Há algum tempo a noiva vem insistindo para que eu diminua o consumo de cerveja. Normal, mulher sempre reclama disso. E, confesso, o resultado de tanto prazer etílico está ficando "a olhos vistos".
Acho que ela vai ter sucesso na reivindicação mais cedo do que esperava. Paguei R$ 3,00 uma garrafa da Brahma. Na verdade, foram R$ 9,00, pois eu e meu progenitor bebemos três na tradicional "cervejinha de domingo com os camaradas do mercadinho ali na frente do prédio".
Pô! Eu nem gosto de Brahma. Optamos por esta marca pois as demais eram ainda mais caras. Meu pai defende a tese que "os impostos que o governo tirou dos carros foram passados para a cerveja". Não sei. Pode até ser. Mas, tanto faz, o preço está subindo. Segundo o Sêo Jaime - também conhecido como pai do Bonassoli - já foram três aumentos consecutivos nos últimos meses. Das duas uma: ou corto a cervejinha no boteco ou apelo para as latinhas adquiridas nos supermercados, cuja relação custo-benefício é menos agressiva ao orçamento doméstico.
É um saco este lance de vida saudável: obriga o vivente a comer e beber somente coisas ruins e sem graça. E o nosso governo? Aumentar impostos da cerveja devia ser inconstitucional, crime hediondo, sem direito à fiança.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Insegurança
Reportagem do Diário Catarinense revela outro câncer anunciado há anos. Mas não há um "médico" com competência suficiente para iniciar o processo de cura.
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Câncer devastador
Moacir Pereira bateu sem dó ou meias-palavras na situação do turismo em Florianópolis (e em Santa Catarina). Na sua coluna publicada hoje no Diário Catarinense, o colega destaca a ausência do poder público, o baixo nível de boa parte dos turistas que nos visitam e a falta de cidadania por parte de nós, moradores.
E o que mais dói é que trata-se de um processo longo, que ocorre há anos e só agora algumas poucas pessoas se dão conta. Ser uma "capital turística" é uma praga para Florianópolis. Há empresários locais que agem na má fé. Há moradores que odeiam os turistas e os exploram. Mas há turistas predatórios. Um reflexo da queda na educação da nação brasileira. Aqueles fulanos que vão para outras cidades, se acham donos do local, usam e abuso e apostam na impunidade, este monstro feroz, que cresce como um câncer devastador e incontrolável.
Isso só vai mudar a partir das próximas eleições, quando a população passar a escolher representantes decentes. Utopia de botequim, eu sei. Pois, será que o povo quer mudanças mesmo? Afinal, isso significa que cada um tem que mudar, para dar exemplo.
E o que mais dói é que trata-se de um processo longo, que ocorre há anos e só agora algumas poucas pessoas se dão conta. Ser uma "capital turística" é uma praga para Florianópolis. Há empresários locais que agem na má fé. Há moradores que odeiam os turistas e os exploram. Mas há turistas predatórios. Um reflexo da queda na educação da nação brasileira. Aqueles fulanos que vão para outras cidades, se acham donos do local, usam e abuso e apostam na impunidade, este monstro feroz, que cresce como um câncer devastador e incontrolável.
Isso só vai mudar a partir das próximas eleições, quando a população passar a escolher representantes decentes. Utopia de botequim, eu sei. Pois, será que o povo quer mudanças mesmo? Afinal, isso significa que cada um tem que mudar, para dar exemplo.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Crise
Florianópolis, 08 de janeiro de 2009. Calçadão da Felipe Schmidt, 21h30. Cerca de 30 pessoas se instalaram com cadeiras plásticas na frente de uma grande loja de departamentos. Seriam malucos? fanáticos? desocupados? Que nada, são só clientes que aguardam a abertura das portas do estabelecimento, às 5h do dia seguinte para mais uma grande liquidação de início de ano.
Foto: Alessandro Bonassoli

Fila: Antes até de "quem cedo madruga"
É outra das liquidações que tomaram conta da capital catarinense nos últimos dias. O quê leva tanta gente a sair do conforto das suas casas para encarar uma fila, madrugada inteira, sob a intempérie, sob os riscos da violência de uma cidade como Florianópolis? Mero consumismo? Ou a crise econômica é tanta que o melhor é mesmo comprar em mega-liquidações?
Foto: Alessandro Bonassoli

Fila: Antes até de "quem cedo madruga"
É outra das liquidações que tomaram conta da capital catarinense nos últimos dias. O quê leva tanta gente a sair do conforto das suas casas para encarar uma fila, madrugada inteira, sob a intempérie, sob os riscos da violência de uma cidade como Florianópolis? Mero consumismo? Ou a crise econômica é tanta que o melhor é mesmo comprar em mega-liquidações?
Angela vai ou Angela fica
Angela Albino estranha a nota publicada na edição de ontem do Diário Catarinense. Segundo o texto, a ex-vereadora do PCdoB, que disputou a eleição para a prefeitura de Florianópolis em 2008, estaria perto de assumir um cargo público em Brasília (DF).
"Tomei um susto quando li a nota. Da onde se tira essas coisas? Ao menos comigo ninguém falou sobre o assunto", me garantiu Angela. Fato é que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, é correligionário da ex-parlamentar. Mais fato ainda é o excelente desempenho dela durante a corrida pelo Paço Municipal. O próprio prefeito Dário Berger (PMDB) me disse durante a apuração do primeiro turno que, se não fosse o crescimento de Angela no pleito, ele poderia ter liquidado a fatura sem a necessidade do segundo turno. Talvez tudo isso possa não parecer muito, mas justificaria um eventual convite para alguma função na capital federal.
Como ela nega o episódio, fica o dito pelo não dito. Creio que, mantendo sua postura, Angela deva atuar nos bastidores, continuando na oposição.
"Tomei um susto quando li a nota. Da onde se tira essas coisas? Ao menos comigo ninguém falou sobre o assunto", me garantiu Angela. Fato é que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, é correligionário da ex-parlamentar. Mais fato ainda é o excelente desempenho dela durante a corrida pelo Paço Municipal. O próprio prefeito Dário Berger (PMDB) me disse durante a apuração do primeiro turno que, se não fosse o crescimento de Angela no pleito, ele poderia ter liquidado a fatura sem a necessidade do segundo turno. Talvez tudo isso possa não parecer muito, mas justificaria um eventual convite para alguma função na capital federal.
Como ela nega o episódio, fica o dito pelo não dito. Creio que, mantendo sua postura, Angela deva atuar nos bastidores, continuando na oposição.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Velha questão
No portal G1:
"Notícias mais lidas"
1 Mãe de bebê de olho azul: ‘Dói pensar em trocá-lo'
2 Menino morde agressor e salva mãe de estupro
3 Marido arrasta mulher com moto na Grande SP
4 Menina achada morta em poça na Grande São Paulo
5 Novas imagens: mulheres deixam aeronave que caiu
Todas falam sobre violência, tristeza e dor. Em maior ou menor grau. Quer seja na primeira, onde a mãe negra saiu da maternidade com um filho branco (e sem ter traído o marido), quer seja na tentativa de estupro. Aí vem a velha questão: são as mais lidas porquê o público gosta deste tipo de assunto ou há falta de boas notícias?
"Notícias mais lidas"
1 Mãe de bebê de olho azul: ‘Dói pensar em trocá-lo'
2 Menino morde agressor e salva mãe de estupro
3 Marido arrasta mulher com moto na Grande SP
4 Menina achada morta em poça na Grande São Paulo
5 Novas imagens: mulheres deixam aeronave que caiu
Todas falam sobre violência, tristeza e dor. Em maior ou menor grau. Quer seja na primeira, onde a mãe negra saiu da maternidade com um filho branco (e sem ter traído o marido), quer seja na tentativa de estupro. Aí vem a velha questão: são as mais lidas porquê o público gosta deste tipo de assunto ou há falta de boas notícias?
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Mobilização
E se alguém achava que a Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc) iria jogar a tolha na queda de braço com o governo do estado é melhor mudar de idéia. O deputado estadual Sargento Amauri Soares (PDT), me garantiu hoje à tarde que amanhã tem uma nova mobilização.
A turma vai para a Praça Tancredo Neves retomar a campanha pelo cumprimento da Lei 254, sancionada em 2003, que prevê o reajuste salarial de todos os servidores da área. Segundo a Aprasc, são profissionais cujos salários estão congelados há três anos. "A última vez que o governo negociou efetivamente foi em 10 de outubro de 2005", afirma documento divulgado pela entidade há alguns dias.
Segundo Soares, além da Capital, também vai haver mobilização em São Miguel do Oeste. Estratégia interessante, mobilizar a categoria justamente nas duas "pontas" do Estado, tipo, entrada e saída. Pelo visto, o barulho terá continuidade.
A turma vai para a Praça Tancredo Neves retomar a campanha pelo cumprimento da Lei 254, sancionada em 2003, que prevê o reajuste salarial de todos os servidores da área. Segundo a Aprasc, são profissionais cujos salários estão congelados há três anos. "A última vez que o governo negociou efetivamente foi em 10 de outubro de 2005", afirma documento divulgado pela entidade há alguns dias.
Segundo Soares, além da Capital, também vai haver mobilização em São Miguel do Oeste. Estratégia interessante, mobilizar a categoria justamente nas duas "pontas" do Estado, tipo, entrada e saída. Pelo visto, o barulho terá continuidade.
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Palestino vermelho
Nildomar "Nildão" Freire, que disputou a eleição para prefeito de Florianópolis em outubro passado, era um dos mais entusiasmados no ato de apoio à causa palestina. A ação, primeira do ano realizada pelo PT da Capital, aconteceu hoje à tarde na Esquina Democrática do Calçadão da Felipe Schmidt.
Foto: Alessandro Bonassoli

