleição deste ano será outra vez polarizada, entre o prefeito Dário Berger (PMDB) e Esperidião Amin (PP), cujos partidos são representantes das oligarquias que sempre controlaram o município.

O primeiro por ter a "máquina na mão" e o apoio do governador Luiz Henrique da Silveira, também do PMDB e rival eterno de Amin. O segundo, por sua história, pelas duas vezes que foi prefeito e outras duas que governou o Estado. É a liderança do momento contra um líder histórico. Mas concordo mais com aqueles que vêem nos chamados emergentes como um fator que pode jogar água na teoria da bipolaridade.

César Sousa Júnior, deputado estadual de primeiro mandato, pode até não ter experiência política ainda. Mas tem berço. Filho de um carismático ex-deputado e apresentador de TV, mantém um programa diário em uma rádio, age, como seu progenitor, para agradar diretamente às classes de menor poder aquisitivo. Puro assistencialismo, dizem os rivais. Não importa. Isso funciona na hora de ganhar votos.

Seu partido, o DEM, obviamente, aposta suas fichas na candidatura de César Júnior. Na convenção do último domingo o clima era de convenção nos Estados Unidos. Foi, de longe, a mais luxuosa de todas. Reflexo talvez, da viagem do senador Raimundo Colombo, líder da sigla em Santa Catarina, aos Estados Unidos, onde acompanhou eventos semelhantes dos Democratas de lá. Colombo retornou empolgado e impressionado com os discursos de Barack Obama e a estrutura das prévias.

Além disso, César Júnior tem Walter da Luz como vice. Um dos vereadores mais carismáticos da cidade, ele é do PSDB e os tucanos querem Florianópolis há tempos. Ainda mais que 2010 vem aí e quem ganhar a prefeitura da Capital tem uma vantagem a mais para as eleições ao governo estadual.

A esquerda alega que o nome dos democratas não é renovação, pois representa uma das legendas hegemônicas da direita. Este argumento, com toda a certeza, será repetido durante a campanha do petista Nildomar Freire, o Nildão, e de Angela Albino (PC do B). Estas duas candidaturas entram na briga cometendo um erro: não estarão unidos. A força que teriam se estivessem lado a lado, e trazendo PV e PDT, com quem coligaram, seria muito maior. O PT vai apostar no fato de, pela primeira vez, estar unido internamente. Todas as correntes do partido viram no ex-vereador Nildão o nome que nunca os consolidou até hoje. O PC do B, ainda uma sigla de poucas dimensões por aqui, terá no carisma, na inteligência e no bom desempenho de Angela Albino na Câmara (e nas pesquisas eleitorais) a grande chance de se firmar.

Com todo o respeito, o PSOL de Afrânio Boppré e o PTC de Elpídio Neves têm poucas chances de chegar ao segundo turno. Porém, serão de importância no segundo e decisivo turno. Agora, quem se arrisca a apontar quais candidatos vão para o embate final? Berger já fala até nas obras do PAC no Maciço do Morro da Cruz como uma conquista da sua gestão. "Mas o povo sabe quem é que liberou o PAC para Florianópolis", me disse a senadora Ideli Salvati no ato que, na última segunda-feira, selou a coligação do PT com o PV, sigla que mais cresceu em Florianópolis no ano passado e obteve uma expressiva votação na eleição anterior. A perspectiva de uma parceria ainda mais forte com o governo federal, é claro, vai ser um dos nortes no discurso de Nildão.

Enquanto isso, Angela Albino e o mesmo PT vão se pronunciar como a chance de renovação. César Júnior deve apostar no fator "juventude" e na presença dos tradicionais nomes do DEM: Colombo, Jorge e Paulinho Bornhausen, além de outros democratas que despontam no País, como Rodrigo Maia.

E depois da famigerada Operação Moeda Verde, não há um candidato que não fale em desenvolvimento sustentável. A começar pelo prefeito, que foi inicialmente acusado no escândalo e depois absolvido. Não por acaso, seu vice é João Batista Nunes (PR), idealizador do projeto do Defeso da Bacia do Itacorubi, que prevê a proibição de novas construções nos bairros da região até a conclusão do novo Plano Diretor.

É o samba do manezinho doido, não resta dúvida. Muitos elementos e possibilidades. A partir de agora, quando a campanha ganha corpo e vai às ruas, muitas outras variáveis vão se somar ao cenário. Creio que falar em favoritos com alguma chance de acertar só lá por meados de setembro.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Abaixo a ditadura!

Li hoje um post no blog do jornalista José Luiz Teixeira com o qual concordo plenamente. O colega questiona suas leitoras sobre os motivos delas e as demais mulheres se renderem à ditadura da chapinha, como pode ser lido neste link.

Como bom argumento, Teixeira apresenta fotos de beldades como Rita Hayworth, Sophia Loren, Elizabeth Taylor e Grace Kelly, entre outras musas, todas com os cabelos encaracolados. Ele pergunta se é possível imaginar tais ícones da beleza feminina com as madeixas alisadas. Certamente, as moças da atualidade terão vários contra-argumentos.

Mas quem diabos determina que cabelo assim ou assado é o que agrada a nós homens? É o mesmo caso das curvas ou, na verdade, da falta delas. Onde é que está escrito que nós homens heterosexuais gostamos de mulheres magrelas, tão retas quanto aquelas auto-estradas norte-americanas que ligam nada ao lugar nenhum? Acho até que já fiz esta pergunta neste blog, mas perguntar não ofende.

É, Teixeira, abaixo a chapinha e abaixo toda e qualquer tendência da moda que obrigue nossas musas a serem diametralmente opostas ao que nos agrada.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Rescaldo do Iprev

Ontem a Assembléia Legislativa de Santa Catarina foi o palco do segundo round entre governo e servidores públicos, entre oposição e situação. O famigerado Iprev (o novo instituto de previdência do Estado) foi aprovado em dois turnos. O placar de 24 a 14 nas duas votações só confirmou o que todos nós da imprensa já sabíamos: o governo tem a maioria mesmo e vai sempre alcançar seus objetivos no parlamento.

Fotos: Edu Cavalcanti/Notícias do Dia

Protesto: Depois da invasão, clima continuou tenso

Durante todos estes meses que venho cobrindo o assunto tirei duas conclusões bastante óbvias: o governo fez pouco para atrair os servidores para o debate sobre o Iprev e os sindicatos radicalizaram ao evitar a discussão e simplesmente propor a retirada do projeto da pauta. Alegam que não foram convidados para o processo de elaboração do projeto. Sei lá, isto me soa como aqueles casos em que todos têm razão ou em que todos apenas defendem os próprios interesses. Conheço gente nos dois lados, tenho colegas e amigos nos dois lados, mas mantenho a opinião de que ambos erraram.


