quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Manchetes e manchetes

Não vou falar do drama que as enchentes causaram em Santa Catarina. Nem da tristeza e da comoção que a tragédia causa. Tragédia provocada por nós mesmos, que degradamos o meio-ambiente, não mudamos nosso comportamento arcaico e não elegemos administradores com capacidade e vontade real e efetiva de criar sistemas de precaução contra catástrofes.

A cobertura do desastre vem sendo muito bem feita por meus vários colegas nos jornais impressos, nos telejornais, nas rádios e nos blogs (alguns destes últimos, por sinal, estão na lista de links ao lado). Basta acessar, ler, assistir e ouvir para acompanhar o desenrolar dos fatos que mudaram a história de Santa Catarina. Fica aqui a solidariedade deste blog às famílias das vítimas que perderam a vida e àqueles moradores - sendo catarinenses ou não - que perderam tudo ou parte do que possuiam.

Enquanto jornalista, repórter, editor e chato por natureza, não pude deixar de notar a diferença das coberturas dos jornais considerados "maiores" no Estado. Fica clara a oposição ideológica dos periódicos do grupo RBS contra a daquele que pertence ao grupo RIC Record. Digo isso analisando meramente as manchetes de capa, não o teor das reportagens.

É nítido que Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia optaram por chamadas alarmistas, de forte impacto visual e opinativo. Para não dizer sensacionalista. O tom foi de "catástrofe", "desolação", "cenário de guerra". Mas é preciso registrar que o AN mudou o tom em sua edição de hoje.

O Notícias do Dia, por outro lado, enveredou pela velha, boa e recomendável seara da NOTÍCIA, do hard news, indicando fatos concretos e não temas evasivos e simplórios. Hoje, a idéia era de mudança, de elevar o moral. Algo mais positivo.

Não fica aqui nenhuma crítica ao grupo RBS. Compreendo a opção dos editores-chefes dos três jornais. É válida também apesar de, talvez, ser desnecessária. Também não é um elogio o que digo sobre o Notícias do Dia, mesmo que eu tenha trabalhado lá até o último mês. O fato puro e simples é que eles escolheram o método que me agrada mais, jornalisticamente falando.

As diferenças ficam claras nas manchetes - dos jornais que tive acesso nestes dias - na lista abaixo:


Notícias do dia

Terça-feria, dia 25

"Já são 64 os mortos pela enchente"

Quarta-feira, dia 26
"Hora de Recomeçar"

Jornal de Santa Catarina

Terça-feira, dia 25
"Ajude"

Quarta-feira, dia 26
"A pior catástrofe"

Diário Catarinense

Terça-feira, dia 25
"Desolação em SC"

Quarta-feira, dia 26
"Cenário de Guerra"

A Notícia

Segunda-feira, dia 24
"Foi o caos"

Quarta-feira, dia 26
"Hora de ajudar"

3 comentários:

Upiara Boschi disse...

A diferença do ND foi usar número na manchete do primeiro dia. Ficou bom, mas entendo a opção dos jornais que evitaram os números na capa - ele certamente estaria desatualizado quando o jornal chegasse na mão do leitor.

Curioso mesmo é que hoje o AN e o ND joinvilense vieram com o mesmo "Hora de ajudar".

Anônimo disse...

Nenhuma das manchetes se compara à nuvem de sangue que "emoldurou" o especial do DC sobre as chuvas.
Angela

Marco Antonio Zanfra disse...

Você fala em Grupo RBS e tendenciosidade como se fossem coisas que não andassem juntas. Algum espanto? Eles são tendenciosos e não se envergonham disso. Quer prova mais cabal do que o gráfico que ilustra a matéria sobre os craques do Brasileirão no "DC" de hoje? Nas fotos possíveis, todos os jogadores - incluindo o técnico - ou são do Grêmio ou são do Internacional.