Apoio: Nildão (com o chapéu) se mantém na cena
"Mas não é um ato partidário", me garantiu Nildão. Segundo ele, foram convidados representantes das mais variadas correntes políticas de Florianópolis e representantes de outros setores da sociedade civil. Passei pelo local quando voltava de uma pendência burocrática para obter meu plano de saúde. Cheguei no final do evento e, da turma da Política, só avistei ali o deputado estadual Sargento Soares (PDT). Mas, de acordo com Nildão, integrantes de outras siglas, como o PSOL, por exemplo, também prestigiaram a iniciativa. A idéia não era debater os meandros da política local ou brasileira, mas um fato "que é de todo o mundo".
Uma senhora que vestia os trajes típicos da Palestina, fez questão de cumprimentar o ex-vereador, a quem chamou de "palestino de coração". Se este novo capítulo da crise no Oriente Médio tivesse ocorrido há alguns meses, Nildão provavelmente teria somado os votos das famílias de origem palestina que vivem em Florianópolis.
Foto: Alessandro Bonassoli

Apoio: Nildão (com o chapéu) se mantém na cena
"Mas não é um ato partidário", me garantiu Nildão. Segundo ele, foram convidados representantes das mais variadas correntes políticas de Florianópolis e representantes de outros setores da sociedade civil. Passei pelo local quando voltava de uma pendência burocrática para obter meu plano de saúde. Cheguei no final do evento e, da turma da Política, só avistei ali o deputado estadual Sargento Soares (PDT). Mas, de acordo com Nildão, integrantes de outras siglas, como o PSOL, por exemplo, também prestigiaram a iniciativa. A idéia não era debater os meandros da política local ou brasileira, mas um fato "que é de todo o mundo".
Uma senhora que vestia os trajes típicos da Palestina, fez questão de cumprimentar o ex-vereador, a quem chamou de "palestino de coração". Se este novo capítulo da crise no Oriente Médio tivesse ocorrido há alguns meses, Nildão provavelmente teria somado os votos das famílias de origem palestina que vivem em Florianópolis.
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Oficina do Diabo II
Meu camarada Upiara Boschi, gaúcho de carteirinha, gente boa, apesar de torcer pro clube errado, lembrou bem ao comentar o post anterior. A minissérie da Globo teve como consultor o escritor Tabajara Ruas, que também domina o assunto Guerra dos Farrapos.
Upiara sugere o livro "Varões Assinalados", escrito por Ruas e que, ao contrário de "A Casa das Sete Mulheres", desvenda detalhes do conflito. Ou seja, muito mais interessante.
Upiara sugere o livro "Varões Assinalados", escrito por Ruas e que, ao contrário de "A Casa das Sete Mulheres", desvenda detalhes do conflito. Ou seja, muito mais interessante.
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Oficina do diabo
Li "A Casa das Sete Mulheres", de Leticia Wierzchowski. Apesar do tema me interessar muito - afinal fala sobre História do Brasil e minha saudosa Curitibanos é citada no texto - esperei alguns anos para abrir o livro. Houve toda aquela badalação com a minissérie da Globo e detesto coisas que estão "na moda".
O livro é bom. Nada demais, nem de menos. Uma versão romanceada sobre a Guerra dos Farrapos. A autora não se aprofundou muito nas tramas verídicas - nem deveria ser esta a intenção dela - mas conseguiu dar uma boa idéia do que foi o episódio. Minha noiva, que adorou a versão para a TV, está curiosa pelo livro. E, no último domingo, em meio à uma maratona de "Lost" (a primeira temporada, que a Sil não acompanhou na íntegra), veio a idéia de rever a série global.
Baixei os primeiros episódios e lembrei que eu também gostei do programa. Tirando, claro, aquela papagaiada da personagem vivida pela Mariana Ximenes. Ô criatura mala! Tanto quanto no livro. Aquele papo de se apaixonar pelo fantasminha camarada é irritante. Incrível como o Jayme Monjardim conseguiu achar no livro um tipo tão característico da sua obra. Pro bem - ou pro mal - não sei, a versão da TV abrasileirou o fantasma que era, originalmente, uruguaio.
Tirando isso, a produção é de alto gabarito, como praticamente tudo que a Globo faz. A surpresa negativa é que a versão em DVD é editada. Em uma hora e meia do primeiro disco há bem mais coisas do que dois capítulos. Deram uma enxugada forte no material. Isso já me eliminou a idéia de comprar a versão oficial. Quem vai querer uma obra mutilada?
O mesmo já ocorreu com "O Tempo e o Vento", um clássico que a Globo levou à tela com maestria. Infelizmente, me garantem fontes mais do que confiáveis, a versão em DVD não perdeu partes essencias da trama. A história do Bolívar Terra Cambará, por exemplo, o filho loser do Capitão Rodrigo foi quase que limada. Fã que sou da obra de Érico Veríssimo, dificilmente vou empregar alguns reais na versão original. É como dizia a vó Bibiana, "cabeça vazia, oficina do diabo".
O livro é bom. Nada demais, nem de menos. Uma versão romanceada sobre a Guerra dos Farrapos. A autora não se aprofundou muito nas tramas verídicas - nem deveria ser esta a intenção dela - mas conseguiu dar uma boa idéia do que foi o episódio. Minha noiva, que adorou a versão para a TV, está curiosa pelo livro. E, no último domingo, em meio à uma maratona de "Lost" (a primeira temporada, que a Sil não acompanhou na íntegra), veio a idéia de rever a série global.
Baixei os primeiros episódios e lembrei que eu também gostei do programa. Tirando, claro, aquela papagaiada da personagem vivida pela Mariana Ximenes. Ô criatura mala! Tanto quanto no livro. Aquele papo de se apaixonar pelo fantasminha camarada é irritante. Incrível como o Jayme Monjardim conseguiu achar no livro um tipo tão característico da sua obra. Pro bem - ou pro mal - não sei, a versão da TV abrasileirou o fantasma que era, originalmente, uruguaio.
Tirando isso, a produção é de alto gabarito, como praticamente tudo que a Globo faz. A surpresa negativa é que a versão em DVD é editada. Em uma hora e meia do primeiro disco há bem mais coisas do que dois capítulos. Deram uma enxugada forte no material. Isso já me eliminou a idéia de comprar a versão oficial. Quem vai querer uma obra mutilada?
O mesmo já ocorreu com "O Tempo e o Vento", um clássico que a Globo levou à tela com maestria. Infelizmente, me garantem fontes mais do que confiáveis, a versão em DVD não perdeu partes essencias da trama. A história do Bolívar Terra Cambará, por exemplo, o filho loser do Capitão Rodrigo foi quase que limada. Fã que sou da obra de Érico Veríssimo, dificilmente vou empregar alguns reais na versão original. É como dizia a vó Bibiana, "cabeça vazia, oficina do diabo".