Opostos: o líder do governo, Herneus de Nadal (sentado), e o líder do PT, Pedro Uczai, sem debate

Sobre ontem, ficou evidenciada as precárias condições de trabalho no Plenário. Segurança pífia e um risco constante de uma tragédia. Novamente, as galerias foram facilmente invadidas. Houve agressões, socos, puxões de cabelo e três feridos. O erro foi no projeto do prédio. Isso nem adianta debater. Mas algo precisa ser visto pois, a cada novo debate polêmico, a situação vai acontecer novamente.


Estratégia: Mesmo instigado a ir para o debate, Manoel Mota, provavelmente orientado por Nadal, se calou

Radicalizaram os manifestantes? Sim, invadiram e começaram a bater nos vidros. Manifestar sim, mas e se quebrassem algum daqueles vidros? e se no tumulto algum idoso se machucasse? havia vários nas galerias. Quem arcaria com a responsabilidade? Radicalizaram os policiais que trabalham na segurança da Assembléia? Sim. Cumpriam o seu dever, mas há sempre truculência. E, reconheço, é muito fácil dizer isso. Será que são bem orientados aqueles policiais para ter uma reação menos agressiva e mais adequada para situações como a de ontem? Não eram marginais que fizeram a invasão, afinal de contas.

A bancada da oposição lamentou que os deputados governistas se abstiveram do debate. Ambos estão corretos. Os primeiros fazem o papel de oposição, têm mais é que chamar os adversários para a discussão, como Altair Silva (PP) fez ao "convidar" Manoel Mota (PMDB) para a tribuna. Mas, orientada pelo líder do governo, Herneus de Nadal, a bancada da situação se calou. Pelo clima exaltado no ar, foi prudente. Qualquer palavra seria vaiada e só instigaria ainda mais a multidão (3 mil segundo os manifestantes, 1500 de acordo com a polícia). O risco de atos ainda mais agressivos era imenso.


Humor: Até o Batman criticou o projeto do governo

Uma parte cômica foi a entrada de um servidor fantasiado de Batman. Versão local do Batman que invadiu a Câmara dos Vereadores em Joinville, dias atrás, criticando o aumento dos salários dos vereadores daquela cidade. O super-herói de ontem marcou presença e causou sensação. Por sinal, seu discurso para os repórteres demonstrou muita articulação, talvez o melhor de todos até agora.

Outra parte aconteceu comigo e o repórter fotográfico Edu Cavalcanti. Na hora de voltar para a redação, depois que o tumulto e a votação já haviam terminado, ao sair da Assembléia fomos alvo dos manifestantes. O carro do jornal é prateado, mesma cor dos veículos usados pelos parlamentares. Não deu outra, quando o povo viu o carro e o repórter usando um blazer acharam que eu era um "capacho", "puxa-saco", "mentiroso" e todas as outras "carícias" dirigidas aos parlamentares durante a sessão. É, certas coisas, só a profissão de jornalista faz por você.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Fotojornalismo

Precisando de FOTOJORNALISTA no interior de São Paulo ou em qualquer outro lugar do Brasil?

www.simonelins.com.br

Finalmente, Queensrÿche!

São 10 dias de atraso. Reconheço. O Dogman até cobrou um post sobre o show do Queensrÿche em São Paulo. Eu nem ia escrever nada para tentar evitar que este blog fique ligado tanto à música. Afinal, esta nunca foi a intenção quando eu comecei a escrevê-lo. Mas hoje, ouvindo - mais uma vez - o áudio daquela noite - ah, as maravilhas da tecnologia - decidi apertar a tecla fuck off!

Foi um investimento e tanto, em uma época na qual eu nem poderia ter aberto as reservas econômicas. Mas o Queensrÿche é uma das últimas que me faltavam ver ao vivo. Já perdi duas chances e sei lá se haverá uma nova oportunidade. Então, no último dia 16, uma sexta-feira, estava eu de volta ao Credicard Hall. Local de gratas lembranças, pelos vários shows que lá assisti e pela fase em que trabalhei na assessoria de imprensa da casa.

Fui com o brother Fausto Cabral que, outra vez, me hospedou. Na chegada, já tivemos a impressão de que o fracasso de público seria fato (impressão que não se confirmaria). Mas, também, nunca vi show em sexta-feira lotar em Sampa. Some-se isso à série de eventos na cidade - Iron Maiden, Ozzy Osborne, Whitesnake, antes, e Megadeth, U.D.O. e outros, depois - além dos preços exorbitante dos ingressos. Tenha como resultado, uma platéia pequena. Tudo culpa da irritante meia-entrada. País que precisa de assistencialismo é foda! A maior parte dos espectadores, quer seja estudante ou não, usa a tal carteirinha e, com isso, uma minoria precisa bancar R$ 120 para ver o show na pista.



Ao menos, não teve banda de abertura. Foi direto. "Best I Can", do mega-sucesso "Empire", abriu a noite puxando "NM 156" (do primeiro LP, "The Warning", de 1984) e "Screaming In Digital" (do "Rage For Order", de 1986). Isso só confirmou o que todos sabíamos, eles não iriam fazer no Brasil a tour com a íntegra dos álbuns "Operation: Mindcrime" e "Operation: Mindcrime II".



Deste últimos, vieram "Hostage" e "The Hands". Aí começou uma série de supresas para nós que acompanhamos a carreira do grupo de Seattle. "Bridge", do quase depressivo "Promided Land" (1994) e "The Killing Words", também de 1986, fizeram muitos da geração "Rock In Rio II" ficar sem entender nada. Para eles, "Another Rainy Night (Without You)" foi a salvação.



Particularmente, "Gonna Get Close To You" e "Walk In The Shadows" (ambas do "Rage For Order") já fizeram valer a viagem até São Paulo. E aí a turma foi ao delírio com uma versão para "Neon Knights", clássico do Black Sabbath. "Last Time In Paris" passou meio batida, pois foi a ponte para "Breaking The Silence" (um dos capítulos perfeitos de "Operation: Mindcrime"), a pinkfloydiana "Anibody Listening?" e "Jet City Woman", também do "Empire".



"Eyes of a Stranger", "The Lady Wore Black" (do primeiro EP do grupo, lançado no distante 1983), "Empire" e o hino "Take a Hold of the Flame", do "The Warning", concluíram a parte principal. O bis burocrático foi com "Silent Lucidity", a balada que rendeu milhões e levou o até então grupo heavy metal ao mainstream. Menininhas gritaram, marmanjos ficaram de olhos marejados e todo o ritual de praxe.



