sábado, 2 de janeiro de 2010

O passado vem à memória

Segundo dia do ano, penúltimo do recesso. Completamente sem nada para fazer e já angustiado por estar sozinho em casa e pensando em alguma teoria da conspiração qualquer para justificar o insucesso dos dias de folga, me flagrei pensando no passado. Algo inevitável quando o vivente chega aos 37 anos de idade.

Das várias fases que poderiam vir ao sombrio reduto da memória, lembrei dos anos em que vivi no Estado de São Paulo. Motivos profissionais me levaram para o Centro do País em duas oportunidades. Na primeira, janeiro de 2000, migrei para Ribeirão Preto, onde fui repórter na sucursal da Folha de S.Paulo. Experiência intensa e impagável. Se o Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina me formou, minha curta trajetória naquela sucursal da Folha me forjou jornalista. Apesar do tratamento insano de um determinado chefe - só hoje tenho a consciência que era puro assédio moral, do qual praticamente toda a equipe foi vítima - e do calor insuportável daquela cidade, foi uma experiência incomparável. Lá vi o que é jornalismo de verdade. Lá fiz jornalismo de verdade.

Lamentavelmente, não tive estrutura psicológica para suportar tamanho abuso e pressão. Acabei surtando e saindo muito antes do planejado (minha meta era um ano). Lamento também que, por entrar na redação às 9h e sair às 21h, pelo menos, mal pude conhecer uma cidade ótima como Ribeirão. Guardo com carinho a lembrança dos chopps no Pinguim e os amigos que por lá deixei.

Um deles é o Evandro Spinelli. Com quem pouco trabalhei na Folha, mas que se tornou diretamente responsável pela minha nova incursão no mercado de trabalho lá do Brasil (ainda considero Florianópolis uma província em termos de jornalismo). Em 2005 o Spinelli me ligou fazendo um convite para ser repórter em uma rede de jornais que estava surgindo no interior paulista. "É o Bom Dia, do J. Hawilla. Ele vai montar redações em Rio Preto, Sorocaba e outras cidades", me disse um empolgado Spinelli. A idéia dele era me levar para Rio Preto, onde eu seria repórter de política. "Evandro, política? Eu nunca fui repórter de Política. Apenas fiz algumas matérias na Folha", rebati. "Que nada! Tu tem jeito para a Política", sentenciou.

Mas eu declinei do convite. Sei lá, me deu aquela preguiça - ou seria medo - de migrar novamente para o interior, num lugar em que eu só conhecia o próprio Spinelli. Ter de ir atrás de fiador, mudança, estas coisas todas, não me agradou. Preferi continuar em Florianópolis, onde era repórter do AN Capital. Como a idéia era que a tal rede de jornais se expandisse, pedi para que o colega lembrasse de mim quando a empresa se aproximasse de São Paulo.

Pedido feito, pedido aceito no final daquele mesmo ano. "Alô! Bonassoli? Então, o Bom Dia chegou em Jundiaí. Como você queria morar perto de Sampa, taí tua chance", me disse o Spinelli. A proposta era boa, finalmente uma chance de atuar como editor e pesou o fato que o destino do jornal A Notícia, infelizmente, já estava selado. Lá fui eu, outra vez. Um ano e três meses de muito trabalho, em outra experiência incomum, com um jornal, ou melhor, uma rede de jornais, em constante e permanente implantação. Ritmo abusivo de trabalho, alta rotação de colegas na redação de Jundiaí e em Sorocaba, Rio Preto e Bauru. E pensar que hoje a rede Bom Dia tem 10 (!!) edições, incluindo Marília, Catanduva, Fernandópolis, região do ABCD, Itatiba e a região oeste da Grande São Paulo.

Todo este texto para registrar a lembrança dos vários amigos e colegas que ficaram em Ribeirão e Jundiaí, outros em Campinas, Sorocaba, Bauru, Vinhedo e Franca. Obviamente, vou esquecer de muitos nomes e para estes já peço perdão, mas a lista inclui:

Fase Ribeirão Preto
(incluindo pessoas que não eram ou foram da Folha antes da minha passagem por lá):
Eblak, Angelo Sastre, Vania Carvalho, Anna Regina Tomicioli, Luciana Cavalini, Alessandro (Xará) Bragheto, Marcelo Toledo, Lucio Piton, Célio e Patricia Lauretti

Fase Jundiaí (incluindo o povo de Bauru, Sorocaba e Rio Preto):
(a turma do apartamento) Evandro Spinelli, Guilherme "Borboleta", Eduardo Maurício "Duda", Eduardo Reis, Eduardo Schiavoni, Julianna "Juju" Granjeia e Daniel "Ovo" Vardi.

(a turma do Bom Dia) Mário Evangelista, Benatti, Ana Maio, Ivan Lopes, Fábio Pescarini, Tatiana Fávaro, Simone Lins, Wagner Sandrin, Telma Iara, Lívia Bianchi, Eliane Mendonça, Thaís Cortina, Lili Sanz, Graziela Delalibera, Thalita Bittencourt, Demarice Alves, Paulo Damas, Liza Mirella, João Guilherme, Aline Gusmão, Verena, Maria Fernanda Ribeiro, Adriana Alves, Josi, Maria Helena, Thiago Roque, Robertinho Madureira, Marina Espin, Neo, Luly Zonta, Dago Nogueira, Susana Prado, Neto Alciati, Batatinha, Rafael Coelho, Thaís da Silveira, Robson Moura, Wesley, Luisa Alcântara e Silva, Silvana Guaiume, Thatiane "Renatinha" Leme, Cristiane Caldeira, Tiago Vendemiatti, Gláucia, Mona, Fernanda Pereira e Edu Cerioni.

Muitos destes ainda estão nas listas do Orkut e MSN. Com alguns mantenho contato esporádico. Talvez a maioria, eu não veja nem converse há mais de ano. E, infelizmente, é provável que eu não vá reencontrar 90% desta turma toda. Coisas da vida e coisas do jornalismo. Cada um teve muita importância na minha trajetória, pois aprendi com cada um deles um pouco disso e daquilo, quer seja na profissão ou fora dela. Sinto falta de todos e o saudosismo me trouxe até aqui para desejar um Feliz 2010 em especial para esta raça toda.

Quem me conhece, sabe que não citei os anos em que morei e trabalhei na capital paulista. Isso rende um outro post, tão grande ou maior do que este.

5 comentários:

Marco Antonio Zanfra disse...

É bom o passado vir à lembrança quando o "vivente chega aos 37 anos de idade", porque depois disso a memória começa a falhar. Daqui a algum tempo, talvez você nem se lembre mais de que Ribeirão Preto é tão quente e de que lá existe o Pinguim, nem que as duas coisas, juntas, dão muito certo.

Fausto disse...

Diz a lenda urbana que, certa vez, uma menina chegou no primeiro dia de trabalho na sucursal da Folha, viu como era tudo, saiu para almoçar e nunca mais voltou.

Bonassoli disse...

Fausto,

não é lenda urbana. E desconfio que não tenha sido um caso único.

Evandro disse...

Não é lenda, não. Só não era uma menina, era um cara. Ele não era de Ribeirão e sua primeira matéria foi na rodoviária bem na hora do almoço. Ligou da estrada pra dizer que não voltava. Aconteceu o mesmo no Bom Dia Jundiaí. No primeiro dia o cara disse que ia comer um lanche e nunca mais voltou. Até hoje, quando falam de comer um lanche lá, o povo já acha que o cidadão não vai voltar.

thiago roque disse...

eu ainda sou remanescente da rede bom dia. alguém me socorra, por favor [risos]. abraço, bona.