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Ótimas leituras
O colega Dauro Veras fez um freela para o jornal Valor Econômico. Colheu fatos e depoimentos de algumas das muitas vítimas da tragédia climática que devastou parte de Santa Catarina. Digo parte pois, do modo que a mídia nacional vem tratando o tema, parece que o Estado inteiro ficou - e ainda está - sob água pútrida e lama.
Mas, voltando ao tema... o Dauro - cujo ótimo blog está sugerido na listinha ao lado - deu um banho. Os textos podem ser lidos aqui e aqui. Recomendo ainda a leitura deste post, no qual o colega revela com maestria os bastidores da profissão de jornalista.
Mas, voltando ao tema... o Dauro - cujo ótimo blog está sugerido na listinha ao lado - deu um banho. Os textos podem ser lidos aqui e aqui. Recomendo ainda a leitura deste post, no qual o colega revela com maestria os bastidores da profissão de jornalista.
E por falar em política
Eu queria falar sobre Política. Tem tempo que não faço isso. Tenho saudade do assunto, mas, de longe, sem cobrir a editoria, e com a falta de tempo gerada pelo novo trabalho, ficou muito complicado.
Ultimamente, acompanho o cenário por meio dos blogs da raça e pelos três principais jornais de Santa Catarina. As notícias não me surpreendem, eram de certo modo previsíveis (ou você também subestimou a força dos praças da Polícia Militar catarinense?).
Mas, me parece, as informações são poucas. Falta mais apuração, mais investigação, falta mais reportagem. Faltam mais histórias. Quem vê com uma certa atenção pode até pensar que não existe oposição neste Estado. Ou será que os três principais jornais não dão voz aos opositores? Ok, eu sei qual é a resposta, mas... ah, deixa prá lá, para bom internauta, meio post basta.
É por estas e outras que a paulistada diz sem medo que, da divisa com o Paraná prá baixo, não se faz JORNALISMO.
Ultimamente, acompanho o cenário por meio dos blogs da raça e pelos três principais jornais de Santa Catarina. As notícias não me surpreendem, eram de certo modo previsíveis (ou você também subestimou a força dos praças da Polícia Militar catarinense?).
Mas, me parece, as informações são poucas. Falta mais apuração, mais investigação, falta mais reportagem. Faltam mais histórias. Quem vê com uma certa atenção pode até pensar que não existe oposição neste Estado. Ou será que os três principais jornais não dão voz aos opositores? Ok, eu sei qual é a resposta, mas... ah, deixa prá lá, para bom internauta, meio post basta.
É por estas e outras que a paulistada diz sem medo que, da divisa com o Paraná prá baixo, não se faz JORNALISMO.
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Literatura em supermercado
Entre os dias da comemoração natalina em Jundiaí descobri uma pequena jóia da literatura nacional. Comprei "O Executante", de Rubem Mauro Machado, em um supermercado... por míseros R$ 9,90. Três contos exclentes que provam como histórias policiais são possíveis abaixo da linha do Equador.
O autor é jornalista, tradutor e escritor de oito livros. Com "A Idade da Paixão" ganhou o Prêmio Jabuti em 1986. Nem acabei a leitura, mas já estou "babando" por mais criações de Machado. "A Carícia da Serpente", conto que abre o livro, causou um baque e tanto. Quer seja pelo texto primoroso, quer seja pela crueza do final escatológico e verdadeiramente surpreendente. Sem contar que o colega conseguiu resumir em poucas páginas a verdadeira face da profissão jornalista. Muito diferente do que fantasiam as mocinhas ou que glamurizam os telejornais.
A edição é de 2000 é da Editora Record, dentro da "Coleção Negra", que trouxe às livrarias brasileiras algumas preciosidades da literatura noir. "Los Angeles Cidade Proibida" (James Ellroy), "O Colecionar de Ossos" (Jeffrey Deaver) e "A Região Submersa" (Tabajara Ruas), citando só alguns títulos. É clichê, mas há muito produto nacional de alta qualidade que, infelizmente, continua esquecido e desconhecido nas prateleiras de livrarias e... supermercados.
O autor é jornalista, tradutor e escritor de oito livros. Com "A Idade da Paixão" ganhou o Prêmio Jabuti em 1986. Nem acabei a leitura, mas já estou "babando" por mais criações de Machado. "A Carícia da Serpente", conto que abre o livro, causou um baque e tanto. Quer seja pelo texto primoroso, quer seja pela crueza do final escatológico e verdadeiramente surpreendente. Sem contar que o colega conseguiu resumir em poucas páginas a verdadeira face da profissão jornalista. Muito diferente do que fantasiam as mocinhas ou que glamurizam os telejornais.
A edição é de 2000 é da Editora Record, dentro da "Coleção Negra", que trouxe às livrarias brasileiras algumas preciosidades da literatura noir. "Los Angeles Cidade Proibida" (James Ellroy), "O Colecionar de Ossos" (Jeffrey Deaver) e "A Região Submersa" (Tabajara Ruas), citando só alguns títulos. É clichê, mas há muito produto nacional de alta qualidade que, infelizmente, continua esquecido e desconhecido nas prateleiras de livrarias e... supermercados.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Contraste de Fim de Ano
Recebi no e-mail uma foto tirada pelo meu colega Lúcio Piton que, atualmente, trabalha no jornal A Cidade, em Ribeirão Preto (SP). Repórter fotográfico do melhor estilo, Piton foi meu contemporâneo na sucursal da Folha de S.Paulo lá na cidade do melhor chopp do Brasil.
Constantemente muito bem humorado, Piton também sempre foi dono de um olho clínico. Capaz de flagrar instantes como o da imagem abaixo. Daquelas imagens que nos fazem pensar. E repensar.
É época de felicidade para muitos. Dezembro, Natal, Ano Novo. Esperança e fé. Mas, para muitos, é só uma série de dias como os demais, sem nada para comer ou comemorar.
Foto: Lucio Piton/A Cidade

Contraste: Sim, é no Brasil
Constantemente muito bem humorado, Piton também sempre foi dono de um olho clínico. Capaz de flagrar instantes como o da imagem abaixo. Daquelas imagens que nos fazem pensar. E repensar.
É época de felicidade para muitos. Dezembro, Natal, Ano Novo. Esperança e fé. Mas, para muitos, é só uma série de dias como os demais, sem nada para comer ou comemorar.
Foto: Lucio Piton/A Cidade