Como sempre, São Paulo foi o maior público da tournê. Cerca de 4 mil pessoas, contra irrisórias 300 cabeças em Curitiba, um pouco mais no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (nestas duas não chegou a mil pagantes). Buenos Aires, na Argentina, e Santiago, no Chile, onde terminou a excursão sul-americana, os números foram várias vezes superiores. Muita gente deixou de ir, no Brasil, por causa dos preços. É mais do que necessário rever esta questão da meia entrada.

Depois do show, ainda rolou um meet & greet. Graças à Juliana Negri, que foi a tour manager, e é minha amiga há anos, conseguimos, junto com o povo do fã-clube, encontrar os caras. Rolou foto e até uma camiseta autografada. A noite só não foi perfeita porquê perfeição, talvez, não exista.

Das bandas que realmente me interessam, agora só faltam Metallica e a formação clássica do Black Sabbath. Neste caso, algo pouco provável.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ficção ou realidade? II

Os funcionários assistiam pelo circuito interno a sessão daquela manhã ensolarada. Um calor estranho para aquele mês que já não era mais verão.

Séria e compenetrada, a parlamentar ralhava com os demais colegas. Olhando de cima para baixo, parecia a dona da situação. Nem seus cabelos ousavam se mover.

- Precisamos ser mais ágeis. Não podemos perder tempo, pois a carroça vai passar e vamos ficar. - Comentou.

Em outra sala, Fulano, um dos mais antigos membros da equipe de trabalhadores não se aguentou.
- Falou a mulher mais lenta do mundo. A dona dos discursos mais sonolentos. - Disse em alto e bom tom, sem medo de represálias, antes de soltar uma gargalhada que valeria a manhã de todos.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Operação: Queensrÿche

Sexta-feira, 16 de maio de 2008. Finalmente vou ver o Queensrÿche ao vivo. Perdi a chance na segunda edição do Rock In Rio e em uma outra tour deles pelo país. Esta foi traumática. Fui até Curitiba, com ingresso comprado, para descobrir que o festival fora cancelado. Mas, agora vai...

Já se sabe que eles NÃO vão fazer os shows que vinham fazendo no hemisfério Norte. Não teremos os álbuns "Operation: Mindcrime" e "Operation: Mindcrime Part 2" tocados na íntegra. Afinal, é o Brasil, e aqui sempre "tem que ser" pior. O grupo optou por apresentações com cara de best of. Sorte é que a tour manager da excursão pela América do Sul é minha amiga e já me tranqüilizou. Depois do show em Belo Horizonte, semana passada, ela orientou os caras a incluírem mais faixas da obra-prima "Operation: Mindcrime". E eles, segundo ela, toparam.

Trata-se de um álbum clássico. Vendeu mais de 1 milhão de cópias worldwide. E isso é uma marca mais do que considerável para um estilo impopular como o rock pesado. Reza a lenda que Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, teria questionado o baixista Steve Harris à época do lançamento de "Operation: Mindcrime" (1988). Algo do tipo, "por quais motivos o nosso último disco não é tão bom assim?".

Abaixo, eis a sequência de abertura do DVD "Operation: Livecrime":



Na parada da revista norte-americana "Billboard", que mantém uma biografia do grupo neste link aqui, o disco alcançou o 50º lugar. E até hoje, 20 anos depois, está na lista dos preferidos de 90% dos músicos de heavy metal.

Particularmente, este show em São Paulo vem mais do que em boa hora.

domingo, 11 de maio de 2008

Uma doença sem fim

Assustadora uma das manchetes publicadas pela Folha de S.Paulo em sua edição de hoje:

"Após 25 anos, vacina contra HIV permanece inalcançável".

No texto do jornalista Eduardo Geraque, fica registrado que a doença continua invencível. "Nenhuma barreira bioquímica desenvolvida até agora conseguiu conter a infecção. O desenvolvimento da tão almejada vacina ainda é apenas um sonho distante", diz a matéria. "Penso que o maior erro que cometemos até agora foi colocar muito foco nos testes em larga escala de vacinas e não dar atenção suficiente para a pesquisa básica. Nós precisamos aprender com isso", afirmou à Folha Dennis Burton, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia (EUA).

A íntegra do material está neste link. Ao contrário do que se esperava, os prognósticos são apenas negativos. A tendência é de que o número de infectados permaneça em alta. Me parece estranho que o ser humano esteja construindo uma estação espacial e não encontre maneira de acabar com a epidemia da Aids. Por falar nisso, raramente esta praga é mencionada nos meios de comunicação. As campanhas são cada vez mais isoladas. Até parece que o vírus sumiu. Enquanto isso, políticos vão para o exterior, levam a sogra, em jatos particulares pagos pelo dinheiro público.

Ok, é um post sobre um assunto tenso. E bem no Dia das Mães. Mas garanto que não foi proposital, apesar desta fase negativa que estou atravessando. Prometo procurar uma notícia melhor para comentar em breve.

Falando nisso, o baixo ritmo de postagens também se explica pela tal fase ruim.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ficção ou realidade?

Ela veio, trouxe a luz que ele tanto precisava. Mas foi embora.

E o mundinho chato dele, que por alguns dias era uma alegria só, voltou à insuportável mesmice.

E este filme triste não pára de ser reprisado.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Quem elege os políticos?

Meu amigo Marcelo "PoRta ToRta" Santos repassou esta, que ele pescou neste link. Não resisti à tentação de reproduzir o texto. Realmente, explica-se muita coisa.


Quem elege os políticos

Um sujeito comprou uma geladeira nova e pra se livrar da velha, colocou-a em frente à casa com o aviso: “De graça. Se quiser, pode levar“. A geladeira ficou três dias, sem receber um olhar dos passantes. Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta. Parecia bom demais pra ser verdade, e ele mudou o aviso: “Geladeira à venda por R$ 50,00“. No dia seguinte, ela tinha sido roubada. Esse tipo de gente vota.

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Olhando uma casa para alugar, meu irmão perguntou à corretora de imóveis de que lado era o Norte, porque não queria que o sol o acordasse todas as manhãs. A corretora perguntou: “O sol nasce no norte?” Quando meu irmão explicou que o sol nasce no Leste (aliás, há um bom tempo isso acontece) ela disse: “Eu não me mantenho atualizada a respeito desse tipo de coisa“. Ela também vota.