Contraste: Sim, é no Brasil
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Sessão baladinha
E por falar em Faith No More, lembrei de "Edge Of The World", cuja poesia fala em...
"(...) Well sing and dance
And we´ll find romance
And we´ll stroll to the edge of the world (...)"
Santinha, tá valendo muito...
"(...) Well sing and dance
And we´ll find romance
And we´ll stroll to the edge of the world (...)"
Santinha, tá valendo muito...
Papai Noel, em 2009 eu quero...
É dezembro. De novo. Inevitavelmente, sempre rolam aquelas listas de "Melhores do Ano", "Piores do Ano", "Prioridades para o ano que vem" e coisas deste tipo.
Fiquei pensando o quê eu gostaria de ver acontecer em 2009. Sei lá, acho que é o dia de hoje, 11 de dezembro. Fui com a namorada procurar nosso primeiro apartamento - vamos noivar e tals - e, por coincidência, é aniversário de 37 anos de casamento dos meus progenitores. Acho que ano passado eu escrevi um post sobre esta efeméride do "Seu" Jaime e da "Dona" Olinda. É um mixto de passado e futuro no presente, uma espiral - e, ok, eu confesso, gosto muito de empregar o vocábulo "espiral" - de emoções simultâneas.
Mas a divagação já está indo para um segundo parágrafo e não escrevi minha listinha de "Papai Noel, eu quero em 2009". Então, não necessariamente nesta ordem, vejamos...
* A volta do Faith No More com a formação clássica - Sim, com o Mike Patton nos vocais, para uma extensa tour que, OBRIGATORIAMENTE, passe por Florianópolis, com eles tocando o "The Real Thing", o "Angel Dust" e o "King For a Day, Fool For a Lifetime" na íntegra
* Campanha muito boa do Avaí na Série A com classificação para a Sulamericana
* o Bicampeonato do Inter na Recopa Sulamericana
* O Bicampeonato do Inter no Campeonato Gaúcho, novamente fazendo 8 a 1 na decisão, mas, desta vez, sobre uma outra determinada agremiação adversária
* O tetracampeonato brasileiro conquistado pelo Inter
* A reconstrução de Santa Catarina com a implantação de uma política eficiente para evitar catástrofes naturais
* O surgimento de um novo JORNAL em Santa Catarina, com cobertura ESTADUAL e salários DECENTES para seus jornalistas
* Continuidade da excelente fase profissional na carreira do titular deste blog iniciada no segundo semestre do corrente ano
* Continuidade da excelente fase pessoal iniciada no segundo semestre do corrente ano
* Que eu tenha mais tempo livre para ler BONS livros (incluindo aí vários do Dashiel Hammet, Érico Veríssimo, H.P. Lovecraft e Stephen King)
* Que todos os que me desejaram o mal sejam felizes e mudem de opinião
* Rever ao vivo Queensrÿche, The Gathering, Overkill, Judas Priest, Slayer, Megadeth, Grave Digger, Kreator, Stryper e o fuckin' Moonspell seria excelente
* Ver ao vivo - pela primeira vez, já que espero desde 1987!!! - o OverDose
* E o sucesso worldwide do Blakk Market
Né muito não, hein??
Fiquei pensando o quê eu gostaria de ver acontecer em 2009. Sei lá, acho que é o dia de hoje, 11 de dezembro. Fui com a namorada procurar nosso primeiro apartamento - vamos noivar e tals - e, por coincidência, é aniversário de 37 anos de casamento dos meus progenitores. Acho que ano passado eu escrevi um post sobre esta efeméride do "Seu" Jaime e da "Dona" Olinda. É um mixto de passado e futuro no presente, uma espiral - e, ok, eu confesso, gosto muito de empregar o vocábulo "espiral" - de emoções simultâneas.
Mas a divagação já está indo para um segundo parágrafo e não escrevi minha listinha de "Papai Noel, eu quero em 2009". Então, não necessariamente nesta ordem, vejamos...
* A volta do Faith No More com a formação clássica - Sim, com o Mike Patton nos vocais, para uma extensa tour que, OBRIGATORIAMENTE, passe por Florianópolis, com eles tocando o "The Real Thing", o "Angel Dust" e o "King For a Day, Fool For a Lifetime" na íntegra
* Campanha muito boa do Avaí na Série A com classificação para a Sulamericana
* o Bicampeonato do Inter na Recopa Sulamericana
* O Bicampeonato do Inter no Campeonato Gaúcho, novamente fazendo 8 a 1 na decisão, mas, desta vez, sobre uma outra determinada agremiação adversária
* O tetracampeonato brasileiro conquistado pelo Inter
* A reconstrução de Santa Catarina com a implantação de uma política eficiente para evitar catástrofes naturais
* O surgimento de um novo JORNAL em Santa Catarina, com cobertura ESTADUAL e salários DECENTES para seus jornalistas
* Continuidade da excelente fase profissional na carreira do titular deste blog iniciada no segundo semestre do corrente ano
* Continuidade da excelente fase pessoal iniciada no segundo semestre do corrente ano
* Que eu tenha mais tempo livre para ler BONS livros (incluindo aí vários do Dashiel Hammet, Érico Veríssimo, H.P. Lovecraft e Stephen King)
* Que todos os que me desejaram o mal sejam felizes e mudem de opinião
* Rever ao vivo Queensrÿche, The Gathering, Overkill, Judas Priest, Slayer, Megadeth, Grave Digger, Kreator, Stryper e o fuckin' Moonspell seria excelente
* Ver ao vivo - pela primeira vez, já que espero desde 1987!!! - o OverDose
* E o sucesso worldwide do Blakk Market
Né muito não, hein??
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Blumenau e Itajaí, duas semanas depois - Parte I
Blumenau e Itajaí estão, aos poucos, retomando sua rotina. Nas ruas das duas cidades a aparência é menos traumática do que na semana passada. As pessoas, claro, não esqueceram da tragédia. Ainda há muito para ser feito.
O número de voluntários começa a diminuir, mas os donativos continuam chegando. Do alto, as imagens ainda assustam.
Fotos: Alessandro Bonassoli









O número de voluntários começa a diminuir, mas os donativos continuam chegando. Do alto, as imagens ainda assustam.
Fotos: Alessandro Bonassoli
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sábado, 6 de dezembro de 2008
Democracia aérea
Brasília, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008.
No vôo das 19h30 para Florianópolis um retrato da política de Santa Catarina. Há algumas décadas, ninguém diria que no mesmo avião estariam representantes da Direita e da Esquerda. Nomes históricos nos respectivos partidos, uns se cumprimentando cordialmente, outros meramente por educação. Alguns, nem isso.
A lista de passageiros - aqui apresentada em ordem alfabética - incluiu:
- Angela Albino (PCdoB)
- Angela Amin (PP)
- Carmem Zanoto (PPS)
- Edinho Bez (PMDB)
- Ideli Salvati (PT)
- Neuto de Conto (PMDB)
- Paulo Bauer (PSDB)
Esse tipo de "convenção", obviamente, é muito comum. Semanal. Os que são deputados federais ou senadores vão e voltam todas as semanas para a capital federal. Os que são secretários de Estado, prefeitos ou vereadores, também são obrigados à constantes excursões a Brasília.
Para os que têm amizade, a viagem se torna menos monótona e irritante. Mas, àqueles que mal se falam, que volta e meia duelam nos plenários e por meio da imprensa, deve ser um teste de paciência ter que voar - talvez até ao lado - de algum desafeto da lida política.
No vôo das 19h30 para Florianópolis um retrato da política de Santa Catarina. Há algumas décadas, ninguém diria que no mesmo avião estariam representantes da Direita e da Esquerda. Nomes históricos nos respectivos partidos, uns se cumprimentando cordialmente, outros meramente por educação. Alguns, nem isso.
A lista de passageiros - aqui apresentada em ordem alfabética - incluiu:
- Angela Albino (PCdoB)
- Angela Amin (PP)
- Carmem Zanoto (PPS)
- Edinho Bez (PMDB)
- Ideli Salvati (PT)
- Neuto de Conto (PMDB)
- Paulo Bauer (PSDB)
Esse tipo de "convenção", obviamente, é muito comum. Semanal. Os que são deputados federais ou senadores vão e voltam todas as semanas para a capital federal. Os que são secretários de Estado, prefeitos ou vereadores, também são obrigados à constantes excursões a Brasília.
Para os que têm amizade, a viagem se torna menos monótona e irritante. Mas, àqueles que mal se falam, que volta e meia duelam nos plenários e por meio da imprensa, deve ser um teste de paciência ter que voar - talvez até ao lado - de algum desafeto da lida política.
Campeão solidário
Passei agora no site do glorioso Sport Club Internacional para comprar o meu presente de Natal. A grata surpresa foi descobrir que meu time é campeão também na solidariedade.
Fotos: Lucas Uebel/Divulgação/VipComm

Mais um: Depois da Libertadores, do Mundial Clubes FIFA, Recopa Sulamericana, o Internacional conquista a Copa Sulamericana, único clube do Brasil a ganhar TUDO!