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Antigamente, eu trabalhava em suporte técnico num centro de atendimento a clientes em Manaus. Um dia, recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto. Eu disse a ele: “O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.” Ele perguntou: “Pelo horário de Brasília ou pelo horário de Manaus?” Pra acabar logo com o assunto, respondi: “Horário de Manaus“. Ele vota.

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Meu colega e eu estávamos almoçando no restaurante self-service da empresa, quando ouvimos uma das assistentes administrativas falando a respeito das queimaduras de sol que ela havia tido, ao ir de carro ao litoral. Estava num conversível, por isso, “não pensou que ficaria queimada, pois o carro estava em movimento“. Ela também vota.

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Minha cunhada tem uma ferramenta salva-vidas no carro, projetada para cortar o cinto de segurança, se ela ficar presa nele. Ela guarda a ferramenta no porta-malas! Minha cunhada também vota.

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Meus amigos e eu fomos comprar cerveja para uma festa e notamos que os engradados tinham desconto de 10%. Como era uma festa grande, compramos 2 engradados. O caixa multiplicou 10% por 2 e nos deu um desconto de 20%. Ele também vota.

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Eu não conseguia achar minhas malas na área de bagagens do aeroporto. Fui, então, até o setor de bagagem extraviada e disse à mulher que minhas malas não tinham aparecido. Ela sorriu e me disse para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. “Apenas me informe… o seu avião já chegou?“ Ela também vota.

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Esperando ser atendido numa pizzaria observei um homem pedindo uma pizza para viagem. Ele estava sozinho e o pizzaiolo perguntou se ele preferia que a pizza fosse cortada em 4 pedaços ou em 6. Ele pensou algum tempo, antes de responder: “Corte em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços.” Isso mesmo, ele também vota.

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Num curso sobre projetos, uma das equipes encontrou um resultado diferente do professor. Mesmo depois dele ter demonstrado matematicamente a resposta correta, uma das pessoas do grupo disse que isso não queria dizer nada, pois “cada um tem a sua lógica“. Essa pessoa vota.

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Fui cumprimentar um colega pelo seu aniversário e comentei que era muito bom a data ter caído num sábado. Pois ele retrucou que era uma pessoa de muita sorte, pois todo ano o aniversário dele caía em um sábado. Sim, ele vota.

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Isso explica muita coisa, né?

sábado, 26 de abril de 2008

Padre Adelir faz coisa

Como a turma não perde tempo e faz piada com tudo... bastou o tal padre Adelir sumir para a raça "descobrir" seu paradeiro. Só a imagem abaixo, eu já recebi de uns oito conhecidos via e-mail. Dois deles justificaram o envio porquê sou fã do seriado "Lost".



E o padre com síndrome de Ícaro anda fazendo sucesso nos MSNs e GoogleTalks do povo. Já vi um bom número de frases inspiradas pelo serelepe sacerdote. Uma amiga dos tempos da faculdade está há dias com a singela "Me leva, padre Adelir". Talvez seja tristeza pela derrota do time dela nas semifinais do Campeonato Paulista. Outro colega de profissão cita no MSN: "Vou comprar uns balões e sair voando". Este caso eu compreendo, certamente é o "mundo maravilhoso" do jornal onde ele trabalha.

Juro que eu gostaria que o padre não tivesse se "empirulitado". Preferia muito mais que tivesse descido em algum lugar qualquer para ir viver com uma amante e ser feliz. Mas, desconfio, tal qual Ícaro, deve ter voado direto pro chão. Ou pro fundo do mar, vai saber. Como dizia Bruce Dickinson naquela velha canção do Iron Maiden... "In the name of God my father I fly". Então tá...

Obs.: E por falar em "Lost"... até o episódio nove da terceira temporada, que passou anteontem nos Estados Unidos, eu achava que o Benjamin Linus não conseguiria ir tão longe. Será que também se inspirou no padre voador?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Primeira Missa

Fascinado pela História desde a infância, passei anos sem entender por qual motivo o quadro "Primeira Missa no Brasil" não estava em algum museu de Santa Catarina mas, sim, no Rio de Janeiro. Meu raciocínio de criança era simples: se a obra era o marco da carreira de um pintor catarinense, Victor Meirelles (1832-1903) era bem óbvio que o local adequado era Florianópolis, onde o artista nasceu em 18 de agosto de 1932. Na época, a cidade ainda se chamava Nossa Senhora do Desterro.

Cresci vendo reproduções do quadro em livros de História e revistas. Só depois de adulto percebi que o que me incomodava nos primeiros anos era daquelas coisas que não se explicam, mesmo tendo uma explicação. Infelizmente, determinados atos, atitudes, pessoas, são como são e assim que elas são. Conformem-se os contrariados ou caiam no anonimato.

No último dia 15 tive, finalmente, a chance de ver de perto "Primeira Missa no Brasil". Logo depois de cobrir a posse de Anita Pires na presidência da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), no cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC), dei uma escapada para ir até o Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), que fica no mesmo local. Por 15 minutos, pude apreciar a obra genial. Saí embasbacado com a riqueza de detalhes. Basta olhar para a base do quadro, nas pedras aos pés dos indígenas, ou para o grupo de índios ao fundo, atrás da cruz. Este detalhe, por sinal, eu jamais havia notado.

Crédito de Imagem: Edu Cavalcanti

Genial: Riqueza de detalhes

Elogiar Meirelles é chover no molhado. Resta comemorar, ao menos até dia 11 de maio, que justiça foi feita e o quadro - até que enfim - foi trazido para ser exposto em Santa Catarina. A entrada é gratuita e vale a visita. Há a chance de também ver os esboços que o pintor criou antes de consolidar a tela que o faria entrar para a História. Como 15 minutos é quase nada, vou retornar com mais tempo ao Masc.

Serviço:
Local: Museu de Arte de Santa Catarina (CIC) - Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600 - Agronômica.
Horário: diariamente das 9h às 21h.
Valor: gratuito.
Informações: (48) 3953-2317. Visitas guiadas podem ser agendadas pelo telefone (48) 3953-2324 ou pelo e-mail naemasc@fcc.sc.gov.br.

sábado, 12 de abril de 2008

Perdemos George Taylor

Semana passada revi a série de TV "Planeta dos Macacos", baseada no filme de mesmo título, um clássico da ficção científica. Não lembrava que Roddy McDowall - que viveu o personagem Cornélius no filme - era um dos astros do seriado que eu assisti na minha infância, em Curitibanos.

Foi maravilhoso rever aqueles episódios que, à época, me assustavam. Agora, noto como os roteiros eram tão inteligentes quanto o do filme. Acessei o Internet Movie Database para fuçar mais algumas curiosidades e descobri que 2008 é o ano do 40º aniversário do longa. Imediatamente ofereci a pauta no jornal e preparei o material. Tudo estava programado para que a matéria fosse publicada na quarta ou quinta daquela semana. Mas "n" coisas forçaram o adiamento para a terça-feira desta semana, dia 8.

Ironia do destino, dois dias antes, morreu Charlton Heston, astro de "Planet of the Apes". Canastrão, ativista armamentista. Sim. Não se nega isso. Mas prefiro lembrar dele vivendo seus personagens marcantes, como o astronauta George Taylor, do filme citado neste post e na matéria abaixo, publicada originalmente no jornal Notícias do Dia.

Quem também lamentou a perda e fez uma honesta homenagem à Heston foi o Marco Zanfra. Vale acessar.

Planeta dos Macacos
Quatro décadas de um clássico

Alessandro Bonassoli
abonassoli@jornalnoticiasdodia.com.br

Há 40 anos, no dia 8 de fevereiro, quando o público saia das salas de cinema de Nova York, o assombro era intenso. Não só pelos efeitos especiais fantásticos para a época ou pela trama inteligente, mas, também, pela seqüência final, na qual Taylor – personagem vivido pelo astro Charlton Heston, morto aos 84 anos no último sábado – descobre diante da Estátua da Liberdade semi-enterrada em uma praia deserta o grande segredo de "O Planeta dos Macacos". Quatro décadas depois, o longa que, junto com "2001 – Uma Odisséia No Espaço", colocou a ficção científica entre os gêneros mais fortes do cinema, a história se mostra tão atual quanto o período em que foi lançada.


Heston: canastrão e galã

Em 3978, três astronautas colidem em um planeta diferente, onde macacos inteligentes dominam o mundo e humanos não falam e são escravizados. O argumento que poderia parecer pobre ganhou com o roteiro de Michael Wilson e Rod Serling (da clássica série de TV "Além da Imaginação") a força necessária para discutir com maestria racismo, a ameaça de um conflito nuclear, escravidão e diferenças étnico-sociais. Assuntos que, infelizmente, ainda estão em pauta.


Eternos: Zira, Cornélius, Zaius e Taylor, coleção de personagens imortais

Dirigido por Franklin J. Schaffner, que selaria sua carreira com obras como "Patton", "Os Meninos do Brasil" e "Papillon", "O Planeta dos Macacos" teve ampla resposta de audiência, fazendo dos US$ 6 milhões investidos pela Fox uma pequena fortuna de US$ 34 milhões, um dos maiores lucros da década. Indicado ao Oscar de Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora, ficou com um Prêmio Honorário para Maquiagem, já que à época esta categoria ainda não recebia as estatuetas douradas. Justo tributo ao trabalho de John Chambers. Ele fez atores e atrizes encantarem e assustarem travestidos como os intelectuais chimpanzés, os administradores orangotangos ou os temíveis e militarizados gorilas.


Futuro: Este sim, foi um final surpreendente

O longa virou máquina de dinheiro uma década antes do fenômeno "Guerra nas Estrelas". Com ele, a Fox inaugurou a mania das continuações, com mais quatro filmes entre 1970 e 1973, embolsando outros US$ 82 milhões, uma série de TV com 14 episódios transmitidos em 1974, outros 14 episódios em desenho animado, um gibi da Marvel Comics (publicado entre 1974 e 1977) e toda uma linha de brinquedos, jogos, camisetas, canecas e vários colecionáveis. Em 2001, Tim Burton fez uma versão bem pessoal do filme, com Mark Wahlberg, Helena Bonham-Carter e Tim Roth. Mas nem mesmo a atuação extraordinária de Roth ajudou a repetir o sucesso.


Sucesso: Cartaz do longa-metragem original

Baseado no livro homônimo do francês Pierre Boulle, o filme original tinha no elenco outros nomes de peso, como Roddy McDowall (no papel de Cornelius, e que atuou nas quatro continuações, além do seriado), Kim Hunter (Zira) e Maurice Evans (Dr. Zaius). Cogitou-se o nome da belíssima Ursula Andress para viver Nova, mas ela perdeu a vaga para a também encantadora Linda Harrison, então namorada de Richard Zanuck, chefão do estúdio.

Pode se dizer que "O Planeta dos Macacos" foi o precursor de uma tendência de Hollywood, divisor de águas para um estilo ou o ápice da carreira de um astro. É tudo isso mas, com certeza, ganhou a imutável condição de clássico do cinema mundial.

A tapioca e os Estados Unidos

Não sou contra nem a favor do atual governo. Mas acho uma sacanagem quando os críticos da gestão Lula alardeiam que certos atos queimam o filme do Brasil no exterior. Uma situação assim é a dos cartões corporativos. Você acha que isso é invenção do PT?

Notícia divulgada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), com informações do jornal Washington Post, mostra que este tipo de picaretagem acontece também nos Estados Unidos. Ou seja, o Brasil continua, sim, criando o "similar nacional". Será que em terras de Tio Sam também existe tapioca?


Tapioca: a very good similar version

Segue a íntegra do texto:

11/04/08 - 20h25 - Abraji com Washington Post
Estudo revela irregularidades em quase 50% das compras com cartões do governo dos EUA



Nos Estados Unidos, um estudo do GAO (Government Accountability Office) revelou abusos no uso de cartões de crédito federais. Segundo o relatório produzido pela agência governamental independente que trabalha para o Congresso americano, servidores federais usaram cartões corporativos para gastos com lingeries, jogos, iPods e jantares.

O estudo estima que quase metade das transações realizadas com os cartões de crédito federais entre julho de 2005 e junho de 2006 foram irregulares. Das compras com cartões examinadas, 41% estavam em desacordo com as regras governamentais. Nas transações acima de US$ 2,5 mil, o percentual foi maior: 48% delas violavam as regras federais.

Entre os casos que mais chamam atenção, estão um jantar de US$ 13,5 mil promovido pelo serviço de correio em uma churrascaria em Orlando e a compra de dois iPods de US$ 400 para uso pessoal por um funcionário da NASA. Em 2007, os cartões de crédito foram usados por cerca de 300 mil servidores americanos.

O estudo do GAO pode ser visto na íntegra em:
http://abraji.org.br/midia/arquivos/file1207951970.pdf

sábado, 5 de abril de 2008

Exercício fotográfico

Um pequeno exercício com minha humilde câmera digital durante o deslocamento até a ponte de Navegantes, na BR-101, no último domingo de Páscoa. Enquanto o fotógrafo Edu Cavalcanti tirava fotos de verdade para o jornal Notícias do Dia, aproveitei para tentar relembrar das aulas de Fotojornalismo do primeiro e único Paulo Britto.