Novo ídolo: Lauro, digno representante da tradicional escola de arqueiros colorados
No último dia 4, 109 toneladas de doações saíram do majestoso Beira-Rio para as vítimas da tragédia que devastou parte de Santa Catarina. Leia mais clicando aqui.
Fotos: Lucas Uebel/Divulgação/VipComm
Mais um: Depois da Libertadores, do Mundial Clubes FIFA, Recopa Sulamericana, o Internacional conquista a Copa Sulamericana, único clube do Brasil a ganhar TUDO!
Novo ídolo: Lauro, digno representante da tradicional escola de arqueiros colorados
No último dia 4, 109 toneladas de doações saíram do majestoso Beira-Rio para as vítimas da tragédia que devastou parte de Santa Catarina. Leia mais clicando aqui.
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sábado, 29 de novembro de 2008
Mais relatos do caos
Meu amigo Celso Martins abriu as portas do seu blog para a cobertura da enchente que devasta Santa Catarina. Coletando fotos e textos que lhe são repassados por outros colegas, ele põe em prática suas duas profissões: jornalista e historiador.
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Relato do caos
No post anterior afirmei que não iria apresentar detalhes sobre a calamidade que assola Santa Catarina. Mal sabia que no dia seguinte estaria na estrada rumo ao epicentro da devastação. No meio da tarde de quinta-feira fui chamado às pressas ao gabinete da Secretaria de Estado da Educação.
Por volta das 17 horas, eu, o secretário Paulo Bauer e o motorista Roberto estávamos na BR-101 em direção a Jaraguá do Sul, uma das cidades castigadas pela fúria da natureza. Seria uma viagem de inspeção nas escolas estaduais de lá, Blumenau e Itajaí. Para minha surpresa, o trânsito estava tranquilo e, no início da noite, estávamos na simpática e loura Jaraguá do Sul.
Perto da cidade, impressionava o número de barreiras que caíram. Dos dois lados da rodovia, a terra desceu em vários pontos. Em alguns trechos, tudo parecia que viria abaixo a qualquer momento. No município, a água já havia baixado. Falso alento ao vermos o local onde uma montanha de terra soterrou casas, famílias e uma revenda de automóveis. Imagens que o País inteiro assistiu pela TV. Foi impossível não se assustar com o fato de não ter sobrado nada. De existirem lá agora raros sinais de que antes ali havia vida.
Fotos: Alessandro Bonassoli

Do alto: perigo constante
Os maiores estragos, ficamos sabendo na Arena Multiuso de Jaraguá, foram na área rural, onde os colonos perderam simplesmente tudo. Palco de emoções esportivas, a Arena agora é uma fábrica de solidariedade. Em pouco mais de 20 minutos, presenciamos pessoas de todas as idades e classes sociais trabalhando sem parar no recebimento, separação e embarque dos donativos que chegam de todo o Brasil. É tanta gente querendo ajudar que os organizadores têm dispensado mão-de-obra. O ritmo é intenso e grupos de 200 voluntários se revezam a cada turno. Só na quinta-feira, 26 caminhões lotados de mantimentos, como água, comida e roupas saíram de lá rumo às demais cidades atingidas. Seriam outros 30 na sexta-feira.
Jaraguá é a melhor opção logística, pois os caminhões que chegam de outros Estados não têm como ir até Blumenau e Itajaí, por exemplo. Em Jaraguá do Sul, os cálculos iniciais, afirmou a vice-prefeita Rosimeiry Vasel, indicavam 1500 desalojados, mais de 360 barreiras caídas nas estradas da região e um desfalque de R$ 800 mil a R$ 1 milhão nas escolas.
Isso é pouco diante do que vi no dia seguinte, em Blumenau. Em uma reunião da Secretaria de Desenvolvimento Regional, onde estão alojados cerca de 200 policias militares, ficou claro que o caos era muito maior. Só nas imagens das escolas da região que foram afetadas, tive a impressão logo mais comprovada pelo secretário Paulo França. "O que está acontecendo agora é muito maior do que as enchentes de 1983 e 1984. Naquela vez, a água subiu e baixou. Agora, os morros estão caindo", contou com a experiência de quem era secretário de obras durante as duas históricas cheias dos anos 80.

Sujeira: Após os estragos, o mau cheiro da lama
Como fui até lá para registrar o problema nas unidades de ensino, vi apenas de longe o restante do problema. Avenidas inteiras tomadas pela lama, cenário de guerra - como escreveram os colegas do Diário Catarinense. Na Escola Victor Hering, PMs trazidos para ajudar nos reparos e no controle da situação estão alojados com moradores que não têm mais para onde voltar. Curiosamente, o prédio também sofreu com as chuvas.

Símbolo: Nem a bandeira do Brasil escapou
Na Escola Adolpho Konder a lama tomou o ginásio de esportes, a água estragou móveis e equipamentos. Localizada em frente a um cemitério, a unidade precisará passar por um severo trabalho de higienização, pois a água que enxarcou o Campo Santo desceu direto de encontro aos fundos do ginásio.

Alternativa: Erguer os móveis é o recurso
Durante uma reunião no gabinete do prefeito João Paulo Kleinubing, ele tentava demonstrar controle ao expressar fatos aterrorizantes. "Estamos falando em um ano de abrigamento para as vítimas, pelo menos", afirmou. Cercado por assessores, técnicos, bombeiros e políticos que debatiam como alojar tanta gente. Afinal, houve bairros em que várias casas desapareceram. Atrás dele, colado na parede, um mapa do município mostrava vários locais com os quais a comunicação ainda não fora estabelecida.

Desolação: Esqueceram de mim
O imponente prédio da prefeitura de Blumenau é um retrato da situação caótica da cidade, do Estado. Ao sairmos do elevador, topamos com uma equipe do SAMU da Paraiba, que havia recém chegado e já recebia instruções para ir a campo trabalhar no resgate das vítimas. A ante-sala do gabinete do prefeito e a sacada ao seu redor estavam tomadas pela imprensa. Apresentadores, repórteres e cinegrafistas de todo o Brasil transmitindo ao vivo as últimas notícias. Lá fora, ao menos, era um sol maravilhoso, que trazia aquele calor insuportável que só quem já foi a Blumenau conhece. Infelizmente, hoje já choveu novamente.

Sina: Ao fundo, o rio que deu vida e agora traz a morte
Nos olhos das pessoas abrigadas nas escolas da cidade a expressão é de medo. Angústia e desespero. Algumas crianças brincam, talvez alheias aos fatos. Mas seus pais e irmãos nem choram mais. Muitos olham para quem é de fora com um ar de súplica, ainda mais intenso do que os, desafortunadamente, já tradicionais moradores de rua que perambulam pelas cidades de porte médio e grande de Santa Catarina. Uma adolescente de uns 13 anos usava a tomada de uma sala de aula para ligar seu rádio. Ouvia uma música qualquer, ainda atônita. Acompanhava a letra da música sem emitir sons, apenas movendo seus lábios, enquanto olhava seriamente em frente, para o nada.