O detalhe das crianças "gigantes" e o cata-vento "sobre" o asfalto me chamou a atenção...



... mas, como diria aquele "filósofo" contemporâneo, é tudo "questão de modo de vista".

[Ouvindo: Dr. Sin - Life Is Crazy - Álbum: Bravo]

A volta dos caçadores de nazistas

O Diário Catarinense deste sábado reproduz matéria no mínimo inusitada. Originalmente publicado pelo jornal britânico The Guardian, "Caçada ao último nazista" revela que o Centro Simon Wiesenthal continua procurando carrascos do Terceiro Reich "no Chile, na Argentina e no Brasil" (!!). Os textos originais podem ser lidos aqui e aqui.

De acordo com o texto dos colegas Rory Carroll E Uki Goni, o grupo judeu de direitos humanos está em meio a uma derradeira atividade para "localizar os remanescentes colaboradores do genocídio escondidos na América do Sul: a Operação Última Chance."

Líder dos caça-nazis, Efraim Zuroff declarou que o Centro Wiesenthal crê "em dezenas, talvez centenas" de antigos oficiais de Hitler ainda vivendo confortavelmente e impunes na América do Sul. O principal alvo é Aribert Heim, médico que "realizou terríveis experiências com prisioneiros nos campos de concentração" e que pode estar na Argentina.

"Adolf Eichmann, um arquiteto do Holocausto, foi detido por agentes de Israel na Argentina em 1960. Klaus Barbie foi extraditado da Bolívia em 1983. Erich Priebke, um capitão da SS, foi extraditado da Argentina em 1995. A história definhou. Os fugitivos não eram apenas distantes idosos, mas octogenários, nonagenários e, na maior parte, mortos. Quando o século 20 terminou pareceu, então, que havia encerrado a caça aos nazistas", revela o texto. "Após anos de indiferença ou obstruções legais, os governantes da região estão decididos a ajudar os caçadores. Dinheiro público e privado estão à disposição como recompensa por informações. E houve pistas. A polícia tem nomes, contas bancárias e informações. Campanhas de mídia no Chile, Uruguai, Argentina e Brasil estão divulgando linhas telefônicas e oferecendo US$ 10 mil por cada informação confidencial que leve a uma definição. Após seis décadas, o caminho permanece complicado", informa a reportagem.


Procura-se: Aribert Heim, carrasco nazista ainda pode estar vivo e livre na América do Sul

O The Guardian informa ainda que "o nazista mais procurado desde Josef Mengele tem um prêmio de US$ 448 mil sobre sua cabeça e os governos da Argentina, Chile e Alemanha estão na sua cola. A razão de Heim estar no topo da lista dos mais procurados requer uma leitura macabra. Como doutor da SS em Mauthausen, um campo de concentração próximo à cidade austríaca de Linz, ele ganhou reputação pela sua extrema crueldade. Ele injetava gasolina e veneno no coração das vítimas e calculava o tempo das mortes. Ele fazia amputações sem anestésico e uma vez removeu a pele tatuada de um prisioneiro para fazer de revestimento ao campo do comando, e tirou a pele da cabeça da vítima para usar o crânio como decoração."

Uma segunda família de Heim, "composta de uma esposa e dois filhos em Baden-Baden, na Alemanha, disse que ele morreu de câncer em 1993 na Argentina". Isso faz com que Carrol e Guni concluam que pode surgir uma decepção como o caso Mengele, açougueiro nazista que morreu no Brasil e sua ossada só foi encontrada em 1985, seis anos depois de sua morte por um acidente vascular cerebral.

"Em 2001, seu advogado solicitou um reembolso às autoridades fiscais da Alemanha, afirmando que seu cliente estava vivo no exterior. A mulher de Heim e os filhos não falam. Eles não reclamaram ao banco de Berlim a conta no nome de Heim contendo 1 milhão de euros. As gravações da investigação mostraram que a mãe telefonou para seus filhos no aniversário de Heim para lembrá-los da data", continua a reportagem. Os investigadores acreditam que Heim está "em algum lugar perto de Bariloche e próximo à cidade de sua filha: Puerto Montt, apenas duas horas da fronteira argentina. Se o 'doutor morte' for capturado nesta cidade, isto levará a crer que há no local uma certa mentalidade nazista coletiva."

[Ouvindo: Igor Cavalera, Andreas Kisser & Mike Patton - Procura o Cara - Álbum: Trilha Sonora do filme "No Coração dos Deuses"]

sábado, 22 de março de 2008

Um senhor filme

Quem está aqui na filial da ilha de "Lost" uma excelente opção de entretenimento é "Senhores do Crime" ("Eastern Promisses"), filme do diretor David Cronemberg. Além de ter a belíssima e ótima atriz Naomi Watts, o elenco conta com Viggo Mortensen (o eterno Aragorn) e o ótimo Vincent Cassel (que, além de ser marido da Monica Belucci, merece todo o respeito por suas atuações sempre impactantes).

Crédito de foto: Divulgação/Cinema em Cena


Denso: Viggo Mortensen e Naomi Watts longe da pipoca com guaraná e do cinema "cabeça"

O filme é denso, pesado e violento. Não no estilo pancadaria pura e simples, a la Van Damme et caterva. Uma obra que está passando meio despercebida pela crítica. Consegue a façanda de não ser "pipoca com guaraná" e nem enveredar pelo "cinema cabeça". Mas vá logo, pois os cinemas de Florianópolis NÃO mantém em cartaz os bons filmes por muito tempo. Os meia-boca, em compensação...

[Ouvindo: Sepultura - Desperate Cry - Álbum: Arise]

terça-feira, 18 de março de 2008

Irmãos reunidos

Uma das notícias que os fãs dos irmãos Max e Iggor Cavalera, criadores do Sepultura, mais gostariam de ouvir virou realidade. Isto não é novidade, claro, mas eu havia esquecido de comentar o assunto por aqui. Os dois masterminds da melhor banda brasileira de rock pesado de todos os tempos estão unidos depois de uma década. E, já no primeiro trabalho conjunto, o Cavalera Conspiracy, criaram o excelente "Inflikted", o melhor álbum "do Sepultura" desde "Chaos A.D." (lançado no distante 1993).