Perigo: Toda atenção não é o suficiente nas rodovias
A ida para Itajaí acabou adiada, talvez para a próxima terça-feira. Certamente, pelo que contam e mostram os colegas de imprensa, lá o drama é ainda maior. Outros olhares sem direção aguardam.
Por volta das 17 horas, eu, o secretário Paulo Bauer e o motorista Roberto estávamos na BR-101 em direção a Jaraguá do Sul, uma das cidades castigadas pela fúria da natureza. Seria uma viagem de inspeção nas escolas estaduais de lá, Blumenau e Itajaí. Para minha surpresa, o trânsito estava tranquilo e, no início da noite, estávamos na simpática e loura Jaraguá do Sul.
Perto da cidade, impressionava o número de barreiras que caíram. Dos dois lados da rodovia, a terra desceu em vários pontos. Em alguns trechos, tudo parecia que viria abaixo a qualquer momento. No município, a água já havia baixado. Falso alento ao vermos o local onde uma montanha de terra soterrou casas, famílias e uma revenda de automóveis. Imagens que o País inteiro assistiu pela TV. Foi impossível não se assustar com o fato de não ter sobrado nada. De existirem lá agora raros sinais de que antes ali havia vida.
Fotos: Alessandro Bonassoli
Do alto: perigo constante
Os maiores estragos, ficamos sabendo na Arena Multiuso de Jaraguá, foram na área rural, onde os colonos perderam simplesmente tudo. Palco de emoções esportivas, a Arena agora é uma fábrica de solidariedade. Em pouco mais de 20 minutos, presenciamos pessoas de todas as idades e classes sociais trabalhando sem parar no recebimento, separação e embarque dos donativos que chegam de todo o Brasil. É tanta gente querendo ajudar que os organizadores têm dispensado mão-de-obra. O ritmo é intenso e grupos de 200 voluntários se revezam a cada turno. Só na quinta-feira, 26 caminhões lotados de mantimentos, como água, comida e roupas saíram de lá rumo às demais cidades atingidas. Seriam outros 30 na sexta-feira.
Jaraguá é a melhor opção logística, pois os caminhões que chegam de outros Estados não têm como ir até Blumenau e Itajaí, por exemplo. Em Jaraguá do Sul, os cálculos iniciais, afirmou a vice-prefeita Rosimeiry Vasel, indicavam 1500 desalojados, mais de 360 barreiras caídas nas estradas da região e um desfalque de R$ 800 mil a R$ 1 milhão nas escolas.
Isso é pouco diante do que vi no dia seguinte, em Blumenau. Em uma reunião da Secretaria de Desenvolvimento Regional, onde estão alojados cerca de 200 policias militares, ficou claro que o caos era muito maior. Só nas imagens das escolas da região que foram afetadas, tive a impressão logo mais comprovada pelo secretário Paulo França. "O que está acontecendo agora é muito maior do que as enchentes de 1983 e 1984. Naquela vez, a água subiu e baixou. Agora, os morros estão caindo", contou com a experiência de quem era secretário de obras durante as duas históricas cheias dos anos 80.
Sujeira: Após os estragos, o mau cheiro da lama
Como fui até lá para registrar o problema nas unidades de ensino, vi apenas de longe o restante do problema. Avenidas inteiras tomadas pela lama, cenário de guerra - como escreveram os colegas do Diário Catarinense. Na Escola Victor Hering, PMs trazidos para ajudar nos reparos e no controle da situação estão alojados com moradores que não têm mais para onde voltar. Curiosamente, o prédio também sofreu com as chuvas.
Símbolo: Nem a bandeira do Brasil escapou
Na Escola Adolpho Konder a lama tomou o ginásio de esportes, a água estragou móveis e equipamentos. Localizada em frente a um cemitério, a unidade precisará passar por um severo trabalho de higienização, pois a água que enxarcou o Campo Santo desceu direto de encontro aos fundos do ginásio.
Alternativa: Erguer os móveis é o recurso
Durante uma reunião no gabinete do prefeito João Paulo Kleinubing, ele tentava demonstrar controle ao expressar fatos aterrorizantes. "Estamos falando em um ano de abrigamento para as vítimas, pelo menos", afirmou. Cercado por assessores, técnicos, bombeiros e políticos que debatiam como alojar tanta gente. Afinal, houve bairros em que várias casas desapareceram. Atrás dele, colado na parede, um mapa do município mostrava vários locais com os quais a comunicação ainda não fora estabelecida.
Desolação: Esqueceram de mim
O imponente prédio da prefeitura de Blumenau é um retrato da situação caótica da cidade, do Estado. Ao sairmos do elevador, topamos com uma equipe do SAMU da Paraiba, que havia recém chegado e já recebia instruções para ir a campo trabalhar no resgate das vítimas. A ante-sala do gabinete do prefeito e a sacada ao seu redor estavam tomadas pela imprensa. Apresentadores, repórteres e cinegrafistas de todo o Brasil transmitindo ao vivo as últimas notícias. Lá fora, ao menos, era um sol maravilhoso, que trazia aquele calor insuportável que só quem já foi a Blumenau conhece. Infelizmente, hoje já choveu novamente.
Sina: Ao fundo, o rio que deu vida e agora traz a morte
Nos olhos das pessoas abrigadas nas escolas da cidade a expressão é de medo. Angústia e desespero. Algumas crianças brincam, talvez alheias aos fatos. Mas seus pais e irmãos nem choram mais. Muitos olham para quem é de fora com um ar de súplica, ainda mais intenso do que os, desafortunadamente, já tradicionais moradores de rua que perambulam pelas cidades de porte médio e grande de Santa Catarina. Uma adolescente de uns 13 anos usava a tomada de uma sala de aula para ligar seu rádio. Ouvia uma música qualquer, ainda atônita. Acompanhava a letra da música sem emitir sons, apenas movendo seus lábios, enquanto olhava seriamente em frente, para o nada.
Perigo: Toda atenção não é o suficiente nas rodovias
A ida para Itajaí acabou adiada, talvez para a próxima terça-feira. Certamente, pelo que contam e mostram os colegas de imprensa, lá o drama é ainda maior. Outros olhares sem direção aguardam.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Manchetes e manchetes
Não vou falar do drama que as enchentes causaram em Santa Catarina. Nem da tristeza e da comoção que a tragédia causa. Tragédia provocada por nós mesmos, que degradamos o meio-ambiente, não mudamos nosso comportamento arcaico e não elegemos administradores com capacidade e vontade real e efetiva de criar sistemas de precaução contra catástrofes.
A cobertura do desastre vem sendo muito bem feita por meus vários colegas nos jornais impressos, nos telejornais, nas rádios e nos blogs (alguns destes últimos, por sinal, estão na lista de links ao lado). Basta acessar, ler, assistir e ouvir para acompanhar o desenrolar dos fatos que mudaram a história de Santa Catarina. Fica aqui a solidariedade deste blog às famílias das vítimas que perderam a vida e àqueles moradores - sendo catarinenses ou não - que perderam tudo ou parte do que possuiam.
Enquanto jornalista, repórter, editor e chato por natureza, não pude deixar de notar a diferença das coberturas dos jornais considerados "maiores" no Estado. Fica clara a oposição ideológica dos periódicos do grupo RBS contra a daquele que pertence ao grupo RIC Record. Digo isso analisando meramente as manchetes de capa, não o teor das reportagens.
É nítido que Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia optaram por chamadas alarmistas, de forte impacto visual e opinativo. Para não dizer sensacionalista. O tom foi de "catástrofe", "desolação", "cenário de guerra". Mas é preciso registrar que o AN mudou o tom em sua edição de hoje.
O Notícias do Dia, por outro lado, enveredou pela velha, boa e recomendável seara da NOTÍCIA, do hard news, indicando fatos concretos e não temas evasivos e simplórios. Hoje, a idéia era de mudança, de elevar o moral. Algo mais positivo.
Não fica aqui nenhuma crítica ao grupo RBS. Compreendo a opção dos editores-chefes dos três jornais. É válida também apesar de, talvez, ser desnecessária. Também não é um elogio o que digo sobre o Notícias do Dia, mesmo que eu tenha trabalhado lá até o último mês. O fato puro e simples é que eles escolheram o método que me agrada mais, jornalisticamente falando.
As diferenças ficam claras nas manchetes - dos jornais que tive acesso nestes dias - na lista abaixo:
Notícias do dia
Terça-feria, dia 25
"Já são 64 os mortos pela enchente"
Quarta-feira, dia 26
"Hora de Recomeçar"
Jornal de Santa Catarina
Terça-feira, dia 25
"Ajude"
Quarta-feira, dia 26
"A pior catástrofe"
Diário Catarinense
Terça-feira, dia 25
"Desolação em SC"
Quarta-feira, dia 26
"Cenário de Guerra"
A Notícia
Segunda-feira, dia 24
"Foi o caos"
Quarta-feira, dia 26
"Hora de ajudar"
A cobertura do desastre vem sendo muito bem feita por meus vários colegas nos jornais impressos, nos telejornais, nas rádios e nos blogs (alguns destes últimos, por sinal, estão na lista de links ao lado). Basta acessar, ler, assistir e ouvir para acompanhar o desenrolar dos fatos que mudaram a história de Santa Catarina. Fica aqui a solidariedade deste blog às famílias das vítimas que perderam a vida e àqueles moradores - sendo catarinenses ou não - que perderam tudo ou parte do que possuiam.
Enquanto jornalista, repórter, editor e chato por natureza, não pude deixar de notar a diferença das coberturas dos jornais considerados "maiores" no Estado. Fica clara a oposição ideológica dos periódicos do grupo RBS contra a daquele que pertence ao grupo RIC Record. Digo isso analisando meramente as manchetes de capa, não o teor das reportagens.
É nítido que Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia optaram por chamadas alarmistas, de forte impacto visual e opinativo. Para não dizer sensacionalista. O tom foi de "catástrofe", "desolação", "cenário de guerra". Mas é preciso registrar que o AN mudou o tom em sua edição de hoje.
O Notícias do Dia, por outro lado, enveredou pela velha, boa e recomendável seara da NOTÍCIA, do hard news, indicando fatos concretos e não temas evasivos e simplórios. Hoje, a idéia era de mudança, de elevar o moral. Algo mais positivo.
Não fica aqui nenhuma crítica ao grupo RBS. Compreendo a opção dos editores-chefes dos três jornais. É válida também apesar de, talvez, ser desnecessária. Também não é um elogio o que digo sobre o Notícias do Dia, mesmo que eu tenha trabalhado lá até o último mês. O fato puro e simples é que eles escolheram o método que me agrada mais, jornalisticamente falando.
As diferenças ficam claras nas manchetes - dos jornais que tive acesso nestes dias - na lista abaixo:
Notícias do dia
Terça-feria, dia 25
"Já são 64 os mortos pela enchente"
Quarta-feira, dia 26
"Hora de Recomeçar"
Jornal de Santa Catarina
Terça-feira, dia 25
"Ajude"
Quarta-feira, dia 26
"A pior catástrofe"
Diário Catarinense
Terça-feira, dia 25
"Desolação em SC"
Quarta-feira, dia 26
"Cenário de Guerra"
A Notícia
Segunda-feira, dia 24
"Foi o caos"
Quarta-feira, dia 26
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domingo, 23 de novembro de 2008
As chuvas e a Educação II
Uma das grandes dúvidas dos catarinenses - principalmente aqueles que estão nas áreas atingidas pela enchente - é se as escolas vão funcionar amanhã. Até o momento, NÃO há uma confirmação se haverá a necessidade de se suspender as aulas em todo o Estado ou somente nos municípios isolados.
A Secretaria de Estado da Educação estuda a situação e uma decisão deve ser tomada até o final deste domingo.
A Secretaria de Estado da Educação estuda a situação e uma decisão deve ser tomada até o final deste domingo.
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As chuvas e a Educação
O blog abre espaço para uma nota da Secretaria de Estado da Educação em função das chuvas que caem em Santa Catarina:
Secretaria de Estado da Educação cancela curso em Laguna
A Secretaria de Estado da Educação informa que o Curso de Capacitação para Educadores, que seria realizado na próxima semana, em Laguna, foi cancelado em função das condições precárias da BR-101, provocadas pelas fortes chuvas que ocorrem em Santa Catarina. Não há previsão para uma nova data. Organizado pela Diretoria de Desenvolvimento Humano da secretaria, a capacitação envolveria 140 assistentes técnicos da Grande Florianópolis, além de outros 34 da própria Secretaria.
Segundo a diretora de Desenvolvimento Humano, Elizete Mello, este seria o primeiro pólo do Estado onde aconteceria o curso que contemplará outros seis em 2009, visando atender todas as escolas da rede pública estadual. Sua importância está no fato de que os assistentes técnicos em Educação (antes secretários de escola) se aprofundem em questões administrativas da unidade escolar, gerando uma gestão pessoal mais eficiente.
Secretaria de Estado da Educação cancela curso em Laguna
A Secretaria de Estado da Educação informa que o Curso de Capacitação para Educadores, que seria realizado na próxima semana, em Laguna, foi cancelado em função das condições precárias da BR-101, provocadas pelas fortes chuvas que ocorrem em Santa Catarina. Não há previsão para uma nova data. Organizado pela Diretoria de Desenvolvimento Humano da secretaria, a capacitação envolveria 140 assistentes técnicos da Grande Florianópolis, além de outros 34 da própria Secretaria.
Segundo a diretora de Desenvolvimento Humano, Elizete Mello, este seria o primeiro pólo do Estado onde aconteceria o curso que contemplará outros seis em 2009, visando atender todas as escolas da rede pública estadual. Sua importância está no fato de que os assistentes técnicos em Educação (antes secretários de escola) se aprofundem em questões administrativas da unidade escolar, gerando uma gestão pessoal mais eficiente.
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Democracia chinesa
A primeira vez que ouvi Guns´N´Roses foi em 1987. Isso me lembra que:
a) estou ficando velho
b) a banda era uma ilustre desconhecida
A curiosidade por conhecer o tal grupo veio após a leitura de uma matéria sobre o grupo de Los Angeles na revista Rock Brigade (ou seria na extinta Metal?). Me agradou o texto, que citava Led Zeppelin e Aerosmith como principais influências daqueles caras com visual extravagante e desnecessário. E eu já pensava assim por ser fã da simplicidade do jeans surrado e camiseta difundido pelos meus ídolos do thrash metal, como Metallica, Testament e Megadeth. Mas o Guns era um grupo de rock and roll e nada mais rock and roll do que aquele ar "doidão de shopping center".
Curiosamente, mesmo sem a existência de YouTube, MySpace, internet e CD, logo chegou às minhas mãos uma fitinha K7 com parte do álbum "Apettite For Destruction". Ficou claro que seria mera questão de tempo para que "Sweet Child O´Mine" fosse parar nas rádios. E me agradou o fato de um grupo que estaria muito mais para o glam metal do Mötley Crüe do que para o peso do Slayer soar tão pesado. "Rocket Queen" e "It´s So Easy" tornaram-se de imediato favoritas aqui em casa.
E aí o tempo passou quase que imediatamente. Eles estouraram, abriram portas para o rock pesado, garantiram o último respiro na cena mainstream antes da praga grunge, ganharam milhões, menininhas tiveram orgasmos solitários por causa dos agudos gritos de W. Axl Rose e suas insuportáveis reboladas, a modernidade se instalou de vez e tudo acabou. O líder do grupo se provou mais um artista megalomaníaco e os bons músicos que o acompanhavam saltaram fora. A banda caiu no ostracismo e virou motivo de piada. Tudo por causa de "Chinese Democracy", seu futuro novo álbum que parecia ser meramente uma mentira.
No hiato desde 1993, quando "The Spaghetti Incident?" chegou as lojas, o tal novo trabalho se transformou em uma promessa de bêbado. Mas, eis que agora, em 2008, a promessa virou realidade. Algumas faixas haviam sido apresentadas na terceira edição do Rock In Rio, outras vazaram na internet. A versão oficial está à venda a partir de hoje. Ouço agora "Chinese Democracy" no MySpace da banda e entendo o motivo pela óbvia falta de unanimidade sobre as 14 faixas. Um exemplo é a crítica favorável da Rolling Stone original e a malhação imposta pela versão brasileira da revista.
É um bom disco de rock. Ponto. Não chega sequer perto de "Apettite For Destruction", "G´N´R Lies" ou "Use Your Illusions I" e "Use Your Illusions II". Mas tem qualidade. E, claro, não é o Guns´N´Roses propriamente dito, mas um grupo com o vocalista da banda. Também não poderia se esperar que Axl Rose gravasse músicas que fossem meras cópias do que ele compôs com seus velhos parceiros. As características estão lá, as baladas orquestradas também, é claro. As influências de Led e Aerosmith idem. Mas os tempos são outros, a década é outra e determinados artistas tendem a tentar acompanhar as transições da cultura, do mundo, da humanidade. Ainda bem que AC/DC e Motörhead não fazem isso.
Irrita um tanto o flerte do Guns atual com as modernidades, com arranjos puramente eletrônicos. Mas não é nada assim tão detestável. O importante é ouvir antes de comentar. Agora, se Axl não fosse tão babaca quanto é, teria evitado toda esta propaganda negativa, se não fosse adepto da "democracia" chinesa, teria feito concessões, não seria um ditador da banda que tomou para si. O cara gastou milhões de dólares para gravar um disco bom, mas mediano. E tanta gente passando fome...
Não duvido que, se ele quiser ir para a estrada, os shows vão lotar e ele vai faturar. Eu espero ver Axl e seus contratados tocando "It´s so Easy" e "Rocket Queen". Muitos coleguinhas da imprensa estão torcendo o nariz para "Chinese Democracy". Só lamento. Mas isso é democracia.