Ah, a outra notícia mais esperada é que a dupla retorne ao Sepultura. Não tenho nada contra a atual formação da banda, nem contra o "novo" vocalista, o norte-americano Derrick Green. Mas todos os álbuns sem o Max não chegam sequer perto de qualquer outro da formação clássica. Há ótimas idéias, boas composições, mas mudou muito e o grupo desceu alguns degraus. Em todos falta o "espírito Sepultura", presente nestas duas amostras abaixo:

boomp3.com

Além de Max (vocais e guitarra-base) e Iggor (bateria), o Cavalera Conspiracy inclui ainda Marc Rizzo (guitarra solo, que toca com Max no Soulfly) e Joe Duplantier (baixista do Gojira). Para quem não curte este estilo musical ou não teve o menor contato com o mundo da música nos últimos, sei lá, 17 anos, o Sepultura conseguiu o que nenhum outro grupo brasileiro jamais fez, vender mais de um milhão de cópias em todo o planeta, além de se transformar em referência mundial.

boomp3.com

[Ouvindo: The Cavalera Conspiracy - Hex - Álbum: Inflikted]

sábado, 15 de março de 2008

Progressistas e comunistas

E confirmando uma tese do Upiara, colega com quem trabalhei na segunda e the flash passagem por A Notícia, a vereadora Ângela Albino (PC do B) votou "com o PP" no processo contra o também vereador Xandi Fontes (PP). Somente ela e João Aurélio Valente, correligionário de Fontes, tentaram evitar a suspensão por 60 dias do ex-presidente da Federação Catarinense de Surf (Fecasurf).

Do outro lado, saíram vencedores Gean Loureiro (PMDB), relator do processo, Walter da Luz (PSDB) e João Batista Nunes (PR). Os dois últimos, reconhecidamente adversários diretos de Fontes. Esta confusão toda iniciou quando Marcílio Ávila, parlamentar cassado que conseguiu retornar à Câmara da Capital, em outubro de 2007, e fez acusações contra o rival, que teria usado de modo irregular dinheiro público durante a realização da etapa brasileira do Circuito Mundial de Surf.

Foto: Edu Cavalcanti

Ângela Albino: ponto de vista

Creio que a sempre simpática vereadora vá negar que seu voto tenha outro significado além de justificar o seu ponto de vista sobre o impasse. Mas é inevitável pensar que o PP está de olho nos 8% que Ângela Albino garantiu em uma das primeiras pesquisas de intenção de voto feitas sobre as eleições de outubro próximo. E, depois que o PP já fechou parceria com o PT, não seria de estranhar uma tentativa de aproximação com o PC do B. Afinal, em eras de globalização, de mudança de dogmas, estilos e ideologias, que mal pode fazer?

Em uma eventual desistência do casal Amin, únicos dentro do PP com chances reais de superar o prefeito Dário Berger (PMDB) nas urnas, uma dobradinha entre progressistas e comunistas certamente colocaria muita pimenta no esperado caldo fervente que serão as eleições na capital de todos os catarinenses. Isso, obviamente, é mera especulação. Nenhum dos partidos que vão para a disputa confirmam nada até o momento. As únicas verdades são os pré-candidatos oficiais - Ângela, Dário, Cesar Souza Júnior (DEM) e Marcos Vieira (PSDB) - e a afirmação de todas as siglas sobre as conversas para eventuais alianças, quer seja no primeiro ou no segundo turno.

Frentista nunca mais

Se algum dia eu voltar a ficar desempregado ou resolver mudar de profissão já defini que frentista não vou ser. Nada contra os profissionais que abastecem os veículos. Gente fundamental que merece respeito. Mas, depois dos episódios de Ribeirão Preto, Porto Alegre e, agora, de Chapecó... tô fora.

Parece que virou moda fulano sem-vergonha e descontrolado - que não merece respeito algum, bem pelo contrário - invadir postos de combustível e atropelar ou agredir os trabalhadores deste tipo de estabelecimento. Quando o vivente começa a achar que nada mais pode ficar pior, a humanidade consegue ir além, ir mais abaixo.

Isso é o quê? Envolvimentos com substâncias ilícitas? Histeria em massa? Reflexo negativo da vida moderna? Falta de educação (de casa e da escola)? Ou pura inexistência de vergonha na cara?

[Ouvindo: The Cavalera Conspiracy - Ultra-Violent - Álbum: Inflikted]

terça-feira, 11 de março de 2008

Um nome não é só um nome

Raramente gosto das bandas pop/rock de Florianópolis e de Santa Catarina. Nada contra, apenas não fazem o som que me agrada. Mas sou o primeiro a defender a criatividade dos músicos catarinenses quando estes decidem montar seus projetos musicais. Algo que pode facilmente ser notado na listagem dos participantes do festival "Rural Rock Fest 2008", marcado para os dias 14, 15 e 16 deste mês, em São José.

Já no primeiro dia do evento, há o Tumor do Bile, que sobe ao palco às 20h. No dia seguinte, sabadão, é a vez de Apicultores Clandestinos, às 13h, seguidos pelos Fugitivos da Yakuza, uma hora depois. Mais tarde, às 18h, é a vez de Jeremias Sem Cão. Prá fechar o evento, domingueira, teremos The Seres (!!) ao meio-dia e Odes e Sodas, às 13h. A programação completa pode ser conferida neste link.

Agora, de todos estes, nenhum supera ainda Cuba Drinkers & The Hi-Fis. Nem sei qual era o som deles nem se a banda ainda está na ativa. Mas o nome é genial.

Serviço de utilidade pública

Originalmente publicado no site da Abraji:

OEA pede ao Brasil mais informações sobre restrições à liberdade de expressão no país

A Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu ao Brasil mais informações sobre restrição à liberdade de informação e expressão no país. A solicitação foi feita após a Abraji e as organizações não-governamentais Artigo 19 e Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) entregarem um dossiê à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA no qual chamam a atenção para disposições legais e práticas judiciárias que têm constituído violações ao direito à liberdade de expressão no Brasil, em especial o uso abusivo de recursos judiciais contra veículos de comunicação, jornalistas e defensores de direitos humanos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos demonstrou preocupação com a possibilidade de haver censura prévia por meio das liminares concedidas em ações judiciais no Brasil e solicitou ao Estado brasileiro informações sobre o uso desses mecanismos no país. O comissionado Florentin Melendez afirmou que os Estados devem encontrar "um equilíbrio racional" quando há um conflito de direitos fundamentais.