a) estou ficando velho
b) a banda era uma ilustre desconhecida
A curiosidade por conhecer o tal grupo veio após a leitura de uma matéria sobre o grupo de Los Angeles na revista Rock Brigade (ou seria na extinta Metal?). Me agradou o texto, que citava Led Zeppelin e Aerosmith como principais influências daqueles caras com visual extravagante e desnecessário. E eu já pensava assim por ser fã da simplicidade do jeans surrado e camiseta difundido pelos meus ídolos do thrash metal, como Metallica, Testament e Megadeth. Mas o Guns era um grupo de rock and roll e nada mais rock and roll do que aquele ar "doidão de shopping center".
Curiosamente, mesmo sem a existência de YouTube, MySpace, internet e CD, logo chegou às minhas mãos uma fitinha K7 com parte do álbum "Apettite For Destruction". Ficou claro que seria mera questão de tempo para que "Sweet Child O´Mine" fosse parar nas rádios. E me agradou o fato de um grupo que estaria muito mais para o glam metal do Mötley Crüe do que para o peso do Slayer soar tão pesado. "Rocket Queen" e "It´s So Easy" tornaram-se de imediato favoritas aqui em casa.
E aí o tempo passou quase que imediatamente. Eles estouraram, abriram portas para o rock pesado, garantiram o último respiro na cena mainstream antes da praga grunge, ganharam milhões, menininhas tiveram orgasmos solitários por causa dos agudos gritos de W. Axl Rose e suas insuportáveis reboladas, a modernidade se instalou de vez e tudo acabou. O líder do grupo se provou mais um artista megalomaníaco e os bons músicos que o acompanhavam saltaram fora. A banda caiu no ostracismo e virou motivo de piada. Tudo por causa de "Chinese Democracy", seu futuro novo álbum que parecia ser meramente uma mentira.
No hiato desde 1993, quando "The Spaghetti Incident?" chegou as lojas, o tal novo trabalho se transformou em uma promessa de bêbado. Mas, eis que agora, em 2008, a promessa virou realidade. Algumas faixas haviam sido apresentadas na terceira edição do Rock In Rio, outras vazaram na internet. A versão oficial está à venda a partir de hoje. Ouço agora "Chinese Democracy" no MySpace da banda e entendo o motivo pela óbvia falta de unanimidade sobre as 14 faixas. Um exemplo é a crítica favorável da Rolling Stone original e a malhação imposta pela versão brasileira da revista.
É um bom disco de rock. Ponto. Não chega sequer perto de "Apettite For Destruction", "G´N´R Lies" ou "Use Your Illusions I" e "Use Your Illusions II". Mas tem qualidade. E, claro, não é o Guns´N´Roses propriamente dito, mas um grupo com o vocalista da banda. Também não poderia se esperar que Axl Rose gravasse músicas que fossem meras cópias do que ele compôs com seus velhos parceiros. As características estão lá, as baladas orquestradas também, é claro. As influências de Led e Aerosmith idem. Mas os tempos são outros, a década é outra e determinados artistas tendem a tentar acompanhar as transições da cultura, do mundo, da humanidade. Ainda bem que AC/DC e Motörhead não fazem isso.
Irrita um tanto o flerte do Guns atual com as modernidades, com arranjos puramente eletrônicos. Mas não é nada assim tão detestável. O importante é ouvir antes de comentar. Agora, se Axl não fosse tão babaca quanto é, teria evitado toda esta propaganda negativa, se não fosse adepto da "democracia" chinesa, teria feito concessões, não seria um ditador da banda que tomou para si. O cara gastou milhões de dólares para gravar um disco bom, mas mediano. E tanta gente passando fome...
Não duvido que, se ele quiser ir para a estrada, os shows vão lotar e ele vai faturar. Eu espero ver Axl e seus contratados tocando "It´s so Easy" e "Rocket Queen". Muitos coleguinhas da imprensa estão torcendo o nariz para "Chinese Democracy". Só lamento. Mas isso é democracia.
sábado, 22 de novembro de 2008
Transporte urbano
Eu andava pensando em comprar um carro para ir trabalhar.
Mas, depois de 50 e tantos dias de chuva, me pergunto se não seria uma idéia melhor adquirir um jetski ou uma lancha. Talvez uma simples canoa. É o fim dos tempos, só pode. Tanta água assim deve ser castigo.
Mas, depois de 50 e tantos dias de chuva, me pergunto se não seria uma idéia melhor adquirir um jetski ou uma lancha. Talvez uma simples canoa. É o fim dos tempos, só pode. Tanta água assim deve ser castigo.
sábado, 15 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Um País sem educação, de gente ruim e sem-vergonha
Vivemos mesmo em um país ruim. Ou melhor, feito por pessoas ruins. A novidade dos últimos dias foi a descoberta de turmas "fantasmas" em uma escola de São José, na Grande Florianópolis. Ontem, o colega Michael Gonçalves, do jornal Hora de Santa Catarina, me ligou na assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação querendo entrevistar alguém da Casa sobre o tema.
Em meio à correria do dia, fui no automático e procurei a fonte que falaria com ele. Só horas depois é que me caiu a ficha: o quê diabos é uma turma fantasma? Hoje, a diretora de Desenvolvimento Humano, Elizete Mello, que foi até à Escola de Educação Básica Wanderley Júnior iniciar a apuração dos fatos, me explicou que a ação consiste basicamente em criar turmas inexistentes para ganhar direito à contratação de mais professores temporários ou alterar a carga horária dos efetivos. Mas, de acordo com ela, ainda podem existir outros motivos sombrios e execráveis por trás da manobra.
Não deu outra: o secretário da Educação, Paulo Bauer, mandou tirar o cargo dos envolvidos no caso. Foram afastadas de suas funções a diretora Salete Bressanini Decker e suas assessoras Vera Lúcia Lostada e Maria Scottini Testoni. A denúncia do Hora de Santa Catarina apontou três turmas fantasmas. Na verdade, confirmou-se agora à tarde, eram seis. "A Secretaria já instalou processo disciplinar para apurar todos os detalhes e, dependendo do envolvimento e da gravidade dos fatos, as profissionais, que são efetivas no quadro do magistério, correm o risco de serem exoneradas do funcionalismo público de Santa Catarina. De acordo com a diretora de Desenvolvimento Humano, a decisão tem como respaldo o Artigo 167, do Estatuto do Magistério, que considera infração punível com pena de demissão uma série de irregularidades", diz o press release que encaminhei para a imprensa.
Em um país que pais jogam a filha da janela, mães dispensam recém-nascidos em córregos, maridos "deixados" assassinam as ex-mulheres, árbitros de futebol manipulam resultados de futebol para ganhar dinheiro, desviar verba dos cofres públicos que devia ser investida na educação das futuras gerações praticamente soa como algo natural.
Revoltante é pouco.
Em meio à correria do dia, fui no automático e procurei a fonte que falaria com ele. Só horas depois é que me caiu a ficha: o quê diabos é uma turma fantasma? Hoje, a diretora de Desenvolvimento Humano, Elizete Mello, que foi até à Escola de Educação Básica Wanderley Júnior iniciar a apuração dos fatos, me explicou que a ação consiste basicamente em criar turmas inexistentes para ganhar direito à contratação de mais professores temporários ou alterar a carga horária dos efetivos. Mas, de acordo com ela, ainda podem existir outros motivos sombrios e execráveis por trás da manobra.
Não deu outra: o secretário da Educação, Paulo Bauer, mandou tirar o cargo dos envolvidos no caso. Foram afastadas de suas funções a diretora Salete Bressanini Decker e suas assessoras Vera Lúcia Lostada e Maria Scottini Testoni. A denúncia do Hora de Santa Catarina apontou três turmas fantasmas. Na verdade, confirmou-se agora à tarde, eram seis. "A Secretaria já instalou processo disciplinar para apurar todos os detalhes e, dependendo do envolvimento e da gravidade dos fatos, as profissionais, que são efetivas no quadro do magistério, correm o risco de serem exoneradas do funcionalismo público de Santa Catarina. De acordo com a diretora de Desenvolvimento Humano, a decisão tem como respaldo o Artigo 167, do Estatuto do Magistério, que considera infração punível com pena de demissão uma série de irregularidades", diz o press release que encaminhei para a imprensa.
Em um país que pais jogam a filha da janela, mães dispensam recém-nascidos em córregos, maridos "deixados" assassinam as ex-mulheres, árbitros de futebol manipulam resultados de futebol para ganhar dinheiro, desviar verba dos cofres públicos que devia ser investida na educação das futuras gerações praticamente soa como algo natural.
Revoltante é pouco.
Charge from outer space
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