A entrega do relatório com casos específicos e estatísticas sobre o uso abusivo de ações judiciais no Brasil ocorreu na manhã desta segunda-feira, 10 de março, em audiência oficial na sede da OEA, em Washington, Estados Unidos. O documento revela que de 2005 a 2007 foram registrados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) 53 casos de ações de danos morais contra a mídia decorrentes de declarações classificadas como difamatórias. Em 37,6% desses casos, os autores eram funcionários públicos. No Tribunal de Justiça de São Paulo, de 93 casos apresentados no curto período de outubro a dezembro de 2007, 47,4% das ações foram interpostas por integrantes do Estado.

Alguns dos problemas específicos apontados incluem a debilidade do marco legal brasileiro, o uso excessivo e orquestrado de ações de indenização por danos morais e a grande quantidade de casos impetrados por agentes públicos. A desproporcionalidade dos valores indenizatórios, as liminares que proíbem antecipadamente a publicação de informações e que podem constituir censura prévia, além de outras restrições indiretas à liberdade de expressão também foram citados.

As três entidades destacaram ainda a estratégia recente de inundar a Justiça com ações articuladas por membros de um mesmo grupo em várias localidades do país contra um único órgão da mídia e um jornalista, com o intuito claro de calar e intimidar essas empresas e profissionais com o volume expressivo de ações.

Na audiência, também estiveram presentes representantes do Estado brasileiro e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), que defenderam o atual sistema de reparação por danos morais e a responsabilização criminal por declarações difamatórias, afirmando que os casos de abusos citados pelas três instituições constituiriam exceções e não a regra. Afirmaram, também, que as preocupações apresentadas pelo CEJIL, Artigo 19 e Abraji não produziriam os efeitos intimidatórios, nem causariam autocensura, como alegado.

Ao final, o relatório entregue à OEA apresentava algumas recomendações dirigidas tanto ao Estado brasileiro quanto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
As recomendações feitas ao Brasil incluem a revisão da legislação aplicável à liberdade de expressão a fim de adequá-la aos padrões internacionais sobre o assunto; a adoção de padrões claros e objetivos para determinação do dano e a fixação de valores em ações de indenização e a facilitação e promoção do uso de medidas de reparação menos restritivas à liberdade de expressão.

Outra orientação foi a de em casos de enxurradas de ações judiciais por membros de determinados grupos seja garantido tanto o direito a recursos judiciais pelos cidadãos que se sentirem ofendidos como o direito de defesa dos jornalistas processados, estudando-se, por exemplo, medidas que visem à unificação e centralização do julgamento dos diversos processos.

Já as sugestões dadas à Comissão incluem a realização de estudos específicos sobre os temas apresentados na audiência a fim de analisar sua adequação a padrões interamericanos de direitos humanos, bem como seus efeitos para defensores de direitos humanos e comunicadores sociais.

A íntegra do relatório apresentado à OEA estará em breve disponível nos sites da Abraji, Artigo 19 (www.article19.org) e Cejil (www.cejil.org).

sábado, 8 de março de 2008

Mr. Firecrotch

No mesmo site do teste anterior, achei mais algumas bobagens interessantes. E o título deste post é o meu "rockstar name".




Your Rockstar Name Is...



Mister Firecrotch




[Ouvindo: Pantera - Psycho Holiday - Álbum: Cowboys From Hell]

London London

Durante a ronda dos blogs vizinhos, dediquei longos minutos à sempre edificante leitura do blog do PH. Lá, curiosamente, encontrei um daqueles testes do tipo "com qual personagem de TV você parece?" ou, no caso, "what city do you belong in?".

Meu resultado foi a capital britânica. E faz muito sentido. Por vários motivos, inclusive sentimentais (mas este é um assunto que não vem ao caso, afinal a dor, desde a manhã da última segunda-feira, quando passei por um determinado aeroporto paulista, já ficou forte o suficiente).




You Belong in London



A little old fashioned, and a little modern.

A little traditional, and a little bit punk rock.

A unique soul like you needs a city that offers everything.

No wonder you and London will get along so well.



[Ouvindo: Pantera - Clash With Reality - Álbum: Cowboys From Hell]

Campanha

Aproveitando a campanha lançada no post anterior - troca do Dia Internacional da Mulher por Todos os Dias Internacionais da Mulher - encampo outra reivindicação.

Um dia eu quero ficar sem mulher. Porque todos tá sendo muito ruim. :)

[Ouvindo: Gary Moore - This Thing Called Love - Álbum: After The War]

Contra o Dia Internacional da Mulher

Hoje é o tal Dia Internacional da Mulher.
Sou contra.
Um dia só? Para a mulherada deveriam ser dedicados todos os 365 dias do ano. Pô! Elas são discriminadas, têm TPM, precisam aguentar homens falando de futebol, com bafo de cerveja, com aquele cheiro asqueroso de... homem, são traídas, carregam o maior peso durante nove meses, encaram as dores do parto, ainda precisam trabalhar em casa e fora, estudar, educar filhos, menopausa, e... a lista não pára de crescer.

Acho que este mundo é a porcaria que é justamente porque não são elas quem ocupam os cargos de liderança e controle. Deixaram esta joça na mão da macharada e olha a confusão que resultou: guerras, fome, miséria, desemprego, políticos corruptos, violência,...

Mas, de qualquer modo, parabéns mulherada (Se é que há alguma que leia este blog).

[Ouvindo: Gary Moore - Running From The Storm - Álbum: After The War]

Pérolas

E lá se foram 16 dias desde o último post neste blog. Nem vale ficar relatando os motivos de tanto silêncio. Neste intervalo, porém, aconteram várias pérolas que poderiam ter sido comentadas.

* A quase cassação do governador Luis Henrique da Silveira
* A troca de acusações entre parlamentares sobre o episódio (e a Assembléia Legislativa repleta de projetos importantes para entrar em votação)
* A quase cassação do prefeito de São José, Fernando Elias
* O show magnífico do Iron Maiden em São Paulo
* A volta do calor insuportável
* A ex-miss gaúcha fazendo apologia ao sexo sem camisinha no Big Brother Brasil
* A palhaçada da Espanha em relação aos turistas brasileiros
* A confusão monumental entre Equador, Colômbia, Venezuela e as Farc
* A pena rídicula da Federação Catarinense de Futebol contra Avaí e Criciúma por causa dos lamentáveis episódios do confronto entre os dois times
* O ato horripilante dos imbecis que levaram uma bomba (!) para um estádio de futebol
* A impunidade para eles até este momento

Isso me faz pensar sobre a quantidade de coisas - inexplicáveis e outras mais do que esperadas - que acontecem no dia-a-dia e o cidadão nem percebe. Ok, é pura filosofia de bar, mas é inegável.

[Ouvindo: Gary Moore - Led Clones - Álbum: After The War]